![]() |
![]() |
![]() |
Fábio Rodrigues, de São Paulo
No dia 21 de novembro, a Evonik inaugurou sua novíssima fábrica de metilato de sódio – principal catalisador usado pelas usinas de biodiesel – na região de Rosário, na Argentina. Essa será a terceira fábrica de metilato do conglomerado industrial, que já possui unidades produtivas na Alemanha e outra nos Estados Unidos.
A fábrica pode produzir 60 mil toneladas de metilato anualmente, o que é o bastante para assegurar a produção de aproximadamente 3 bilhões de litros de biodiesel. Isso bastaria para atender com folga a demanda de toda a indústria brasileira em 2012 – que totalizou 2,7 bilhões de litros. O projeto da fábrica argentina usa a mesma tecnologia empregada pela unidade norte-americana, em que os alcoolatos são produzidos numa reação direta entre álcool e soda cáustica.
Quando anunciada, em março de 2011 – tendo a construção iniciado em setembro daquele mesmo ano –, a expectativa era de que a fábrica entrasse em funcionamento no final de 2012. O valor investido pela Evonik não chegou a ser informado. Na época, circulou a informação de que estaria cotada em dois dígitos de milhões de euros. Segundo apuração de BiodieselBR, uma fábrica como a planejada não custaria menos que R$ 50 milhões.
Argentina
A nova fábrica da Evonik está instalada bem no meio do maior polo de biodiesel da Argentina, com aproximadamente 90% da capacidade produtiva do país localizada num raio de 40 quilômetros. A planta também tem acesso facilitado à região portuária, o que permitirá atender pedidos de fabricantes de biodiesel de toda a América do Sul a preços competitivos.“Investimos na Argentina porque queremos nos beneficiar das chances de sucesso que o mercado sul-americano oferece no longo prazo”, disse o diretor executivo responsável pela região sul- -americana, Patrik Wohlhauser. A empresa tem a meta de se tornar líder no segmento de catalisadores para a indústria de biodiesel.
A despeito das vantagens logísticas enumeradas pela direção da companhia, essa inauguração aconteceu numa das piores fases da indústria do biodiesel da Argentina. No final de novembro a União Europeia anunciou que passaria a tarifar o biodiesel argentino em 24,9% como resultado de um processo antidumping movido por produtores europeus. Não bastasse isso, recentemente a Espanha aprovou a criação de cotas em seu mercado de biodiesel e deixou a Argentina de fora.
Dados do Instituto Nacional de Estadística y Censos (Indec) apontam que a produção de biodiesel da Argentina no primeiro semestre de 2013 foi de 815,6 mil toneladas, uma queda superior a 42% sobre as 1.415,4 mil toneladas produzidas no mesmo período de 2012.
Isso torna ainda mais importante para a Evonik conquistar uma boa fatia do mercado brasileiro. Contudo, a fabricante de especialidades químicas precisará competir com nomes de peso do mercado químico. Em fevereiro de 2012, a Basf inaugurou uma fábrica com capacidade para 60 mil toneladas de metilato em Guaratinguetá (SP). E a DuPont tem um acordo com a Camera para a instalação de uma unidade fabril para 15 mil toneladas em Estrela (RS), que ainda não foi oficialmente inaugurada.
Para celebrar a inauguração, a empresa promoveu um coquetel no dia 23 durante a programação da Conferência BiodieselBR 2013. Durante o evento, o executivo da companhia, José Berges, reconheceu os desafios do mercado de biodiesel da América do Sul, mas também demonstrou considerável otimismo quanto ao potencial de crescimento nos próximos anos.
