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Água: um problema sério para a indústria de biodiesel

coluna paulo
Ao contrário do que acontece no Brasil, os europeus regulam a quantidade de água contida no B100 ao longo de toda a cadeia de produção e uso de biodiesel. Em países como a Alemanha, o transporte de B100 somente ocorre em tanques inertizados, a fim de manter os teores de água dentro da norma.
Edição de Out / Nov 2013 3 min de leitura
coluna paulo
Ao contrário do que acontece no Brasil, os europeus regulam a quantidade de água contida no B100 ao longo de toda a cadeia de produção e uso de biodiesel. Em países como a Alemanha, o transporte de B100 somente ocorre em tanques inertizados, a fim de manter os teores de água dentro da norma. Aqui no Brasil, já escutei em diversos fóruns discussões a respeito da necessidade ou não de se regular a quantidade de água, mas até o momento a ANP só a regula no momento da saída do biodiesel da usina. Será que existe necessidade de se regular o teor de água nas próximas etapas?

Em primeiro lugar, devemos entender o porquê de se controlar o teor de água no biodiesel. O problema mais evidente é a diferença de solubilidade da água no biodiesel e no diesel. Uma das grandes vantagens do biodiesel em relação ao diesel é o fato de as moléculas que o compõem possuírem átomos de oxigênio, os quais melhoram a lubricidade do combustível e facilitam a combustão, diminuindo a quantidade de compostos poluentes que saem pelo escapamento. No entanto, esses átomos de oxigênio fazem com que o biodiesel seja mais higroscópico, ou seja, que consiga dissolver maior quantidade de água do que o diesel. Quando um volume de biodiesel com excesso de água é misturado ao diesel, a mistura final (B5) não consegue manter dissolvida a mesma quantidade de água que o B100. Como resultado, ocorre uma turvação da mistura e uma fase de água acabe se separando no fundo do tanque do caminhão, do posto ou mesmo do veículo.

As consequências da existência de uma fase aquosa misturada ao diesel são diversas. Por exemplo, na superfície de contato entre as duas fases geralmente ocorre o crescimento de micro- -organismos, gerando borras. Outro efeito é a acidificação do combustível ocasionada pela hidrólise do biodiesel, a qual pode ser catalisada inclusive por enzimas produzidas pelos micro-organismos que proliferam na interface. Além disso, a presença da água também pode trazer inúmeros problemas para as bombas e filtros dos postos e veículos.

Assim, a necessidade de um controle sobre o teor de água parece ser algo óbvio e bastante justificado. No entanto, ao longo da cadeia esse controle é bastante difícil, principalmente num país de clima tropical e úmido como o nosso. Uma das poucas alternativas seria realizar o transporte em tanques inertizados, como o fazem os europeus, o que aumentaria os custos de forma preocupante.

Esta discussão entre os diversos atores da cadeia produtiva de biodiesel será longa, e uma solução de baixo impacto econômico é bastante difícil. No entanto, práticas simples e baratas, como drenar sistematicamente os tanques para retirar a água formada, podem constituir paliativos capazes de minimizar os efeitos provocados pela higroscopicidade do biodiesel.
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