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Trump exige que Ucrânia suspenda ataques a refinarias diante de alta do preço do diesel

Presidente americano disse ter alertado o líder ucraniano Volodymyr Zelenskyy para que parasse de atacar refinarias de petróleo na Rússia

Bloomberg 4 min de leitura

O presidente Donald Trump afirmou ter alertado o líder ucraniano Volodymyr Zelenskyy para que parasse de atacar refinarias de petróleo na Rússia, em meio a ataques que paralisaram a refinação de diesel e contribuíram para elevar os preços do combustível a níveis recordes.

“O Sr. Zelenskyy precisa fazer uma coisa: ele precisa parar de atacar o abastecimento de diesel na Rússia”, disse Trump no domingo (13), à margem do Amgen Irish Open, em seu campo de golfe em Doonbeg, na Irlanda. “Que ele ataque outros alvos — mas não o diesel, porque ele está causando uma escassez desse combustível.”

A exigência de Trump ameaça privar a Ucrânia de uma de suas ferramentas mais poderosas para prejudicar a economia da Rússia em resposta à guerra iniciada pelo presidente Vladimir Putin.

A Rússia intensificou os ataques com mísseis e drones contra cidades ucranianas, incluindo alvos na infraestrutura de energia elétrica e de combustíveis. Kiev retaliou com ataques a refinarias de petróleo, o que levou à escassez generalizada de combustível em muitas regiões russas.

O diesel e a gasolina são produzidos nas mesmas refinarias, e os ataques ucranianos interromperam a produção de ambos os combustíveis. O impacto na produção de diesel levou Moscou a proibir as exportações, mas é a escassez de gasolina que está sendo sentida de forma mais direta em toda a Rússia.

As restrições russas à exportação de diesel, decorrentes dos ataques ucranianos, aumentaram a pressão sobre um mercado global já sobrecarregado pela guerra no Oriente Médio.

No domingo, as forças ucranianas afirmaram ter realizado ataques a refinarias no sul da Rússia e no Tartaristão, somando-se aos ataques anteriormente relatados à refinaria de petróleo de Saratov, no país.

Além do impacto econômico, o déficit de gasolina está tornando a guerra mais visível para os russos comuns, à medida que motoristas em grande parte do país enfrentam restrições na disponibilidade de combustível, tornando os efeitos da guerra — que já está em seu quinto ano — mais difíceis de ignorar no dia a dia.

Os preços médios do diesel ultrapassaram US$ 6 por galão nos EUA pela primeira vez na história na semana passada, impulsionados pela escassez de oferta causada pela guerra no Irã, bem como pelo conflito entre a Rússia e a Ucrânia.

As possíveis ramificações econômicas são enormes. Embora a maioria dos motoristas americanos se concentre principalmente no custo da gasolina sem chumbo — que também subiu 54% em relação à mínima de US$ 2,795 registrada em janeiro —, o diesel é uma fonte de energia essencial para caminhões de longa distância, trens de carga e equipamentos agrícolas.

Para Trump, a questão representa um risco político específico às vésperas das eleições intermediárias de novembro, que determinarão o controle da Câmara dos Deputados e do Senado.

O aumento dos preços dos combustíveis já está reduzindo a receita e forçando os empresários a cobrar mais pelos produtos, à medida que a inflação impulsionada pelos preços da energia se propaga para o setor de varejo, agravando as preocupações com o custo de vida que já pesam sobre o Partido Republicano do presidente nas disputas de novembro.

No domingo, Trump enfatizou a preocupação global com os preços dos combustíveis ao descrever seu alerta a Zelenskyy para que evitasse instalações de refino na Rússia.

“Conversamos com o Sr. Zelenskyy sobre isso. Há muitos outros alvos”, disse Trump. “Não ataque o diesel, pois isso está prejudicando o mundo. Não queremos que ele ataque o diesel. Ele está atacando refinarias de diesel.”

Não ficou imediatamente claro como Kiev responderia à advertência de Trump nem quando ocorreu a conversa que ele descreveu.

O governo Trump já advertiu a Ucrânia para que reduza os ataques a outras infraestruturas energéticas na região, particularmente às instalações do Consórcio do Oleoduto do Cáspio e a embarcações não russas no Mar Negro.

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, rejeitou na semana passada uma moratória sobre ataques a navios que transportam mercadorias civis no Mar Negro, afirmando que era impossível monitorar tal medida e que ela era inaceitável para Moscou, segundo informou a agência de notícias Interfax.

Trump tem procurado acalmar as preocupações sobre os preços da energia e, no domingo, reiterou sua opinião de que os custos cairão drasticamente após o fim da guerra no Irã. Ele previu que o conflito terminaria “logo após” ou “talvez antes” das eleições de meio de mandato.

Jennifer A. Dlouhy – Bloomberg

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