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A política energética brasileira vem fazendo as suas, e o país inteiro, além de pagar a conta, arcará com as consequências. Sobretudo na conta da importação de diesel mineral.
O derivado de petróleo é considerado pela Organização Mundial da Saúde e pela Agência Internacional de Combate ao Câncer um dos maiores causadores da doença, a que mais mata no mundo inteiro. Mas, ainda assim, o governo brasileiro prefere continuar importando diesel a, por exemplo, aumentar a produção interna de biodiesel, combustível verde que polui 57% menos do que o similar fóssil.
Pesquisas já indicaram, principalmente no caso do etanol, que quando o litro da gasolina está mais barato no posto de abastecimento o brasileiro não se importa muito com a questão ambiental, ainda que se trate da saúde da sua família, preocupando-se mais com o bolso.
Mas aqui nem mesmo o argumento econômico se sustenta, pois o país paga pelo litro do diesel mineral importado o mesmo ou mais caro do que o preço do litro do biodiesel nacional. Com a cotação do dólar a R$ 2,25, de julho passado, o litro do diesel estava chegando aos portos brasileiros a R$ 1,93 o litro, enquanto o do biodiesel girava em torno de R$ 1,79, ambos sem os impostos.
No ano passado o Brasil importou 15% de todo o diesel que consumiu, algo como 7,97 bilhões de litros, e pagou por eles qualquer coisa em torno de US$ 6,6 bilhões. Até junho de 2013 o país já importou 5,6 bilhões de litros, a US$ 4,5 bilhões. A projeção do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior é chegar a quase US$ 9 bilhões na compra de um dos combustíveis mais poluentes do mundo. Não fosse a produção interna de biodiesel, o derivado importado chegaria a 20% do total consumido.
Em 2012 o superávit da balança comercial brasileira foi de US$ 19,4 bilhões. Motivo de comemoração, sim, em tempos de pibinho. Mas se o país não tivesse gasto US$ 6,57 bilhões em importações de diesel, o saldo teria sido 34% maior. De janeiro a junho deste ano o déficit acumulado na balança comercial já era de US$ 3 bilhões. Se não tivéssemos dispendido US$ 4,5 bilhões na compra de diesel, teríamos um superávit.
Cada país faz as escolhas que julga melhor. Mas o que o Brasil perde com a escolha que não faz, de aumentar a produção de biodiesel com a elevação da mistura a 7%? Deixaríamos de importar este ano 560 milhões de litros de diesel, economizando US$ 460 milhões. Sem falar na criação de quase 50 mil empregos e na agregação de R$ 6,4 bilhões em riquezas no Produto Interno Bruto.
A Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe/ USP) já mostrou ao governo que a produção interna de biodiesel economizou ao país R$ 11,5 bilhões em importações de diesel de 2008 a 2011, quando as emissões de gás carbônico se reduziram em 11,8 milhões de toneladas de CO2-equivalentes. No mesmo período, a geração de riqueza no PIB foi de R$ 12 bilhões.
Não é preciso pesquisas científicas para saber que mais biodiesel no diesel ajuda a limpar o combustível fóssil e a lubrificar os motores, a fomentar a agricultura familiar com o fornecimento de matérias-primas para as usinas, a reduzir as internações hospitalares, liberando recursos da saúde pública para casos de emergência, e a melhorar a qualidade do ar que respiramos.
No fim, somos todos e seremos sempre a soma de nossas escolhas. Escolher é abrir mão de uma coisa por outra, até quando ficar tarde demais para arrependimentos.
* Erasmo Carlos Battistella é presidente da Associação dos Produtores de Biodiesel do Brasil – Aprobio; diretor-presidente da BSBIOS e presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Canola – Abrascanola
