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Fábio Rodrigues, de São Paulo
Em junho passado, o setor pôde ver, de uma vez por todas, como vai funcionar o novo sistema de estoques reguladores de biodiesel que deverá substituir o atual – baseado na formação de estoques físicos administrados pela Petrobras. No dia 13 daquele mês, o 1º Leilão de Estoque negociou contratos que, caso sejam 100% executados, poderão ser convertidos em 35 milhões de litros de biodiesel. Inicialmente seriam compradas opções num total de 45 milhões de litros, mas a Petrobras acabou reduzindo o volume de compras. Os dois sistemas funcionarão em paralelo até que a Petrobras acabe com os atuais estoques físicos.
O negócio funciona assim: ao invés de empatar volumes vultosos de recursos financeiros adquirindo dezenas de milhões de litros de biodiesel para formar um estoque físico que, idealmente, nunca vai ser usado, a Petrobras agora passa a contratar usinas para ficar de prontidão e, na eventualidade de qualquer contratempo, fabricar os volumes de biodiesel que faltarem,praticamente para pronta entrega. As usinas que vencem o leilão levam um pequeno prêmio em dinheiro em troca de ficarem à disposição e, caso o contrato venha mesmo a ser mesmo executado, recebem pelo biodiesel fabricado.
A disputa acontece de forma inversa à dos leilões regulares. Isso quer dizer que a Petrobras define um prêmio máximo para cada lote e as usinas interessadas no negócio disputam oferecendo preços menores, podendo até chegar a zero – neste primeiro leilão, nada menos do que cinco lotes fecharam com prêmio zero. Nesse caso, as usinas ganham apenas pelos volumes efetivamente fabricados, recebendo o mesmo preço médio pelo qual a usina vencedora vendeu seu produto no leilão em vigor. Neste primeiro leilão de opções, a referência foi o 31º Leilão de Biodiesel.
Ainda assim, o primeiro certame acabou movimentando R$ 1,38 milhão apenas com o pagamento dos prêmios para as usinas vencedoras dos 14 lotes negociados. A maior vencedora foi a Granol, que embolsou R$ 573,5 mil com os prêmios pagos pelos seis lotes que arrematou. Não parece grande coisa para uma empresa que faturou quase R$ 99,7 milhões com os 52 milhões de litros de biodiesel vendidos no 31º Leilão. Acontece que os seis contratos podem virar vendas adicionais de um total de 14,5 milhões de litros, que caso sejam integralmente concretizadas podem render consideráveis R$ 28 milhões.

Economia
A ideia por trás da novidade é racionalizar os custos do sistema. Um dos maiores problemas com os estoques físicos é que o biodiesel tem uma vida de prateleira relativamente limitada, o que obriga a Petrobras a, de tempos em tempos, reprocessar o produto estocado. É um custo que, no fim das contas, acaba repassado para a indústria como um todo.O novo sistema foi desenhado para reduzir esse tipo de problema. O novo sistema também deve baratear os processos logísticos. Concentrados em apenas sete localidades, os estoques físicos obrigavam as distribuidoras que precisassem recorrer a eles a fazer deslocamentos maiores. Para minimizar o problema, agora cada usina só pode arrematar um lote por região, o que aumenta a capilaridade dos estoques para pelo menos dez localidades.
A implantação do novo sistema já vinha sendo debatida desde o final do ano passado. Na Conferência BiodieselBR 2012, o gerente de comercialização de biodiesel da Petrobras, Sandro Barreto, já adiantava que a mudança estava por vir. Mas ela só veio a acontecer, de fato, a partir da publicação da Portaria 116/2013 pelo Ministério de Minas e Energia, no começo de abril.
