BASF
034

Do que são feitas as potências


Edição de Abr 2013 / Mai 2013 - 08 mai 2013 - 17:43 - Última atualização em: 17 mai 2013 - 10:07
erasmoO óleo diesel voltou a subir no início de março, coisa de 5%. Com os 5,4% que aumentara em janeiro, o combustível soma alta de quase 22% no acumulado de quatro reajustes nos últimos nove meses. E ainda assim, continua defasado.

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O óleo diesel voltou a subir
no início de março, coisa
de 5%. Com os 5,4% que
aumentara em janeiro, o
combustível soma alta de quase
22% no acumulado de quatro reajustes
nos últimos nove meses. E
ainda assim, continua defasado.
Lá no aumento de janeiro,
não faltou quem dissesse que ele só
não fora maior por causa da adição
de biodiesel no
litro do derivado de
petróleo. Os preços
praticados no leilão
do biocombustível
no mês seguinte
na ANP – abaixo
do valor do litro de
diesel nos postos
de abastecimento
– comprovaram a
tendência de competitividade
do produto,
sobretudo com
a oferta elevada de matéria-prima
graças à safra recorde de soja.
Como nós do setor não cansamos
de dizer, o biodiesel não é
um substituto do diesel, mas uma
alternativa complementar, menos
poluente e com potencial de geração
de empregos 113% superior.
Além de refrear a alta do
diesel, como o aumento da mistura
de etanol fez com a gasolina,
o biodiesel pode contribuir
em muito mais do que apenas
no reequilíbrio do saldo da balança
comercial.
Segundo a Fundação Instituto
de Pesquisas Econômicas
(Fipe/USP), de 2008 a 2011 sua
fabricação evitou o desembolso
de R$ 11,5 bilhões
na importação de
diesel. Ainda assim,
pagamos US$
6,6 bilhões, cerca
de R$ 14 bilhões,
nas compras externas
do combustível
no ano passado.
No mesmo período,
a Fipe apurou
um valor agregado
pelo biodiesel
ao Produto Interno
Bruto brasileiro de R$ 12 bilhões.
Então, nunca será demais repetir,
por que não lançar mão de um
segmento que pode fazer muito
mais pela economia do país, sem
falar no meio ambiente? Por que
não aumentar a mistura de biodiesel
no diesel, como farão com
o etanol na gasolina? Os impactos
ambientais e socioeconômicos estão
mais que comprovados.
Se o Brasil dispõe de um pré-
-sal verde que opera com 55% de
capacidade ociosa, por que não
usá-lo? Por que não fomentar
a exportação, por exemplo? Há
muito tempo não nos faltam perguntas
sem respostas.
Relatório da Energy Information
Administration (EIA)
aponta que daqui a dois anos os
Estados Unidos tomarão a liderança
da Rússia na produção de
gás natural, e, em 2017, a da Arábia
Saudita na de petróleo.
Autonomia de alimentos e
energia são prerrogativas fundamentais
para um país se tornar
uma potência. Os EUA, que já o
são por outros motivos, e o Brasil
são dos poucos que quase poderiam
se vangloriar disso, não estivéssemos
tão dependentes das
importações de diesel e gasolina,
enquanto a exploração do pré-sal
não engrena de vez.
Enquanto os EUA redesenham
o eixo geopolítico da produção
energética no planeta, o Brasil
não parece saber como assumir seu
protagonismo nesse cenário.