


Fábio Rodrigues, de São Paulo
Depois de anos apresentando taxas percentuais de crescimento bastante aceleradas – sempre acima dos dois dígitos –, a indústria brasileira de biodiesel parece ter puxado o freio de mão. A produção das usinas em 2012 cresceu esquálidos 1,7% em relação ao ano anterior.
Esse é o pior nível de crescimento anual da indústria desde que a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) começou a registrar a produção anual em 2005. Segundo a contabilidade apresentada pela agência, as usinas produziram pouco mais de 2,71 bilhões de litros de biodiesel em 2012. Um ano antes, a conta fechou em 2,67 bilhões de litros.
Com isso, o biodiesel contrariou a lógica e deixou de acompanhar o crescimento das vendas de óleo diesel. Em 2012, foram vendidos 55,9 bilhões de litros do combustível no país, um crescimento de 6,9% em relação a 2011. Como não há indícios de que tenha faltado biodiesel no mercado, seria de se esperar que o consumo dos dois produtos crescesse em paralelo.
Decrescimento
Na verdade, o resultado até poderia ter sido desfavorável. Entre os meses de junho e setembro doano passado, o crescimento da produção chegou a ficar negativo em relação ao mesmo período do ano anterior. Foi apenas no último trimestre que a indústria voltou a acelerar, encerrando o ano relativamente bem – considerada de forma isolada, a produção de 243,9 milhões de litros em dezembro foi quase 12,5% maior que a do mesmo mês de 2011. No ano, a maior produção mensal foi em agosto, quando foram fabricados 254,4 milhões de litros.Enquanto a produção engasga, a capacidade instalada pela indústria continua apontando para cima. De acordo com dados do Ministério de Minas e Energia (MME), o país encerrou o ano de 2012 com uma capacidade produtiva anual de 6,8 bilhões de litros. É 14% a mais do que o número final de 2011. O nível de ocupação da indústria encerrou o ano em 33,8%.
Menos soja
Também ficamos um pouco menos dependentes da soja em 2012. O óleo de soja encerrou o ano com 75,1% de participação no mix de matérias-primas da indústria nacional de biodiesel. Esse é o menor patamar anual para o insumo desde 2008, quando a soja encerrou o ano com 74,7% de participação.O declínio da soja começou depois de maio, mês no qual o insumo registrou seu maior uso durante 2012, com 80,1%. Mas a tendência só começou a se acentuar mesmo a partir de setembro, quando as quedas na participação do óleo de soja se tornaram mensais. Em dezembro, o percentual foi de 70,5%, a menor participação mensal desde junho de 2008.
A queda permitiu que o sebo bovino e o óleo de algodão ganhassem participação. Essas duas matérias-primas encerraram o ano com, respectivamente, 17,2% e 4,5% do mercado.
Glicerina
Outra novidade relevante para o segmento do biodiesel foi que, pelo quarto ano consecutivo, o Brasil bateu seu recorde de exportação de glicerina. Em 2012, o país embarcou 168,7 mil toneladas do produto para o exterior, com um faturamento da ordem de US$ 46,1 milhões. O crescimento em relação a 2011 foi de 8,1% em termos de volume e de 10,2% em faturamento.Desde que a indústria brasileira de biodiesel passou a se estruturar nos moldes atuais – depois da adoção da mistura obrigatória em 2008 – as exportações de glicerina se multiplicaram quase 25 vezes. Em 2007, as exportações do produto eram de irrisórios US$ 1,6 milhão.
O preço médio pago pela tonelada da glicerina brasileira exportada também foi o melhor dos últimos quatro anos: US$ 273,73. Embora esteja bastante abaixo dos preços pagos em 2008, quando a cotação foi de US$ 350,60 por tonelada, essa é uma boa recuperação desde o escorregão registrado em 2009, quando a cotação bateu em US$ 119,34.