


Das 41 empresas habilitadas a participar do certame, com capacidade autorizada de 1 milhão de m³, 35 ofereceram um total de 716.500 m³, o que correspondeu a 72,21% da capacidade de comercialização.
Com uma oferta 40% acima da necessidade para atender o mercado em março e abril, ficou claro que o setor tem plenas condições de chegar ao B7. A safra recorde de 85 milhões de toneladas de soja, como já se previa no final do ano passado, assegura a possibilidade dessa evolução, mas nem por isso as empresas deixam de investir na diversificação de matérias-primas, um dos pilares do Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel (PNPB).
O deságio de 14,82% sobre o Preço Máximo de Referência foi, sim, uma surpresa. Com a disponibilidade de matéria-prima, algumas empresas chegaram ao leilão com preços mais agressivos, alcançando descontos de até 32,39%.
A postura prova que o setor faz a sua parte quando se trata de buscar uma modicidade linear de preços, com margens razoáveis, dentro de um padrão estável de remuneração dos investimentos e custos de produção dos últimos meses.
Assim, a indústria do biodiesel mostra ao governo e ao país plena consciência de seu papel na economia, sem permitir que o valor que agrega à cadeia produtiva de combustíveis e à matriz energética seja fator de preocupação para a área econômica do governo, justo quando a inflação registrou a maior alta mensal dos últimos dez anos.
A Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe/USP) já mostrou a todos o ínfimo impacto do produto no custo de vida dos brasileiros. Agora, além de diversificar a cesta de combustíveis que move o país e contribuir para limpar ainda mais a matriz de energia mais limpa do mundo, o biodiesel pode ser um ativo importante na balança comercial do Brasil.
Basta a Petrobras fazer com o diesel o que está fazendo com a gasolina, ao adicionar-lhe mais etanol para conter a alta de 6% no preço e reduzir suas importações. A Fipe também mostrou que de 2008 a 2011 o biodiesel brasileiro, compondo apenas 5% do óleo diesel utilizado no país, evitou o dispêndio de R$ 11,5 bilhões em importações de ainda mais óleo mineral.
Mas o Leilão 29 mostrou que, como está, o mercado do biocombustível ameaça a sobrevivência de empresas, empregos e renda da agricultura familiar. Este será o cenário enquanto o crescimento for vegetativo, atrelado ao do diesel, sem o aumento da mistura.
Seis usinas não venderam nada no leilão, ainda que sua oferta fosse reduzida. Outras seis venderam de 2% a 10% do que ofertaram. Duas não passaram de 30%, e 14 conseguiram vender tudo. Das 41 que participaram do leilão, 15 apenas concentraram 64% da oferta. Tal concentração preocupa, e muito.