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[Paulo Suarez] O biodiesel e a balança comercial brasileira

coluna pauloOs dados que a imprensa brasileira vem divulgando sobre a balança comercial do nosso país no primeiro mês do ano são alarmantes: foi estimado um déficit de US$ 4,035 bilhões, que representa o pior resultado mensal desde o início da série histórica em 1993. Este valor é mais de duas vezes superior ao resultado mais fraco anterior, de dezembro de 1996, quando o déficit foi de US$ 1,7 bilhão, e três vezes superior ao déficit de R$ 1,3 bilhão registrado em janeiro de 2012. Os analistas apontam que este fenômeno é resultado de um forte aumento das importações e uma queda significativa no valor das exportações.
Edição de Fev 2013 / Mar 2013 4 min de leitura
coluna pauloOs dados que a imprensa brasileira vem divulgando sobre a balança comercial do nosso país no primeiro mês do ano são alarmantes: foi estimado um déficit de US$ 4,035 bilhões, que representa o pior resultado mensal desde o início da série histórica em 1993. Este valor é mais de duas vezes superior ao resultado mais fraco anterior, de dezembro de 1996, quando o déficit foi de US$ 1,7 bilhão, e três vezes superior ao déficit de R$ 1,3 bilhão registrado em janeiro de 2012. Os analistas apontam que este fenômeno é resultado de um forte aumento das importações e uma queda significativa no valor das exportações.

coluna pauloOs dados que a imprensa brasileira vem divulgando sobre a balança comercial do nosso país no primeiro mês do ano são alarmantes: foi estimado um déficit de US$ 4,035 bilhões, que representa o pior resultado mensal desde o início da série histórica em 1993. Este valor é mais de duas vezes superior ao resultado mais fraco anterior, de dezembro de 1996, quando o déficit foi de US$ 1,7 bilhão, e três vezes superior ao déficit de R$ 1,3 bilhão registrado em janeiro de 2012. Os analistas apontam que este fenômeno é resultado de um forte aumento das importações e uma queda significativa no valor das exportações.

Um dos itens negativos na nossa balança comercial é o diesel tipo A (sem biodiesel). Por falta de capacidade de refino instalada no país, existe uma forte dependência externa de diesel tipo A, sendo a nossa produção complementada com a importação direta desse derivado de petróleo. De fato, de 2002 a 2011 as nossas importações anuais de diesel tipo A aumentaram de aproximadamente 6,4 bilhões de litros para aproximadamente 9,5 bilhões de litros, o que impacta de forma negativa a nossa balança comercial.

No entanto, um fato poucas vezes lembrado é que a nossa dependência externa em diesel tipo A poderia ser significativamente pior caso o governo não tivesse adotado o Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel (PNPB). Como já comentei na coluna anterior, a produção industrial do biocombustível vem aumentando ano a ano desde o início do PNPB, mesmo sem haver um aumento do seu teor no diesel tipo B, resultado direto do maior consumo de combustível devido ao aquecimento da nossa economia. Em 2011 foram produzidos no Brasil aproximadamente 2,7 bilhões de litros de biodiesel, os quais são misturados ao diesel tipo A e comercializados no país como diesel tipo B. Ou seja, caso não houvesse o PNPB, a falta de capacidade interna de refino faria com que o Brasil necessitasse de uma importação adicional de 2,7 bilhões de litros anuais de diesel tipo A (em valores de 2011). Teríamos de importar cerca de 30% a mais de diesel tipo A, o que impactaria negativamente a nossa balança comercial em mais de US$ 1 bilhão, considerando o valor do litro do diesel no mercado internacional pouco acima de US$ 0,50.

Portanto, num momento em que os analistas econômicos questionam a sustentabilidade da nossa economia por uma crescente piora no comércio exterior, o biodiesel se apresenta como uma importante fonte de economia externa. Aliada a outros benefícios, principalmente geração de emprego e desenvolvimento agroindustrial, a contribuição do biodiesel para equilibrar as nossas contas externas demonstra que o PNPB se consolida como um programa estratégico para o nosso país.
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