

O segundo principal componente do biodiesel brasileiro pode vai ficar mais caro
Fábio Rodrigues, de São Paulo
A Methanex vai paralisar a produção de metanol em suas unidades fabris instaladas na cidade chilena de Cabo Negro a partir de março. Segundo comunicado divulgado pela direção da companhia canadense no último dia 10 de janeiro, a paralisação será apenas temporária, enquanto a empresa procura alternativas para garantir um suprimento adequado de gás natural para sustentar sua atividade.
A empresa já vinha enfrentando sérias dificuldades com sua operação chilena há algum tempo e a planta de Cabo Negro vinha funcionando com capacidade reduzida. Hoje, ela responde por apenas 5% da produção total da companhia, que é a maior fornecedora de metanol do mundo – os outros 95% vêm das fábricas que a Methanex possui no Canadá, Egito, Nova Zelândia e Trinidad e Tobago.
Segundo dados da Administração de Informações Energéticas (EIA, na sigla em inglês) do governo dos Estados Unidos, a produção de gás natural do Chile diminuiu em 20%, caindo de 1,8 bilhão de metros cúbicos para 1,4 bilhão de m³ entre 2010 e 2011. No mesmo período, o consumo do produto no país cresceu 6,4% – de 5,3 bilhões de m³ para 5,6 bilhões de m³.
Boa parte dessa demanda adicional vinha sendo abastecida com gás natural proveniente da Argentina, mas nos últimos meses a oferta não tem sido estável, o que levou a direção da companhia a decidir manter a unidade fabril fechada a partir do segundo trimestre do ano. Segundo o presidente da companhia, John Floren, o plano é retomar a produção ainda este ano, em algum ponto do quarto trimestre. “Nossa expectativa é que será possível retomar as operações de nossa planta mais tarde, ainda este ano”, adiantou.
Brasil
O Brasil é um bom comprador de metanol chileno. No ano passado, o país importou 637,8 mil toneladas de álcool metílico, pelo qual pagou pouco menos de US$ 250 milhões, sendo que pouco mais da metade desse volume (328,4 milhares de toneladas) veio do Chile.O mercado brasileiro não corre risco imediato de desabastecimento. Em entrevista por e-mail, o vice- -presidente de marketing e logística da Methanex para a América Latina, Juan Enrique González, disse a BiodieselBR que todas as necessidades do mercado nacional poderão tranquilamente ser atendidas a partir da fábrica que o grupo possui em Trinidad e Tobago – pequena nação caribenha na costa da Venezuela.
No entanto, os preços para a indústria do biodiesel deverão subir. O Chile é associado ao Mercosul e seus produtos contam com vantagens tributárias para entrar no mercado brasileiro. O metanol de Trinidad não contaria com essa vantagem. “Atualmente parte de nosso abastecimento para o Brasil já vem de Trinidad, por isso nossos clientes no Brasil já conhecem o impacto da cadeia de custos”, explica González, sem adiantar quanto a fatura deverá subir. A expectativa é que o preço fique cerca de 12% maior.
A alternativa para escapar dessa tributação seria trazer mais metanol da Venezuela, que é o segundo maior fornecedor de metanol para o mercado brasileiro, com 176,3 milhares de toneladas no ano passado. Desde julho do ano passado, a Venezuela é membro pleno do Mercosul.
O metanol é o segundo insumo mais importante na formação do preço do biodiesel, atrás apenas dos óleos e gorduras.
Chile
Para tentar regularizar a situação de sua unidade chilena, na qual a empresa investiu um total de US$ 1,3 bilhão em quase 15 anos de operações, a Methanex vem realizando investimentos na exploração de novas reservas de gás natural no país sul-americano.A fabricante parece estar preparando um plano B. Recentemente, ela anunciou que parte dos equipamentos da fábrica no Chile será desmontada e enviada para os Estados Unidos, onde a empresa está instalando uma nova unidade produtiva, na cidade de Geismar (Louisiana).