

No Brasil, fóruns como o Sustainable Aviation Biofuels for Brazil (SABB), que conta com apoio de Boeing, Embraer e Fapesp, vêm discutindo as alternativas tecnológicas existentes e os possíveis caminhos que o setor irá tomar. Em julho, participei como convidado de um desses encontros, onde justamente se estava discutindo os processos tecnológicos disponíveis no mercado para se produzir um biocombustível destinado para a aviação civil. Internacionalmente, existe a convicção de que o biocombustível a ser usado necessariamente deva possuir as mesmas características químicas que o combustível fóssil. É o conceito chamado drop-in, ou seja, um combustível igual, com as mesmas propriedades e idêntica performance que o usado hoje. A justificativa é simples: não se pode arriscar o uso de um combustível que venha a ter um comportamento diferente, que possa cristalizar nas baixas temperaturas existentes na altitude onde os aviões voam, por exemplo. Assim sendo, o consenso é que somente será homologado um combustível que seja composto essencialmente por hidrocarbonetos médios, ramificados e com baixo ponto de solidificação, semelhantes aos encontrados no querosene.
Quais as alternativas hoje existentes? A principal alternativa é o hidroprocessamento de óleos e gorduras seguido de isomerização. Ou seja, é um processo semelhante ao H-Bio, onde os óleos e gorduras são tratados a altas temperaturas na presença de um catalisador de craqueamento e hidrogênio. Nessas condições, os óleos e gorduras são convertidos em hidrocarbonetos como os encontrados no petróleo. Algumas indústrias, como a finlandesa Neste Oil ou a holandesa Shell, já possuem plantas onde se produz bioquerosene. Diversos voos experimentais, até mesmo no Brasil, já tem sido realizados pelas grandes companhias aéreas usando esse combustível, sendo relatado exatamente o mesmo desempenho que o do querosene produzido a partir do petróleo.
Esse nicho de mercado parece ser bastante promissor, principalmente quando vemos o crescimento que o setor tem apresentado nos últimos anos. Na corrida pelo mercado, as empresas europeias e até mesmo a estatal chinesa de petróleo parecem estar saindo na frente. Pelo menos não havia na reunião que participei nenhuma empresa nacional ofertando tecnologia ou anunciando investimentos. Já os nossos empresários do setor de biocombustíveis ou da oleoquímica, penso eu, correm o risco de ficar completamente à margem deste processo.