019

Logística do biodiesel: Custos e planejamento


Edição de Out / Nov de 2010 - 15 out 2010 - 14:42 - Última atualização em: 19 jan 2012 - 11:41
Custos
Em alguns casos, o transporte chega a representar um aumento de 10% no preço final do biodiesel, já que quanto maior a distância, maior o preço do frete. No entanto, o coordenador técnico da NTC Logística, Neuto Gonçalves dos Reis, esclarece que o custo do frete não é diretamente proporcional à distância (veja tabela). “Distâncias maiores permitem ao veículo desenvolver maior quilometragem mensal, pois ficará menos tempo parado para carga e descarga, o que dilui os chamados custos fixos, aqueles que não dependem da quilometragem rodada, como depreciação, remuneração do capital, salários de motoristas, seguros, IPVA, licenciamento etc”, diz o coordenador.

As dificuldades na construção de um modelo ideal de armazenamento e transporte do biodiesel não param por aí. Além de percorrer longas distâncias, o biodiesel requer planejamento logístico especial e os procedimentos têm de ser fiscalizados pelos órgãos reguladores. “O B100 é armazenado em uma base, onde é realizada a mistura conforme as especificações da ANP, para somente então ser comercializado. Antes de ser efetuada a descarga, ainda é coletada uma amostra do biodiesel. São feitas as análises preliminares para, somente então, ser autorizada a descarga e depois encaminhada para laboratório idôneo para realização das demais análises complementares”, explica Walber Silva, responsável pela logística da GP Combustíveis.

A empresa, que é distribuidora e revendedora de combustíveis e que também atua no ramo de transportes, diz que devido aos gargalos encontrados na logística do biodiesel, prefere muitas vezes dar espaço a outros tipos de combustível. Escolhe principalmente álcool hidratado e álcool anidro, e ainda assim prefere carregar gasolina A e diesel em vez de biodiesel. Isso porque o valor do frete no caso do biodiesel é bem menos interessante. “A modalidade mais comum é cobrar o metro cúbico transportado a 20ºC. Assim, como o biodiesel em termos leigos é mais pesado, ou seja, mais denso em relação aos demais combustíveis, a transportadora perde em volume. Os bitrens podem transportar no máximo 57 toneladas, limite regulamentar levando em consideração o peso do conjunto somando-se cavalo, carretas e o produto. Como os outros produtos são menos densos, podemos transportar mais volume utilizando como base a seta do compartimento, e não somente o peso total do equipamento. Em suma, quanto mais pesado for um produto, menos volume poderá ser transportado”, explica Silva.

Idéias para melhorar o sistema de distribuição e transporte não faltam. “Acredito que, no curto prazo, [é preciso] melhorar o acesso rodoviário a algumas usinas, principalmente no que diz respeito à qualidade do asfalto e da infra-estrutura local. No longo prazo, o governo poderia viabilizar a instalação de novas usinas de B100 próximo a grandes centros de distribuição de combustíveis, melhorando o escoamento; isentar os impostos da matéria-prima até as usinas; e melhorar a agilidade da distribuição do biodiesel no país”, sugere o representante da GP Combustíveis.

A entrada de leilões CIF no lugar do atual modelo FOB seria um passo nesse sentido, estimulando as usinas a oferecer o menor preço do biodiesel na base distribuidora, e não na porta da usina.

Para Marcondes, do Sindicom, a melhora vai acontecer quando o biodiesel depender menos do transporte rodoviário. “Para isso, é preciso investir em infra-estrutura de dutos para combustíveis fósseis, liberando assim os caminhões para transportar biocombustível”, diz.

Caberá ao próximo governo colocar em prática ações para melhorar a infra-estrutura de transporte, uma necessidade que não se restringe a este setor, mas que diz respeito ao crescimento do país. “A economia só cresce com boa infra-estrutura”, conclui Marcondes.
Tags: Logística