QUALIDADE - Detalhamento das análises
Uma equipe de pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) trabalha no desenvolvimento e na validação de um novo método de análise química do biodiesel e de suas misturas no diesel. A técnica utilizada é a espectrometria de massas, ou Easi-MS (na sigla em inglês), que consegue desvendar a fórmula molecular de uma amostra. Com isso é possível obter informações mais precisas e detalhadas, como a quantidade de biodiesel misturada ao diesel, resíduos de intermediários da transesterificação, óleo vegetal ou teores de glicerina. O custo e o tamanho do equipamento são obstáculos, mas os cientistas buscam agora desenvolver um aparelho portátil e de baixo custo para viabilizar análises nos postos de combustíveis.
MOTORES - Pesquisa com óleo vegetal
Máquinas agrícolas poderão no futuro ter garantia para o uso de óleo vegetal in natura como combustível. Esse é o objetivo do projeto de pesquisa desenvolvido pelo Inmetro em parceira com a Fiat. Atualmente estão sendo analisados o consumo do combustível, o desempenho do motor e as emissões a partir do uso de diferentes tipos de óleo bruto. Os técnicos vão avaliar se há ou não a necessidade de modificar componentes do motor, bicos e injetores. Por enquanto, foram adicionados filtros de combustível de diferentes espessuras e um sistema de aquecimento gradativo para o óleo vegetal, que possui viscosidade maior. O objetivo do projeto é beneficiar comunidades rurais afastadas, com difícil acesso à compra de combustível. Livre de impostos, o óleo vegetal produzido dentro da propriedade rural sairia por cerca de R$ 0,70 por litro.
GLICERINA - Solução para derramamentos de petróleo
Enquanto métodos questionáveis estão sendo usados para minimizar os impactos ambientais do acidente da British Petroleum, pesquisadores do Instituto de Macromoléculas da Universidade Federeal do Rio de Janeiro (UFRJ) encontraram uma maneira simples e eficiente de retirar petróleo derramado da superfície do mar. O método consiste em jogar glicerina em pó sobre o petróleo. A substância absorve o petróleo e se transforma em uma espécie de massa plástica flutuante. Cada tonelada de glicerina pode retirar 23 toneladas de petróleo. A vantagem é que é possível reaproveitar tanto o petróleo retirado como a própria glicerina. O método, testado com sucesso em laboratório, daria um destino nobre à crescente produção de glicerina gerada pela indústria de biodiesel no país.
PESQUISA - Catalisador ácido reutilizável
Pesquisa realizada no Instituto de Química de São Carlos, da Universidade de São Paulo (USP), testou com sucesso o uso de um novo catalisador ácido heterogêneo para a produção de biodiesel. O catalisador utilizado é o ácido fosfotúngstico, sob um suporte de silicatos organicamente modificados. Além de ser reutilizável, o produto tem a vantagem de poder ser usado em um número maior de matérias-primas que o catalisador básico, sem a necessidade de pré-tratamento. No experimento, os pesquisadores conseguiram apenas 60% de rendimento, mas eles acreditam que há potencial para chegar a 99% com novos estudos. Atualmente, a produção de biodiesel no Brasil utiliza catalisadores básicos homogêneos com rendimento de até 100%, mas que não podem ser reaproveitados.