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Capacitação: contrata-se profissionais para o biodiesel


Edição de Ago / Set de 2010 - 15 ago 2010 - 14:30 - Última atualização em: 19 jan 2012 - 12:10
Novos cursos na área de bioenergia e biodiesel surgem no país, mas oferta de profissionais qualificados está abaixo da demanda do mercado

Alice Duarte, de Curitiba

O Brasil possui uma das mais pujantes produções de combustíveis renováveis do mundo, graças ao sucesso do Proálcool e do Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel (PNPB). A competitividade dos biocombustíveis é hoje baseada no desenvolvimento tecnológico, na eficiência produtiva, no controle de qualidade e nas práticas ambientalmente corretas. Diante de tamanho desafio, é cada vez maior a necessidade de profissionais altamente capacitados atuando nesse setor. Especializações e cursos profissionalizantes voltados à produção de bioenergia, no entanto, ainda são poucos se comparado à atual demanda do país.

De acordo com o Ministério da Educação (MEC), há somente sete cursos autorizados na área de biocombustíveis e de bioenergia – cinco são cursos técnicos e profissionalizantes (nível médio) e apenas dois são cursos de graduação tecnológica (nível superior). A maioria dos cursos ofertados está nos Estados de São Paulo, Paraná e Bahia.

Alguns anos atrás não havia o profissional da área de biocombustíveis. O mercado de trabalho era totalmente ocupado por profissionais especializados em outras áreas, como químicos, engenheiros químicos, engenheiros mecânicos, engenheiros agrônomos e biólogos. Hoje as instituições de ensino já perceberam a necessidade de promover uma formação específica na área, embora esta seja uma área multidisciplinar.

Com a mudança da matriz energética mundial, que se acelera neste século, as perspectivas para esses profissionais são cada vez mais promissoras. “Os biocombustíveis estão na pauta do planeta atualmente, devido ao seu impacto ambiental mínimo quando comparado às outras fontes de energia não-renováveis. Além disso, no Brasil, a produção dos biocombustíveis é crescente e faz parte das estratégias do governo para médio e longo prazo”, avalia a professora Leda Maria Saragiotto Colpini, coordenadora do curso tecnológico em Biocombustíveis da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

Iniciado em março de 2009, no campus de Palotina (PR), o curso tecnológico foi desenhado para criar soluções para os problemas relativos à produção dos biocombustíveis. Segundo Leda, o estudante é preparado para compreender a dinâmica das cadeias produtivas dos diferentes biocombustíveis, a legislação relacionada a essa área e os impactos gerados sobre a economia e a sociedade. O aluno também tem a oportunidade de conhecer as diversas matérias-primas potenciais, de desenvolver novas tecnologias de produção, além de aprender a prevenir acidentes de trabalho e minimizar o impacto ambiental relacionado às cadeias produtivas.

Apesar do curso ter pouco mais de um ano, ele já está sendo bem disputado. “A procura está sendo boa, considerando que o curso se encontra em fase de estruturação. No primeiro vestibular, a concorrência foi de sete candidatos por vaga”, conta a coordenadora.
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