A escolha do modo de processamento do biodiesel depende da escala de produção da usina, mas independente do método os ajustes no processo de produção são essenciais
Murilo Alves Pereira, de Curitiba
Existem hoje 64 usinas de biodiesel autorizadas pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) a operar no Brasil. São pequenas e grandes empresas processando as mais diversas matérias-primas e formando um mercado bastante heterogêneo. Em pesquisa conduzida pela BiodieselBR, 57 usinas informaram qual processo utilizam: 55% (31 unidades) operam pelo processo contínuo e 45% processam o biodiesel por batelada. Os nomes dos processos são auto-explicativos. Em linhas gerais, diferenciam-se pela maneira como ocorre o processamento: se continuamente ou em bateladas (lotes). Mas qual sistema escolher?
Segundo o químico Bill Costa, gerente da divisão de biocombustíveis do Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar), a diferença fundamental entre os dois processos é a escala de produção. Para produzir de modo contínuo, são necessários um grande investimento em automação e a garantia de uma quantidade considerável de matéria- prima para não interromper o processamento. Já o processo por batelada é bem mais flexível, podendo- se fazer uma nova mistura a cada batelada, mas a produção é mais reduzida.
Com uma pequena planta piloto, o Tecpar produz 800 litros de biodiesel por dia, um valor irrisório em termos de mercado. “Nosso objetivo é pesquisa e desenvolvimento. Não produzimos comercialmente”, afirma Costa. Uma das frentes do Tecpar é avaliar o desempenho das diferentes matérias- primas e as suas variáveis, otimizando assim a produção. O instituto busca matérias-primas alternativas à soja, devido ao aumento do custo de cultivo, e foca naquelas não voltadas à alimentação humana, como nabo forrageiro, pinhão-manso, crambe e tungue, entre outras. O biodiesel produzido pelo Tecpar é consumido localmente, no maquinário agrícola de pequenos produtores rurais.
O caso do Tecpar talvez seja útil neste exercício de diferenciação dos processos contínuo e por batelada porque destaca uma das principais características deste último: a produção em pequena escala. Embora existam grandes usinas produzindo por batelada, como as unidades da Brasil Ecodiesel, por exemplo, a regra é outra. A produção por batelada acaba abrangendo pequenas plantas ou a produção voltada para pesquisa.
Costa explica que no processo por batelada todas as reações se resumem ao mesmo reator. São colocados o óleo extraído da matériaprima, o álcool e o catalisador e, das reações químicas que ocorrem, forma-se o éster (biodiesel) e a glicerina. Produtos e co-produtos são então extraídos e purificados, e o processo é interrompido até que seja feita uma nova batelada. Cada batelada pode durar de 8 a 10 horas, sendo possível, portanto, realizar de duas a três operações por dia.
De acordo com o químico Evandro Luiz Dall’Oglio, professor da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT), para escolher entre esse sistema ou o processo contínuo é preciso fazer uma relação de custo-benefício. “Uma produção abaixo de 60 mil litros/ dia não justifica o investimento inicial no método contínuo”, considera. É o caso da usina Bio Óleo, de Cuiabá (MT), que tem autorização da ANP para produzir 10 mil litros por dia.
Segundo Rodrigo Prosdócimo Guerra, sócio-proprietário da Bio Óleo, a usina começou a operar inicialmente com um reator, com produção de 5 mil litros por batelada. Com um investimento adicional de R$ 1,5 milhão, a usina agora está pronta para trabalhar com até seis reatores, tornando possível uma futura mudança para o método contínuo. “Precisaríamos investir mais R$ 2,5 milhões para transformar de batelada a contínuo e aumentar a produção”, sugeriu.
Um terceiro caso que justifica o método por batelada, além da pesquisa científica e a produção em pequena escala, é a diversificação dos cultivos agrícolas, uma vez que a produção por este método permite usar um óleo vegetal diferente a cada batelada. A princípio, a Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra) nada tem a ver com a produção de biodiesel. Mas uma parceria com a Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc), voltada aos municípios do Vale do Rio Pardo (região central do Rio Grande do Sul), permitiu à associação incluir a produção de energia na pauta de cultivo dos agricultores.
A intenção foi buscar alternativas viáveis à produção do fumo, cultura cada vez mais combatida pelas campanhas contra o tabaco. “Não queremos parar com a produção de tabaco; isso é inviável. Mas buscamos cultivos alternativos para os agricultores”, disse o engenheiro agrônomo Marcos Dorneles, gerente do setor agropecuário da Afubra. Há dois anos os produtores da associação cultivam o girassol para produzir o biodiesel e aproveitar seus co-produtos. São meros 50 litros diários, processados em uma unidade piloto na Unisc. “A produção atende de um a dois produtores por dia, é uma escala familiar”, explicou a química Rosana Schneider, coordenadora do projeto Biodiesel do Girassol, da Unisc. “Utilizamos a matériaprima e devolvemos o biodiesel”.
Existem hoje 64 usinas de biodiesel autorizadas pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) a operar no Brasil. São pequenas e grandes empresas processando as mais diversas matérias-primas e formando um mercado bastante heterogêneo. Em pesquisa conduzida pela BiodieselBR, 57 usinas informaram qual processo utilizam: 55% (31 unidades) operam pelo processo contínuo e 45% processam o biodiesel por batelada. Os nomes dos processos são auto-explicativos. Em linhas gerais, diferenciam-se pela maneira como ocorre o processamento: se continuamente ou em bateladas (lotes). Mas qual sistema escolher?
Segundo o químico Bill Costa, gerente da divisão de biocombustíveis do Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar), a diferença fundamental entre os dois processos é a escala de produção. Para produzir de modo contínuo, são necessários um grande investimento em automação e a garantia de uma quantidade considerável de matéria- prima para não interromper o processamento. Já o processo por batelada é bem mais flexível, podendo- se fazer uma nova mistura a cada batelada, mas a produção é mais reduzida.
Com uma pequena planta piloto, o Tecpar produz 800 litros de biodiesel por dia, um valor irrisório em termos de mercado. “Nosso objetivo é pesquisa e desenvolvimento. Não produzimos comercialmente”, afirma Costa. Uma das frentes do Tecpar é avaliar o desempenho das diferentes matérias- primas e as suas variáveis, otimizando assim a produção. O instituto busca matérias-primas alternativas à soja, devido ao aumento do custo de cultivo, e foca naquelas não voltadas à alimentação humana, como nabo forrageiro, pinhão-manso, crambe e tungue, entre outras. O biodiesel produzido pelo Tecpar é consumido localmente, no maquinário agrícola de pequenos produtores rurais.
O caso do Tecpar talvez seja útil neste exercício de diferenciação dos processos contínuo e por batelada porque destaca uma das principais características deste último: a produção em pequena escala. Embora existam grandes usinas produzindo por batelada, como as unidades da Brasil Ecodiesel, por exemplo, a regra é outra. A produção por batelada acaba abrangendo pequenas plantas ou a produção voltada para pesquisa.
Costa explica que no processo por batelada todas as reações se resumem ao mesmo reator. São colocados o óleo extraído da matériaprima, o álcool e o catalisador e, das reações químicas que ocorrem, forma-se o éster (biodiesel) e a glicerina. Produtos e co-produtos são então extraídos e purificados, e o processo é interrompido até que seja feita uma nova batelada. Cada batelada pode durar de 8 a 10 horas, sendo possível, portanto, realizar de duas a três operações por dia.
De acordo com o químico Evandro Luiz Dall’Oglio, professor da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT), para escolher entre esse sistema ou o processo contínuo é preciso fazer uma relação de custo-benefício. “Uma produção abaixo de 60 mil litros/ dia não justifica o investimento inicial no método contínuo”, considera. É o caso da usina Bio Óleo, de Cuiabá (MT), que tem autorização da ANP para produzir 10 mil litros por dia.
Segundo Rodrigo Prosdócimo Guerra, sócio-proprietário da Bio Óleo, a usina começou a operar inicialmente com um reator, com produção de 5 mil litros por batelada. Com um investimento adicional de R$ 1,5 milhão, a usina agora está pronta para trabalhar com até seis reatores, tornando possível uma futura mudança para o método contínuo. “Precisaríamos investir mais R$ 2,5 milhões para transformar de batelada a contínuo e aumentar a produção”, sugeriu.
Um terceiro caso que justifica o método por batelada, além da pesquisa científica e a produção em pequena escala, é a diversificação dos cultivos agrícolas, uma vez que a produção por este método permite usar um óleo vegetal diferente a cada batelada. A princípio, a Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra) nada tem a ver com a produção de biodiesel. Mas uma parceria com a Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc), voltada aos municípios do Vale do Rio Pardo (região central do Rio Grande do Sul), permitiu à associação incluir a produção de energia na pauta de cultivo dos agricultores.
A intenção foi buscar alternativas viáveis à produção do fumo, cultura cada vez mais combatida pelas campanhas contra o tabaco. “Não queremos parar com a produção de tabaco; isso é inviável. Mas buscamos cultivos alternativos para os agricultores”, disse o engenheiro agrônomo Marcos Dorneles, gerente do setor agropecuário da Afubra. Há dois anos os produtores da associação cultivam o girassol para produzir o biodiesel e aproveitar seus co-produtos. São meros 50 litros diários, processados em uma unidade piloto na Unisc. “A produção atende de um a dois produtores por dia, é uma escala familiar”, explicou a química Rosana Schneider, coordenadora do projeto Biodiesel do Girassol, da Unisc. “Utilizamos a matériaprima e devolvemos o biodiesel”.