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Cinética: A fila do selo social; sondagem da Petrobras; Cargill no biodiesel


BiodieselBR.com - 08 jan 2010 - 05:51 - Última atualização em: 19 dez 2011 - 17:23

Por Miguel Angelo Vedana

A fila do Selo Social

Que o selo Combustível Social tem vários problemas, todos sabemos. Um deles é a falta de certeza que se tem sobre o efetivo cumprimento dos percentuais mínimos de cada região. Isso porque até hoje nenhuma usina que participa de leilões perdeu o selo, apesar de muitas não estarem atingindo as metas. Mas essa falta de conseqüência para as unidades produtoras está prestes a acabar.

A Brasil Ecodiesel tem quatro usinas em fase final de um processo administrativo para a perda do selo. O MDA fez o possível para que essas usinas perdessem o selo antes do 16º leilão de biodiesel da ANP, mas a Ecodiesel entrou com um recurso que adiou a decisão. Se levarmos em conta o ânimo do MDA, a empresa pode considerar perdido o selo. Se considerarmos o histórico de luta da Ecodiesel, a decisão vai demorar para sair.

Quem fica feliz com esse imbróglio são as outras usinas que estão na fila para perder o selo. Segundo as regras, é preciso que os processos sejam concluídos na ordem em que foram iniciados. Por mais que esteja certa, a perda do selo de uma usina que teve o processo administrativo iniciado mais tarde, só será publicada depois que sair a decisão do processo da Brasil Ecodiesel. Segundo alguns rumores, a usina da Granol em Cachoeira do Sul (RS) seria uma das que estariam na fila.

Petrobras às compras
Alguns ficaram surpresos e outros nem tanto, mas a parceria entre a BSBios e a Petrobras Biocombustível mexeu com todo o setor. Os primeiros comentários sobre as duas empresas começaram a circular no início de 2008, mas amornaram desde então. O que pouco se falou é que a Petrobras negociou (ou ainda negocia) com outra empresa. E não, não é a Brasil Ecodiesel.

A Petrobras estava interessada em uma parceria com a Bionasa, que está finalizando a construção de uma usina de 264 milhões de litros por ano em Porangatu (GO). As negociações estiveram bem ativas na metade de 2009, mas por algum motivo as conversas esfriaram. O presidente da PBio garantiu que não há nenhuma nova parceria no setor de biodiesel para ser anunciada este ano, o que pode significar que a negociação desandou ou que ainda vai demorar para ser concluída.

A Bionasa está atrasada no seu cronograma de funcionamento em cerca de um ano, já que esperava operar no primeiro semestre de 2009.

BSbios e a Agrenco

A parceria entre a Petrobras Biocombustível (PBio) e a BSbios envolve a usina comprada da Agrenco em abril de 2009. Na época se especulou muito sobre qual foi o valor pago pela BSBios. O valor de avaliação da usina estava em cerca de 23 milhões de reais, mas era evidente que ela valia mais. Escrevi um artigo dizendo que o valor da compra estava entre 45 e 50 milhões de reais. Errei, a compra foi feita por 37 milhões de reais e agora a PBio comprou a metade desta usina da BSbios por R$55 milhões

Cargill entra no setor de biodiesel
Os envolvidos com o setor de biodiesel estão sempre atentos aos sinais das grandes esmagadoras de soja. O motivo é obvio: elas são fortes concorrentes em qualquer mercado que tenha a soja como principal matéria-prima. Por isso, tem gente muito feliz com o fato de a Cargill e a Bunge não participarem diretamente da produção deste biocombustível.

Entretanto, a felicidade já não é mais plena. A Cargill fez sua estréia no 16º leilão através da Innovatti, que, apesar do nome, pertence à empresa Cargill. É claro que pelo tamanho da Cargill esperava-se uma usina bem maior e um início muito mais glamoroso do que o feito com uma usina com capacidade para produzir 12 milhões de litros por ano. Mas isso não anima a concorrência. O pregão e as entregas servirão para a empresa aprimorar o know-how no negócio. Se achar interessante, uma grande usina virá na seqüência.

E o nome Innovatti deve mudar em breve. A intenção da empresa é que no 17º leilão, ou no máximo no 18º, já esteja atuando com o nome Cargill.

Vamos esperar a Bunge agora.