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Petrobras: O movimento da gigante


BiodieselBR.com - 22 dez 2007 - 15:45 - Última atualização em: 19 dez 2011 - 17:23
Petrobras põe fim às especulações e compra metade de uma unidade de produção de biodiesel no Sul do país

Alice Duarte, de Curitiba

Acabaram, pelo menos em parte, o mistério e as especulações em torno da compra de usinas de biodiesel por parte da Petrobras Biocombustível (PBio). No dia 19 de novembro, a subsidiária anunciou a aquisição de 50% da unidade da BSBios em Marialva (PR), recém-adquirida da multinacional Agrenco (que passa por um processo de recuperação judicial). O investimento total das duas companhias nesse projeto é de R$ 100 milhões e vai praticamente dobrar o PIB do município. A aquisição estava prevista no plano estratégico da PBio 2009-2013, que também inclui a compra de mais uma usina (preferencialmente uma participação acionária).

Em fase final de construção, a planta industrial de Marialva terá capacidade para produzir 120 milhões de litros de biodiesel por ano e deverá entrar em operação comercial no segundo trimestre de 2010 (a previsão inicial era janeiro). O próximo passo será instalar uma unidade de esmagamento de grãos para verticalizar a produção.

O negócio marca a entrada da estatal no Sul do país, abrindo caminho para uma operação mais eficiente – próxima tanto da produção de matéria-prima como dos maiores centros de consumo do combustível. Ironicamente, apesar de ser o segundo maior produtor de grãos do país, o Paraná não tinha até então nenhuma usina de grande porte.

A principal matéria-prima usada será o óleo de soja e, de forma complementar, a canola. Recém-zoneada no Estado, a canola pode ser cultivada no inverno sem competir com a soja no verão. O plantio da oleaginosa no Brasil ainda é recente e os produtores estão em fase de conhecimento e adaptação às técnicas que a cultura exige para seu bom desenvolvimento e produção. De acordo com levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a área cultivada com canola na safra 2009 no Paraná é de 6 mil hectares, com expectativa de produção de 7,8 mil toneladas de grãos.

O Estado é o segundo maior produtor de soja do país, e mais da metade da produção vem da agricultura familiar, o que dá condições facilitadas para o cumprimento das regras do selo Combustível Social. No Sul do país, usinas que compram pelo menos 30% de oleaginosas de pequenos produtores têm direito à redução de PIS e Cofins.

A Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná (Seab) está organizando os agricultores familiares para que eles sejam beneficiados. Além da produção de soja e canola, os agricultores serão incentivados a plantar girassol e mamona.