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Cinética: notas sobre biodiesel - edição 13


BiodieselBR.com - 19 nov 2009 - 07:32 - Última atualização em: 19 dez 2011 - 17:33

Por Miguel Angelo Vedana - Publicado em 15 de outubro de 2009

Surpresa nas retiradas de biodiesel
As últimas semanas de entregas de biodiesel de um leilão são difíceis para as usinas. Isso porque normalmente o preço do biodiesel no leilão seguinte é menor que o do pregão anterior. Dessa forma, uma distribuidora que deixa de retirar biodiesel quando um contrato está finalizando e espera o contrato seguinte acaba pagando um preço mais baixo pelo produto, garantindo um lucro maior.

No final de setembro, as fábricas estavam preparadas para essa disputa com as distribuidoras, mas aconteceu o contrário. As distribuidoras se esforçaram para retirar tudo o que podiam. Teve usina que só não entregou mais porque não tinha biodiesel disponível. Várias acabaram entregando mais de 100% do volume vendido no 14º leilão. Isso foi tão inesperado que cada uma das usinas achou que somente ela tinha sido privilegiada. O que elas não entenderam foi a razão dessa sede por biodiesel na última quinzena de setembro. Um aumento inesperado na demanda de diesel é a tese mais provável.


10% a mais ou a menos
Ainda sobre as entregas de biodiesel. É senso comum que o volume vendido nos leilões pode variar em 10%, para mais ou para menos. Segundo o contrato que as usinas assinam com a Petrobras, a retirada a mais ou a menos deve acontecer de comum acordo entre as partes envolvidas. Mas na prática isso não tem funcionado. Como são as distribuidoras que sabem qual é o consumo real de biodiesel, acaba ficando com elas a opção de retirar menos ou mais biocombustível.

O fato das distribuidoras poderem retirar conforme a demanda faz todo o sentido, mas o contrato das usinas com a Petrobras não dá essa liberdade. Além de estipular o comum acordo, o contrato ainda exige que qualquer alteração no volume de retirada, para mais ou para menos, seja feita através de termo aditivo. Mas os contratos não estão sendo levados ao pé da letra.


Metanol ameaçado
Um projeto de lei de autoria do senador João Tenório pode trazer alguma dor de cabeça para a maioria das usinas de biodiesel do Brasil. O projeto, que está tramitando na Comissão de Infra-Estrutura, quer proibir o uso de metanol em todas as etapas de produção do biodiesel. Os motivos da proibição apresentados no projeto são a elevada toxidade, a pequena produção nacional e a dependência do petróleo. A saída para os produtores seria usar o ecologicamente correto (e mais caro) etanol.

Em um país como o Brasil, o etanol deveria ser mesmo o principal álcool da produção de biodiesel. Mas querer que isso ocorra por força de lei não ajuda muito no desenvolvimento do setor. Que tal reduzir a tributação do etanol para fazê-lo competitivo com o metanol?


B5 em 2010
Ninguém tem mais dúvidas de que o B5 será antecipado para 2010. O que ninguém sabe afirmar é a partir de qual mês ele será obrigatório. As usinas obviamente querem que ele seja implantado já em janeiro, o que garantiria que o leilão de novembro comprará mais de 550 milhões de litros de biodiesel. O governo prefere começar um pouco mais tarde, pois tem certo receio de faltar matéria-prima em janeiro, último mês da entressafra da soja. Em contraponto ao governo, as usinas dizem já ter a matéria-prima de janeiro garantida e que a entressafra acaba na primeira quinzena de 2010.

O resultado desse jogo de interesses deve sair até a primeira semana de novembro, quando será anunciado o 16º leilão de biodiesel da ANP. As usinas têm até lá para mostrar ao governo que não faltará B5 no começo do ano. Vão ter que trabalhar duro para isso.

Tags: Cinética