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Torta e farelo: pesquisas e valor comercial


BiodieselBR.com - 01 set 2007 - 14:08 - Última atualização em: 20 jan 2012 - 11:45
Petróleo
A venda das tortas como adubo tem um valor comercial importante para as indústrias de biodiesel. E tem peso também para quem está na outra ponta do negócio, de acordo com a Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda). “As tortas têm tido uma participação intensa no mercado”, afirma Eduardo Daher, diretorexecutivo da associação, que há 40 anos trabalha com empresas de todo o país.

Segundo Daher, o que impulsionou a venda dos adubos baseados em resíduo de moagem foi a alta do petróleo, no ano passado. Os fertilizantes minerais, que usam derivados do petróleo em sua composição, ficaram imediatamente mais caros assim que o preço do barril disparou no mercado internacional. Agora, o petróleo recua de novo nos mercados, mas Daher sente que os adubos orgânicos ganharam terreno importante – até porque todos ficam com o receio de que os fertilizantes minerais tenham uma instabilidade crescente, tendo em vista a situação da economia mundial. A associação não recomenda, porém, o uso isolado da torta como adubo. “É uma equação que não fecha. Os nutrientes que o adubo de origem vegetal tem condição de fornecer ao solo não conseguem repor o que a lavoura tirou. Então o ideal é sempre misturá-lo com o mineral, para melhorar a eficiência dos dois”, explica Daher. Mas o importante, na opinião dele, é que o uso da torta como adubo resolve dois problemas de uma vez só. Por um lado traz mais economia para os produtores e por outro reduz o passivo ambiental das fazendas e das usinas. “Certamente, pior seria ter de simplesmente descartar todo esse material”, afirma.

Pesquisas
Para o engenheiro agrônomo José Luís Vaz da Silva, da Argus Engenharia, no entanto, o adubo está longe de ser o destino das tortas nos próximos tempos – mesmo no caso das tortas que têm grau de toxinas. A Argus está trazendo para o Brasil uma tecnologia importada da China que promete aumentar o valor dos resíduos da moagem. “Nosso equipamento, que é instalado junto à esmagadora, faz com que a torta passe por um processo físico-químico que desintoxica a torta de pinhão-manso e permite o seu uso como base para ração animal”, afirma o engenheiro. De acordo com ele, sem o conteúdo tóxico a torta pode até alcançar o rendimento obtido com a venda do óleo para biodiesel. “Tratada, a torta tem 45% de proteína”, garante.

Outra pesquisa sendo realizada no momento tem relação com o uso do girassol. Técnicos do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) fazem testes com a torta do girassol na alimentação de vacas leiteiras. “Realizamos uma pesquisa com adições de 12%, 24% e 36% de torta de girassol na dieta de vacas em lactação”, informa José Lançanova, pesquisador do Iapar no município de Ibiporã, no norte do Paraná.

Segundo ele, os resultados, comparados aos das vacas que não se alimentaram de torta de girassol, foram animadores. A inclusão de 36% de torta – volume máximo testado na pesquisa – substituiu 78% do farelo de soja e também parte do milho que normalmente é dado para o gado leiteiro. “A torta de girassol possibilitou uma redução de 8,8 quilos de farelo de soja e de 18,2 quilos de milho para cada 100 quilos de concentrado, numa redução total de 28 quilos”, afirma o pesquisador. E o leite das vacas, de acordo com os exames feitos, continuou tendo a mesma qualidade de sempre, sem perda de produção.

A torta de girassol pode significar uma boa medida de economia para os produtores. “Pode ser uma opção de uso na propriedade daquele produtor que tem o grão de girassol. Ao invés de vender o grão, ele pode se organizar e vender o óleo, ficando com a torta”, completa.