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Gerhard Knothe: Algas e etanol


BiodieselBR.com - 24 abr 2007 - 13:07 - Última atualização em: 23 jan 2012 - 09:25

Revista BiodieselBR Como o senhor analisa a utilização de algas para produção de biodiesel?

Gerhard Knothe Temos alguns relatos, mas pouca ou nenhuma informação quanto à produção comercial em larga escala. É difícil avaliar quanto progresso já foi obtido nesse sentido porque a maioria das empresas, se não todas, devem tratar seus processos como de domínio exclusivo. Mas a julgar pela informação disponível, a produção comercial em larga escala deve ainda levar algum tempo para se tornar realidade. Também permanecem incógnitas a tão alardeada produtividade alcançada pelas algas e as propriedades do biodiesel resultante.

Este segredo todo com relação às algas se deve à enorme promessa que as pesquisas mostraram ou muitas dessas empresas estão somente buscando investimentos?

Gerhard Knothe
Essas empresas, de modo geral, estão abertas a anunciar que estão trabalhando com algas e podem até mencionar alguns dos obstáculos que estão enfrentando, mas não revelam os detalhes das possíveis soluções. Uma vez que não trabalho para nenhuma dessas empresas, só posso especular que tais considerações ou talvez outros aspectos estejam em jogo.

O uso do etanol no processo de produção de biodiesel não é ambientalmente mais vantajoso que o uso do metanol?


Gerhard Knothe
O etanol é derivado de um recurso renovável. O metanol, embora possa ser obtido de uma fonte renovável, é geralmente obtido do gás natural. Além disso, os etil-ésteres aparentemente possuem propriedades combustíveis um pouco superiores às dos metil-ésteres. Portanto, o etanol possui vantagens.

Quais seriam os entraves técnicos para o uso do etanol?

Gerhard Knothe
O maior entrave, provavelmente, é o custo. Com exceção do Brasil, onde, acredito, o etanol é mais barato, o metanol é o álcool de menor custo para uso na produção de biodiesel. Um aspecto técnico a se considerar é que a produção de etil-ésteres pode ser mais propensa à formação de emulsões, além de haver algumas alterações nos parâmetros de reação.

Levando isso em consideração, como o senhor vê a impossibilidade de exportar biodiesel para a Europa devido à especificação que proíbe o biodiesel feito com etanol?


Gerhard Knothe
Essa especificação não declara isso explicitamente, mas implica [essa impossibilidade]. A especificação européia teria de ser mais flexível. Mas essa também é uma questão política.

Nos próximos cinco anos, para qual direção suas pesquisas com o biodiesel deverão caminhar?

Gerhard Knothe
É sempre difícil prever o futuro. De qualquer forma, o foco principal é aprimorar as propriedades do biodiesel, o que inclui alterar a composição dos ésteres graxos. Isso também envolve a variedade de matérias-primas utilizadas.

Como surgiu a idéia de fazer o Manual de Biodiesel?

Gerhard Knothe
Em parte, foi idéia minha. Mas lembro também que a American Oil Chemists’ Society me pediu para fazer o manual e a idéia encontrou solo fértil, uma vez que eu já estava pensando em algo semelhante.