No balanço do primeiro ano de mercado obrigatório, o biodiesel
trouxe ganho de quase US$ 1 bilhão na balança comercial brasileira
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No balanço do primeiro ano de mercado obrigatório, o biodiesel trouxe ganho de quase US$ 1 bilhão na balança comercial brasileira
Alice Duarte, de Curitiba
Com a adição de 2% de biodiesel
ao diesel mineral no
primeiro semestre de 2008,
e com a elevação da obrigatoriedade
para 3% desde julho, o
Brasil evitou a importação de 1,1
bilhão de litros de diesel, o que
representa um ganho de aproximadamente
US$ 976 milhões na
balança comercial. Mas a boa notícia
foi ofuscada pelo aumento da
dependência do combustível, tanto
em volume demandado como
em valor monetário. Os dados
ainda não foram consolidados,
mas a estimativa é que a importação
líquida de diesel tenha ultrapassado
quatro bilhões de litros
em 2008, um aumento de 36% em
relação a 2007. Segundo o Ministério
de Minas e Energia (MME),
o dispêndio com essa importação
foi de US$ 4,9 bilhões, contra US$
2,5 bilhões em 2007.
O fato é que esse gasto contraproducente
na balança comercial
brasileira teria sido ainda maior se
não houvesse a mistura compulsória
do B3. Para o Brasil acabar
totalmente com a importação de
diesel seria necessário o governo
determinar uma mistura obrigatória
de 16% de biodiesel no diesel
de petróleo, montante a ser alcançado
só na próxima década, embora
não haja manifestação oficial
do governo sobre isso.
Tudo vai depender de como o
mercado vai se comportar e, principalmente,
se haverá produção
em larga escala de matérias-primas
alternativas, que possibilitem
redução dos custos de produção.
Por enquanto, o B5 já é dado como
certo pelas usinas em 2010, que já
estão pensando em se estruturar
para os anos seguintes.
Produção
De acordo com o MME a produção
de biodiesel totalizou mais de
1,16 bilhão de litros de janeiro a
dezembro de 2008, contra uma
demanda efetiva (e obrigatória)
estimada em 1,12 bilhão de litros
no período. Isso representa um
crescimento de quase 190% em
relação ao ano anterior, quando
a produção foi de 402 milhões de
litros. A capacidade de produção
autorizada ultrapassa 3,7 bilhões
de litros anuais, mas estima-se
que a indústria esteja apta para
produzir efetivamente 2,5 bilhões
de litros por ano.