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Créditos de carbono e biodiesel: os valores


BiodieselBR - 12 nov 2008 - 16:00 - Última atualização em: 23 jan 2012 - 10:59

Cada tonelada de carbono que deixa de ser despejado na atmosfera é comercializado por preços que variam US$ 5 a US$ 33. Por que tanta diferença? “Existem dois mercados para os créditos: o que é regido pela ONU, que paga os melhores preços, e o mercado voluntário, cujos ativos são negociados na Bolsa de Chicago. Lá os preços são bem inferiores”, explica o advogado Flávio Menezes, da Menezes, Dessimoni e Abreu Advogados. Para entrar para esse mercado, o investidor precisa aprovar o projeto de desenvolvimento sustentável junto a um desses órgãos. “É um empreendimento de médio prazo”, informa.

“Há metodologias certificadas que podem ser aplicadas ao projeto”, explica Braulio Pikman, da consultoria ERM e membro do Painel Metodológico do Comitê Executivo das Nações Unidas. No caso do biodiesel, a ONU certifica iniciativas que usem o sebo bovino ou óleo de fritura usado na produção do combustível. Há também “uma proposta africana de uso de pinhão-manso na cadeia produtiva que pode ser aprovada em breve”, adianta. Para ser certificado, um projeto de desenvolvimento sustentável precisa ser analisado do início ao fim. “Todas as emissões e capturas de carbono produzidas pela iniciativa são contabilizadas”, esclarece. No fim, o resultado tem que ser positivo para o meio ambiente. “O crédito é o total de carbono que deixa de ser despejado na atmosfera”, diz.

No caso do biodiesel feito a partir de óleo vegetal, o balanço começa em zero a zero. Isso porque por ter origem vegetal, o combustível é considerado carbono neutro, ou seja, as emissões produzidas pela queima são capturadas durante o processo de cultivo da matéria-prima. Até aí a produção de biodiesel não disponibiliza créditos para venda. Mas ao substituir o diesel mineral pelo biocombustível a conta muda, uma vez que cada litro de diesel queimado gera 2,66 quilogramas de dióxido de carbono.

O crédito de carbono também é viável em projetos que unem o plantio de matéria-prima à recuperação de florestas degradadas. “O pinhão-manso, por exemplo, é reconhecido como uma espécie que pode ser utilizada em reflorestamentos”, diz Pikman. É essa metodologia que começa a ser analisada pela ONU.

No entanto, mesmo que a iniciativa seja chancelada pela organização, o caminho para a implantação de projetos do gênero ainda é longo. “A metodologia que deve ser aprovada é da África. Para ser implantada no Brasil ela precisa ser avaliada sob as condições daqui, uma vez que tudo influi no balanço de emissões do projeto”, explica. “Há dados específicos para cada local. O solo, o clima, tudo influencia o resultado do projeto”, completa Pikman.