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Moringa: Dados preliminares


BiodieselBR - 06 nov 2007 - 16:09 - Última atualização em: 23 jan 2012 - 11:29

Dados preliminares

No entanto, mesmo depois dos testes iniciais, Malveira declara que prefere não divulgar informações “precipitadas”. “A moringa exige mais pesquisas e eu não gostaria de divulgar nenhum dado preliminar, que possa até mesmo ser contestado no futuro. A partir dos experimentos que fizemos, o que posso adiantar é que os resultados sobre a produção de biodiesel a partir da semente da moringa foram satisfatórios”, declarou ele, sem mencionar números, mas enfatizando que são necessários mais recursos para que as pesquisas avancem.

O produtor José Roberto Nogueira foi um dos agricultores que levaram amostras de sementes da árvore ao Nutec. Ele possui um plantio experimental de moringa nas propriedades Açude Novo e Baixinho do Quincó, ambas no município de Pereio (CE), a 360 km de Fortaleza. Empresário do setor de telecomunicações e informática, Nogueira conta que depois de morar vinte anos em São José dos Campos (SP) está retornando ao Ceará. O processo de volta à cidade natal incluiu a aquisição de mil hectares de terra, nos quais ele planeja implantar uma espécie de propriedade modelo, com cultivos diversificados. E a plantação de moringa já faz parte do projeto.

Em setembro de 2007, o empresário começou a preparar um viveiro com as mudas da planta e também de árvores frutíferas adaptadas ao semi-árido. Para preparar as mudas de moringa, Nogueira conta que percorreu sete cidades da região em busca das sementes, que foram retiradas de moringas já existentes. “Selecionei os pés mais vistosos, mais produtivos aparentemente. Então, tirei as sementes e plantei na minha propriedade”, revela.

Ao todo são pouco mais de seis hectares de moringa – em média, 800 plantas por hectare. “Devo ter aproximadamente uns cinco mil pés”, afirma. O produtor explica que a moringa produz bem e que não necessita de muita água. “É uma planta bem adaptada”, reforça. Nogueira lembra ainda que nos últimos três anos a quantidade de chuva na região de Pereio ficou abaixo da média, mas ainda assim os pés de moringa produziram com plena carga.

A árvore possui tronco delgado e folhas compostas. As flores são numerosas e florescem o ano todo. Os frutos são longos, parecidos com uma vagem e contêm muitas sementes. A raiz é em forma de tubérculo e armazena energia para a planta, o que favorece o seu rebrote. A madeira é mole, porosa e amarelada. Em várias cidades do Nordeste, a moringa é usada como árvore ornamental, sendo plantada em canteiros públicos, o que faz com que a planta seja de fácil acesso aos interessados.

A propriedade mais difundida da planta é a de purificadora de água. As sementes de moringa, quando maceradas e misturadas à água barrenta de açudes, têm a capacidade de agregar as impurezas existentes, deixando a água limpa e própria para o consumo humano. A partir daí, pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco divulgaram, em abril deste ano, que acreditam que o pó da semente da planta possa ser um larvicida natural, que ajuda no combate ao mosquito da dengue.

O produtor-empresário diz que desenvolve seu projeto com recursos próprios e que o interesse por plantas adaptadas é uma forma de incentivar os pequenos agricultores a diversificar a produção. Ele aposta no plantio consorciado da moringa com frutas perenes também adaptadas à região.

“Acredito que a produção de biodiesel a partir da semente da moringa seja viável, mas não apenas isso. Acredito que a moringa pode ser útil também em outros aspectos, como na alimentação do gado. As folhas são ricas em proteína. Primeiro, foco no biodiesel. Depois, na planta como ração animal, já que o gado come bem as folhas”, explica.

Nogueira aproveita para destacar a importância de cultivos alternativos, como o da moringa, para o crescimento da região. “A agricultura convencional no Nordeste está morta. Plantando apenas milho e feijão, no cabo da enxada, o pequeno agricultor tem uma renda mensal de apenas R$ 130. Isso é menos do que uma bolsa-família. Agora, busco apoio técnico para o meu projeto, que propõe a diversificação das atividades na pequena propriedade.”

Isso vem acontecendo porque a base agrícola da região são as culturas anuais, como o milho e feijão, que para produzirem precisam de chuvas com dia marcado. Quando a chuva não vem, crescem os problemas de segurança alimentar e o governo intervém com cesta-básica. A moringa, por ser uma planta perene, não depende disso. Começa a se desenvolver a partir de uma boa chuva, independente da época em que ela venha. No semi-árido nordestino, o produtor poderá aproveitar suas folhas e ramos para fazer silagem e tratar o gado no período de seca.