Mamona

Fração alergênica (CB-1A)


BiodieselBR - 01 fev 2006 - 23:00 - Última atualização em: 09 nov 2011 - 19:22

Define-se um alérgeno como uma substância normalmente inofensiva, encontrada no ambiente ou nos alimentos, capaz de produzir asma, febre, eczema e desconforto gastrintestinal ao ser posta em contato com uma pessoa previamente sensibilizada.

Essencialmente existem três tipos de alergia: atópica, retardada e anafilática, sendo que as reações causadas pela torta de mamona se caracterizam como atópica, na qual os sintomas aparecem em no máximo 60 minutos após a exposição. Por via oral, apenas 0,01% do CB-1A é absorvido pelo sistema digestivo, de forma que para provocar alergia através da alimentação é preciso ingestão de grande quantidade de torta de mamona.

A fração alergênica da torta de mamona se trata de um conjunto de glicoproteínas denominado CB-1A, veja a composição em aminoácidos. “Glicoproteínas” são proteínas com uma porção glicídica associada. Ressalta-se a inexistência do aminoácido Triptofano, cuja carência na torta de mamona também prejudica seu uso como ração para animais não ruminantes. Os alérgenos da mamona, assim como a ricina, estão entre os alérgenos de maior poder conhecidos.

O termo CB-1A, como explica Trugo (1979), surgiu de Castor Beans (sementes de mamona, em inglês) e “1A” que corresponde ao processo desenvolvido por Spies e colaboradores em 1914. O método se baseia no fato de que a fração na qual os alérgenos estão presentes é insolúvel em álcool a 75% e solúvel em água. Inicialmente, o método havia sido desenvolvido para sementes de algodão nas quais se obteve a fração denominada CS-1A (cotton seeds pelo processo 1A) que também possuía alergenicidade. Os alérgenos da mamona também podem ser isolados por outros processos, como o descrito por Spies e Coulson (1944) citados por Carvalho (1978), em que se obteve uma fração alergênica livre de carboidratos que foi denominada CB-65A. O isolamento da fração alergênica foi um marco importante na pesquisa com a mamona, pois até então se pensava que os sintomas de alergia eram devidos à ricina, porém, se isolou esta fração que não possuía toxidez e era estável a 100ºC, mostrando que a alergia e a toxidez eram causadas por diferentes substâncias.

De forma geral, as frações alergênicas de oleaginosa extraídas pelo processo 1A apresentam as seguintes características em comum: são constituídas por misturas complexas de proteínas e glicoproteínas de baixo peso molecular, solúveis em água e em etanol a 25% em temperatura ambiente, insolúveis em solventes orgânicos e etanol a 75%, estáveis à fervura, não precipitáveis por acetato básico de chumbo e parcialmente dialisáveis; geralmente são ricas em Arginina e Ácido Glutâmico e pobres em aminoácidos aromáticos. O teor de glicídios pode variar de 3,1% a 40,7% do peso da molécula.

Uma caracterização físico-química aprofundada do CB-1A, inclusive com o teste de alergenicidade nas diversas frações separadas por cromatografia, encontra-se em Trugo (1979).

Embora seja composto por diversas proteínas que diferem tanto na porção protéica quanto na glicídica, no trabalho desenvolvido por Trugo (1979) o CB-1A foi separado em sete frações (colunas SP-Sephadex com gradiente de pH) e todas apresentaram alergenicidade, evidenciando que a alergenicidade é causada por várias proteínas e não apenas por uma delas. O teor de CB-1A nas sementes descortiçadas e delipidadas (sem óleo) variou entre 6,1% e 9,0% e em seis amostras de tortas de mamona comerciais oscilou entre 0,92 e 4,2.