Mercado de óleos vegetais fica preso entre demanda fraca e apostas no biodiesel, diz analista
Os mercados globais de óleos vegetais estão se comportando de forma imprevisível, já que as interrupções no fornecimento de energia causadas pela guerra no Oriente Médio aumentam as esperanças de demanda por biodiesel, enquanto a compra moderada pelos principais importadores tem nublado as perspectivas de preço, disse o veterano do setor Dorab Mistry.
"O comportamento do mercado em tempos de guerra é sempre muito diferente e muitos acontecimentos surgem inesperadamente", disse Mistry, diretor da empresa indiana de bens de consumo Godrej International, à Reuters.
Os preços do petróleo bruto saltaram para uma máxima de quase quatro anos na semana passada, depois que o Irã reagiu aos ataques conjuntos dos EUA e de Israel ameaçando disparar contra navios que atravessam o Estreito de Ormuz. Essa alta tornou mais atrativo o uso de óleos vegetais para a produção de biocombustíveis.
"No momento, a demanda por comestíveis está fraca porque os preços subiram. O mercado tem grandes esperanças em relação ao biodiesel. Resta saber qual fator acabará prevalecendo", disse Mistry.
Um dos analistas de óleos comestíveis mais acompanhados pelo mercado, as previsões de Mistry sobre oferta e preços geralmente movimentam os mercados.
Preços do óleo de palma
Os preços do óleo de palma da Malásia subiram 14% até o momento neste mês, sendo negociados acima de 4.600 ringgit por tonelada, tornando o óleo tropical mais caro do que o concorrente óleo de soja, exceto na Ásia, onde os custos mais baixos de frete o mantêm competitivo para os compradores.
No mês passado, Mistry previu que os futuros do óleo de palma seriam negociados em uma faixa de 3.800 a 4.300 ringgit até julho de 2026, já que a demanda continua fraca em meio a uma oferta ampla.
A Índia, maior compradora de óleo vegetal do mundo, está relutante em fazer novas compras a níveis de preços mais altos, com as refinarias aguardando a correção dos preços, disseram negociantes.
Os importadores indianos foram prejudicados depois de reduzirem seus estoques e cancelarem um grande volume de importações previamente reservadas, disse Mistry.
Várias cargas de óleo de soja da América do Sul e do Mar Negro, reservadas para entrega nos próximos meses, foram retiradas depois que os preços globais do óleo de soja subiram, pois os compradores acharam mais lucrativo devolver as cargas aos fornecedores do que processá-las e vendê-las na Índia, disseram negociantes.
A expectativa é de que as chegadas limitadas de importações na Índia sustentem os preços do óleo comestível local, embora a forte oferta de óleo de mostarda esteja ajudando a moderar o aumento, disse Mistry.
A colza e a mostarda são as principais sementes oleaginosas plantadas no inverno na Índia, e espera-se que a nova safra chegue ao mercado a partir do próximo mês.
Rajendra Jadhav – Reuters