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CFS prepara investida sobre mercado brasileiro de antioxidantes para biodiesel

Grupo industrial de origem indiana planeja abocanhar 30% do mercado até o final deste ano

BiodieselBR.com 5 min de leitura

O – geralmente discreto – mercado brasileiro de antioxidantes está para sofrer uma guinada importante nos próximos meses. Isso porque a gigante indiana da área Camlin Fine Sciences (CFS) está disposta partir para a briga e abocanhar uma fatia deste segmento justamente num momento em que que, graças à chegada do B10, as vendas de biodiesel têm tudo para disparar e arrastar junto consigo a demanda por insumos.

O – geralmente discreto – mercado brasileiro de antioxidantes está para sofrer uma guinada importante nos próximos meses. Isso porque a gigante indiana da área Camlin Fine Sciences (CFS) está disposta partir para a briga e abocanhar uma fatia deste segmento justamente num momento em que que, graças à chegada do B10, as vendas de biodiesel têm tudo para disparar e arrastar junto consigo a demanda por insumos.

A meta não é modesta. Segundo o diretor do grupo para a América do Sul, Luciano Monteiro disse à BiodieselBR.com o plano é chegar no final de março de 2019 – quando a CFS encerra seu ano fiscal – com cerca de 30% do mercado. Isso deve fazer com o biodiesel passe a representar cerca de um terço do faturamento do grupo na América do Sul.

É uma briga que envolve alguns pesos-pesados do ramo químico. A Basf comercializa um aditivo antioxidante para o setor de biodiesel sob a marca Kerobit; a Evonik oferece o Ionol e a Lanxess tem o Baynox.

Para viabilizar esse objetivo, a empresa está lançando este mês no país o BL100 e BL200. Duas formulações antioxidantes especialmente desenvolvidas para o setor de biodiesel. “Na Argentina a gente começou a vender [esse produto] no ano passado e estamos lançando no Brasil agora”, conta Monteiro explicando que isso vai complementar a oferta de antioxidantes da linha Xtendra que já estão à venda no Brasil há cerca de m ano e meio.

Desenvolvido ao longo de 2016, o produto foi recebeu o selo “no harm” da AGQM – associação responsável pela qualidade do biodiesel na Alemanha –assegurando que sua adição não tem efeitos adversos sobre o biodiesel ao qual venha a ser adicionado e nem sobre os motores que venham a ser abastecido com este. “Nosso objetivo era poder vender diretamente no mercado europeu ou para a produtores que exportem seu biodiesel para o mercado da Europa. Mesmo em países onde o certificado não é exigido, ele atesta a qualidade de nosso produto”, explica Federico Sakson que foi o responsável pelo trabalho de desenvolvimento da nova família de aditivos.

A preparação para o lançamento já vem de algum tempo, a empresa arrendou parte de um complexo industrial na cidade de Rio Claro (SP) para concentrar a fabricação do aditivo e já vem prospectando o mercado – se reunindo e mandando amostras para usinas – desde o final do ano passado.

Além de ter capacidade para abastecer o mercado brasileiro como um todo, a nova planta também permitirá flexibilidade produtiva. “Caso um cliente nosso queira uma formulação particular, a gente pode fazer”, prossegue Federico.

Performance

Ainda de acordo com o técnico, o quanto o BL100 / BL200 vai conseguir prolongar a vida útil do biodiesel vai depende muito da qualidade inicial do biocombustível.

“Com um biodiesel de boa qualidade que chegue a 6 horas [no teste Rancimat] conseguimos superar 10 horas com a aplicação de algo entre 100 e 120 partes por milhão”, diz. Na ponta do lápis isso dá – no máximo – 120 ml para cada metro cúbico de biodiesel. “Agora, se você tiver o biodiesel que se degrada em 3 hora no Rancimat, vai precisar de muito mais aditivo”, completa.

Velha conhecida

Embora ainda seja um nome relativamente novo desse lado do globo, a empresa já é uma velha conhecida por seus concorrentes. Isso porque até recentemente ela era um de seus principais fornecedores. Desde os anos 1980 ela é um dos maiores fabricantes globais de terc-butil-hidroquinona (TBHQ), butil hidroxianisol (BHA) e palmitato de ascorbila – compostos químicos usados nas formulações de antioxidantes – com cerca de 65% do mercado global.

A decisão de subir um degrau na escala de produção, no entanto, é bem mais recente. Foi apenas em 2011 que a empresa começou a formular seus próprios produtos. “A gente começou pelo mercado [antioxidantes para o setor] alimentar e depois fomos migrando. Biodiesel é o nosso segmento mais recente”, explicou à BiodieselBR.com o diretor do grupo para a América do Sul, Luciano Monteiro, acrescentando que, hoje, a CFS é o único fabricante totalmente verticalizado do mundo.

Em mais alguns meses, a CFS vai inaugurar uma nova fábrica na cidade indiana de Dehaj na qual foram investidos o equivalente a R$ 88 milhões. Segundo Lucio Monteiro, quando estiver pronta, em meados do ano que vem, a nova unidade vai centralizar a produção de todos os insumos básicos comercializados globalmente pela empresa. “Isso vai gerar uma redução de custos e nos tornar ainda mais competitivos”, promete apontando que a briga ainda vai esquentar mais.

Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com

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