
Problema da Ecodiesel não foi exclusivamente ocasionado pela produção de biodiesel, mas sim de "má gestão", disse o Presidente da PBio, Miguel Rosseto.
O presidente da Petrobrás Biocombustível e ex-ministro do Desenvolvimento Agrário do governo Lula, Miguel Rosseto, disse que a culpa pela falência do projeto da Brasil Ecodiesel no Piauí e em outros estados não é exclusivamente ocasionada pela produção de biodiesel, mas sim de "má gestão", fruto de um plano “arriscado” e “ousado”. No entanto, ressaltou que a aposta única na mamona como rendição foi um erro. O projeto foi lançado no estado em 2005, com pompas, pelo então governador Wellington Dias e pelo então presidente Lula.
“Eu não acho que a empresa Brasil Ecodiesel quebrou por conta da produção de biodiesel. Ela fez um plano arriscado, ousado, opções equivocadas do ponto de vista empresarial”, disse, durante café da manhã da bancada do Nordeste ocorrido nesta quarta-feira (18). Para o ex-ministro eles fizeram um plano de curto prazo que englobava a implantação de 6 usinas em apenas um ano. Um plano que acabou por se demonstrar desastroso. Outro ponto questionado por Rosseto foi a expectativa de que a mamona já nasceria como o principal produto para produção de biodiesel.
“Trabalharam com um plano de curto prazo, acreditando que a mamona iria abastecer o mercado”, como que sendo a principal fonte para produção de biodiesel. Sendo que a mamona é inviável devido aos altos custos, frente a outros produtos muito mais baratos para a produção e, portanto, mais utilizados. Entre eles a soja, o óleo de algodão, a palma, o dendê, e até a gordura de animais, como o sebo de boi.
À época, no entanto, pelo estardalhaço feito pelo governo, parecia algo que iria funcionar. Mas também já naquela época, havia quem avisasse ao Palácio de Karnak e ao próprio governo federal sobre a futura inviabilidade do projeto. “Eu dizia que sem o subsídio do governo o projeto iria fracassar”, disse o deputado Júlio César (PSD), que participou da reunião da bancada do Nordeste. Júlio, no entanto, foi aconselhado pelos governistas a não criticar o projeto.
A plantação de mamona em Floriano e Canto do Buriti, no Piauí, e em outros estados tinha como objetivo incentivar a agricultura familiar, garantindo geração de emprego e renda em regiões mais pobres do país, mas mostrou-se objeto de frustrações a milhares de famílias que acreditaram na propaganda oficial de que tudo seria uma rendição.
“A mamona tem usos muito mais nobres. O óleo de mamona hoje custa em torno de R$ 5 mil a tonelada, enquanto o óleo de soja sai a R$ 2 mil”, diz o diretor superintendente da Associação dos Produtores de Biodisel do Brasil (Aprobio), Júlio Minelli, reforçando a ideia de que produzir mamona para o biodiesel era realmente algo inviável, já que existiam opções mais baratas.
A oleaginosa poderia ter sido aproveitada, por exemplo, mesmo com preços bem mais altos, para outras indústrias, como as de tintas, lubrificantes, e de cosméticos. Ocorre que a mamona era tida como a principal bandeira do lançamento do Programa Nacional do Biodiesel, ainda no governo Luiz Inácio Lula da Silva e os políticos envolvido no show não queria dar o braço a torcer. Continuaram a pregar que o programa iria dar certo. Porém, o tal programa, de início errado, permaneceu no erro, e tornou sonho em frustração.
“Qual o desafio da mamona? Preço. A mamona possui preço de dois meios, três meios mais que o preço das demais oleaginosas. É assim que o mercado a vê. Ela não serve, no momento, para o biodiesel. Serve para outras necessidades”, admite Rosseto. Durante a reunião o ministro deixou claro que outros fatores também levaram o projeto no Piauí ao fracasso. Mas disse que não iria falar de público. “É indelicado falar aqui. Eu fico à disposição da bancada do estado para uma reunião posterior”, se comprometeu.
Atualmente o óleo de soja é o principal insumo utilizado na produção do combustível no Brasil.
Rômulo Rocha
O presidente da Petrobrás Biocombustível e ex-ministro do Desenvolvimento Agrário do governo Lula, Miguel Rosseto, disse que a culpa pela falência do projeto da Brasil Ecodiesel no Piauí e em outros estados não é exclusivamente ocasionada pela produção de biodiesel, mas sim de "má gestão", fruto de um plano “arriscado” e “ousado”. No entanto, ressaltou que a aposta única na mamona como rendição foi um erro. O projeto foi lançado no estado em 2005, com pompas, pelo então governador Wellington Dias e pelo então presidente Lula.
“Eu não acho que a empresa Brasil Ecodiesel quebrou por conta da produção de biodiesel. Ela fez um plano arriscado, ousado, opções equivocadas do ponto de vista empresarial”, disse, durante café da manhã da bancada do Nordeste ocorrido nesta quarta-feira (18). Para o ex-ministro eles fizeram um plano de curto prazo que englobava a implantação de 6 usinas em apenas um ano. Um plano que acabou por se demonstrar desastroso. Outro ponto questionado por Rosseto foi a expectativa de que a mamona já nasceria como o principal produto para produção de biodiesel.
“Trabalharam com um plano de curto prazo, acreditando que a mamona iria abastecer o mercado”, como que sendo a principal fonte para produção de biodiesel. Sendo que a mamona é inviável devido aos altos custos, frente a outros produtos muito mais baratos para a produção e, portanto, mais utilizados. Entre eles a soja, o óleo de algodão, a palma, o dendê, e até a gordura de animais, como o sebo de boi.
À época, no entanto, pelo estardalhaço feito pelo governo, parecia algo que iria funcionar. Mas também já naquela época, havia quem avisasse ao Palácio de Karnak e ao próprio governo federal sobre a futura inviabilidade do projeto. “Eu dizia que sem o subsídio do governo o projeto iria fracassar”, disse o deputado Júlio César (PSD), que participou da reunião da bancada do Nordeste. Júlio, no entanto, foi aconselhado pelos governistas a não criticar o projeto.
A plantação de mamona em Floriano e Canto do Buriti, no Piauí, e em outros estados tinha como objetivo incentivar a agricultura familiar, garantindo geração de emprego e renda em regiões mais pobres do país, mas mostrou-se objeto de frustrações a milhares de famílias que acreditaram na propaganda oficial de que tudo seria uma rendição.
“A mamona tem usos muito mais nobres. O óleo de mamona hoje custa em torno de R$ 5 mil a tonelada, enquanto o óleo de soja sai a R$ 2 mil”, diz o diretor superintendente da Associação dos Produtores de Biodisel do Brasil (Aprobio), Júlio Minelli, reforçando a ideia de que produzir mamona para o biodiesel era realmente algo inviável, já que existiam opções mais baratas.
A oleaginosa poderia ter sido aproveitada, por exemplo, mesmo com preços bem mais altos, para outras indústrias, como as de tintas, lubrificantes, e de cosméticos. Ocorre que a mamona era tida como a principal bandeira do lançamento do Programa Nacional do Biodiesel, ainda no governo Luiz Inácio Lula da Silva e os políticos envolvido no show não queria dar o braço a torcer. Continuaram a pregar que o programa iria dar certo. Porém, o tal programa, de início errado, permaneceu no erro, e tornou sonho em frustração.
“Qual o desafio da mamona? Preço. A mamona possui preço de dois meios, três meios mais que o preço das demais oleaginosas. É assim que o mercado a vê. Ela não serve, no momento, para o biodiesel. Serve para outras necessidades”, admite Rosseto. Durante a reunião o ministro deixou claro que outros fatores também levaram o projeto no Piauí ao fracasso. Mas disse que não iria falar de público. “É indelicado falar aqui. Eu fico à disposição da bancada do estado para uma reunião posterior”, se comprometeu.
Atualmente o óleo de soja é o principal insumo utilizado na produção do combustível no Brasil.
Rômulo Rocha