S&P rebaixa rating da 3tentos para A+ e vê risco de novo corte em 6 a 12 meses
A S&P National Ratings rebaixou o rating de crédito da 3tentos Agroindustrial de AA para A+, em escala nacional, e alterou a perspectiva de estável para negativa, após a rentabilidade da companhia piorar mais do que a agência esperava e a liquidez enfraquecer.
A classificadora reduziu a projeção de Ebitda para 2026 para R$ 941 milhões, ante R$ 1,273 bilhão anteriormente, e passou a avaliar a liquidez da empresa como insuficiente. A perspectiva negativa indica risco de novo rebaixamento nos próximos seis a 12 meses.
Segundo a S&P, o rebaixamento reflete margens industriais menores, contribuição mais lenta das novas capacidades industriais e pressão sobre o fluxo de caixa. As margens foram afetadas por preços menores de farelo de soja e biodiesel, aumento dos custos de insumos e logística e pela implementação mais lenta da mistura B16 de biodiesel, postergada para 2027.
Ainda de acordo com o relatório, a nova usina de etanol de milho iniciou operações apenas em meados de junho, com contribuição pouco relevante ao primeiro semestre, apesar dos desembolsos já realizados.
O ciclo de expansão e a necessidade de capital de giro também pressionaram o balanço. Os estoques totais subiram para R$ 4,2 bilhões em junho de 2026, ante R$ 2,2 bilhões em dezembro de 2025, enquanto a dívida líquida, antes do ajuste da S&P pelos estoques de grãos de alta liquidez, aumentou para cerca de R$ 3,6 bilhões, ante R$ 1,6 bilhão. O fluxo de caixa operacional livre ficou negativo em cerca de R$ 1,2 bilhão nos 12 meses encerrados em junho.
Em liquidez, a agência estima que as fontes disponíveis cubram apenas 0,9 vez os usos previstos. A 3tentos tinha cerca de R$ 1,4 bilhão em caixa em junho, diante de aproximadamente R$ 2,2 bilhões em dívida consolidada de curto prazo, incluindo a TentosCap. A companhia já obteve waivers prévios para medições de covenants em junho, setembro e dezembro de 2026.
A S&P poderá cortar o rating novamente se a recuperação das margens ou a contribuição das novas unidades ficarem abaixo do esperado, se houver baixa conversão dos estoques em caixa ou dificuldades para refinanciar a dívida de curto prazo. Para que a perspectiva volte a estável, a mudança dependeria de recuperação das margens, melhora da geração de caixa e fontes de liquidez superiores a 1,1 vez os usos.
A S&P também rebaixou de AA para A+, em escala nacional, os ratings das três séries da 201ª emissão de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) da Opea Securitizadora, que têm a 3tentos como devedora.
Gabriel Azevedo - Agência Estado


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