Além da biorrefinaria a ser instalada até 2027, a petroleira está investindo para adicionar capacidade de coprocessamento em suas refinarias de Paulínia e de Cubatão
Os movimentos que a Petrobras vem fazendo nos últimos meses em busca de uma fatia do mercado de alternativas renováveis ao diesel de petróleo tem deixado muitos fabricantes de biodiesel visivelmente desconfortáveis. Os dois lados chegaram a trocar farpas durante o processo de definição da especificação do diesel verde pela ANP, as usinas não querem nem ouvir falar de biocombustíveis diferentes do biodiesel participando do atual mandato.
Dentro do setor há um evidente temor de que a Petrobras tire proveito de sua posição estratégica dentro do mercado nacional de diesel para alavancar as vendas de seus biocombustíveis em detrimento de seus concorrentes.
A fervura baixou depois que a ANP publicou a especificação do diesel verde e deixou o diesel coprocessado da Petrobras de fora. Só que, agora, a estatal encontrou outra rota para o mercado através da nova especificação do diesel rodoviário.
O que não está claro é qual seria o impacto dos novos planos da petroleira sobre o mercado de biodiesel. Segundo o gerente geral de marketing da Petrobras, Sandro Barreto, os temores do setor de biodiesel são exagerados. “Não seria algo que teria capacidade para quebrar o setor”, diz buscando tranquilizar os possíveis concorrentes.
Os movimentos que a Petrobras vem fazendo nos últimos meses em busca de uma fatia do mercado de alternativas renováveis ao diesel de petróleo tem deixado muitos fabricantes de biodiesel visivelmente desconfortáveis. Os dois lados chegaram a trocar farpas durante o processo de definição da especificação do diesel verde pela ANP, as usinas não querem nem ouvir falar de biocombustíveis diferentes do biodiesel participando do atual mandato.
Dentro do setor há um evidente temor de que a Petrobras tire proveito de sua posição estratégica dentro do mercado nacional de diesel para alavancar as vendas de seus biocombustíveis em detrimento de seus concorrentes.
A fervura baixou depois que a ANP publicou a especificação do diesel verde e deixou o diesel coprocessado da Petrobras de fora. Só que, agora, a estatal encontrou outra rota para o mercado através da nova especificação do diesel rodoviário.
O que não está claro é qual seria o impacto dos novos planos da petroleira sobre o mercado de biodiesel. Segundo o gerente geral de marketing da Petrobras, Sandro Barreto, os temores do setor de biodiesel são exagerados. “Não seria algo que teria capacidade para quebrar o setor”, diz buscando tranquilizar os possíveis concorrentes.
Capacidade
Embora busque tranquilizar o setor de biodiesel, o impacto da chegada da Petrobras seria bastante significativo. No total, a capacidade nova que ela poderia agregar ao mercado – entre diesel verde puro e a porção renovável do diesel coprocessado – seria de até 1,35 milhão de m³. Esse seria o teto. Em termos de capacidade instalada, isso colocaria a petroleira nacional um pouco acima do atual líder o setor de biodiesel, o Grupo Olfar, que conta com 1,24 milhão de m³ em capacidade produtiva.
Hoje, essa capacidade gira em torno de 10 mil m³ por mês. Segundo Sandro, é este o volume aproximado de diesel coprocessado que a Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar) pode fabricar. Mais 60 mil m³ podem ser adicionados caso a petroleira toque os planos de agregar capacidade de coprocessamento na Refinaria Presidente Bernardes, em Cubatão (SP), e na Refinaria de Paulínia (Replan), em Paulínia (SP).
Juntas, as três unidades teriam capacidade para fabricar até 70 mil m³ de diesel coprocessado por mês ou 840 mil m³ por ano. É uma capacidade próxima à da usina de Lapa (PR) da Potencial Biodiesel – a maior do país – que pode fabricar até 900 mil m³ de biodiesel por ano.
Vale lembrar que a Repar é uma das refinarias que a Petrobras está vendendo. Quando o negócio for concluído, a capacidade de coprocessamento seria reduzida para 720 mil m³ anuais.
Embora reconheça que essa é uma capacidade expressiva, Sandro ressalta que os projetos não entrariam no mercado imediatamente e que, dificilmente, operariam a todo vapor. “O coprocessamento só faz sentido quando tivermos ‘folga’ [de refino]. Não faz sentido tirar diesel para colocar óleo vegetal”, admite informando que, com o fim das vendas do S500, há uma tendência para que essas folgas sejam reduzidas, uma vez que a produção de diesel de baixo teor de enxofre competiria com o diesel coprocessado.
Biorrefinaria
Além deste volume coprocessado, a Petrobras está se preparando para começar a fabricar diesel verde puro numa biorrefinaria dedicada que deverá ser instalar no país dentro dos próximos cinco anos.
Orçado em US$ 600 milhões previstos no Plano Estratégico 2022-2026 do grupo, o projeto deverá ser construído no Rio de Janeiro ou São Paulo em localidade ainda a ser definida.
A capacidade exata da futura unidade ainda é uma incógnita, mas deverá ficar em algum ponto entre 500 mil e 1 milhão de toneladas ano, das quais 40% serão voltados à produção de óleo vegetal hidrotratado (HVO) – o diesel verde. Traduzidos, estamos falando de algo em torno de 255 a 510 mil m³.
No piso, isso supera à capacidade da 21ª maior usina do país (a Fênix de Alto Araguaia). No teto, bate a ADM de Rondonópolis como a 4ª maior do ranking.
E mais a PBio
E tudo isso sem nem mesmo levar em conta presença que a Petrobras já tem hoje no setor de biodiesel por meio da Petrobras Biocombustível (PBio). A subsidiária é dona de duas usinas – Candeias (BA) e Montes Claros (MG) – que podem ofertar um pouco mais de 500 mil m³ anuais.
Até onde se sabe, a Petrobras continua em busca de compradores para essas duas unidades.
Se, por qualquer motivo, a Petrobras desistir da venda, o grupo passaria a controlar sozinho um parque industrial capaz de fabricar um pouco mais 1,85 milhão de m³ de biocombustíveis alternativos ao diesel de petróleo.
Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com