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Indústria de biodiesel olha para 2015 com otimismo

Perspectivas2015 020215Com 2015 começando para valer, o setor produtivo está animado com as perspectivas de crescimento na demanda por biodiesel puxada pelos aumentos da misutra.
BiodieselBR.com 5 min de leitura
Vencido o primeiro mês do ano, 2015 está começando para valer – inclusive com o primeiro leilão do ano. E o setor de biodiesel está – compreensivelmente – animado com 2015 graças, principalmente, ao crescimento na demanda projetado em razão dos aumentos da mistura obrigatória aprovados no ano passado. Isso deverá compensar as previsões de uma demanda por diesel mais enxuta em 2015.

Perspectivas2015 020215
Vencido o primeiro mês do ano, 2015 está começando para valer – inclusive com o primeiro leilão do ano. E o setor de biodiesel está – compreensivelmente – animado com 2015 graças, principalmente, ao crescimento na demanda projetado em razão dos aumentos da mistura obrigatória aprovados no ano passado. Isso deverá compensar as previsões de uma demanda por diesel mais enxuta em 2015.

Elcio Angelis, gerente de biodiesel da Cargill, estima que o mercado do biodiesel cresça neste ano 25% em comparação a 2014. Mas pondera que esse crescimento não se dará em função de um maior consumo. 

Quanto ao mercado do diesel propriamente dito, as fontes ouvidas por BiodieselBR.com revelam-se reticentes quanto a um crescimento, fazendo projeções bastante conservadoras. O economista Leonardo Zilio, da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), calcula um aumento no consumo de diesel B de em torno 2% em 2015, observando que o mercado vem desacelerando nos últimos anos. 

Já a Associação dos Produtores de Biodiesel do Brasil (Aprobio) acredita que a demanda por diesel deva se manter estável. “As perspectivas de crescimento da economia não são animadoras e o mercado de diesel normalmente amplifica os efeitos da economia”, expõe Julio Minelli, diretor superintendente da associação.

Diretor executivo da usina gaúcha Bianchini, Antonio Luiz Bianchini mostra-se bem menos otimista, prevendo uma retração de 3% a 5% do mercado de diesel em 2015 em relação ao ano passado.

Ampliações
Nem o ano começou e já duas usinas conseguiram autorizações da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis para operar com capacidades ampliadas. Seria esse um indício de que o empresariado estaria retomando os investimentos no setor? Nesse ponto, as opiniões se dividem.

O gerente de biodiesel da Cargill aposta na ocorrência de alguns ajustes pontuais de capacidade das usinas ao longo do ano. Contudo, diz não enxergar espaço para novas plantas, “sem que haja uma expansão do mercado via novos usos – hidroviário, metropolitano diferenciado com maior mistura ou mesmo um maior uso regional, que seja economicamente competitivo ao diesel mineral”. 

Compartilha de opinião similar o diretor da Aprobio. Minelli afirma que “a entrada de novas usinas será pouco provável”, em função da existência de muita capacidade ociosa. 

Já presidente da União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio), Odacir Klein, pensa diferente. Ele acredita na possibilidade do surgimento de novas unidades em 2015 – bem como na desistência de algumas usinas do mercado de biodiesel. “É perfeitamente natural tanto o aumento de capacidade das existentes como o movimento de entrada e saída de unidades”, declara Klein enfatizando que “a previsibilidade da segunda fase do PNPB pode dar estabilidade aos projetos existentes e impulsionar novas oportunidades”.

Eis um ponto em que todos os entrevistados concordam: a necessidade da criação de um novo marco regulatório para o setor. “Novos investimentos dependem de uma política sustentável e duradoura para o setor. Isso se obtém somente com um novo Marco Regulatório para o Programa Nacional de Biodiesel”, afirma o diretor executivo da Bianchini. 

“Um novo marco regulatório sustentável é imprescindível para permitir um planejamento estratégico de médio e longo prazo, bem como novos aumentos de mistura obrigatória, uma vez que o setor está pronto e tem capacidade para ir a 10%”, reforça Angelis, da Cargill.

Receptivo
E, a princípio, tudo indica que o setor terá espaço para avançar em suas tratativas com o governo para a aprovação do novo marco regulatório, cujo texto elaborado pela Comissão Executiva Interministerial do Biodiesel (Ceib) na gestão anterior de Dilma Rousseff, se encontra parado, na dependência de uma definição do Planalto quanto ao seu futuro.

“As expectativas são muito positivas”, diz o presidente da Ubrabio. “Na primeira audiência que tivemos com o novo ministro Eduardo Braga (do MME), a proposta de elaboração de um marco regulatório para o biodiesel, que permita a previsibilidade do aumento de mistura obrigatória em nível nacional e a utilização facultativa de misturas superiores como o B+ e o B20 Metropolitano (propostas da Ubrabio), foi muito bem recebida pela pasta, a ponto de o ministro sugerir que a indústria automobilística intensifique e seja proativa nos testes de uso de misturas maiores do que o B7”, relata Klein. 

“Os gestores governamentais estão convidando a classe empresarial para o diálogo. Isso sempre é bom no início de cada governo, pois contribui e conduz à necessária empatia entre os segmentos da sociedade organizada”, considera Bianchini.

“Tivemos uma boa sinalização por parte do MME, que já realizou uma reunião com ‘o objetivo de aprofundar o diálogo setorial e tratar das principais demandas e propostas para setor’”, analisa Minelli, da Aprobio, que torce para que o diálogo se mantenha.

Igual expectativa tem a Abiove. “A associação espera que se mantenham as conversações entre governo, setor privado e sociedade civil para o aprimoramento do PNPB e para definição do papel desse biocombustível no longo prazo”, externa Zilio.

Cátia Franco – BiodieselBR.com
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