Do grão ao combustível: 3tentos entra na produção de etanol
A próxima fronteira da 3tentos começa no milho. Em maio deste ano, a companhia inaugurou sua primeira usina de etanol em Porto Alegre do Norte, no Vale do Araguaia mato-grossense, e já prepara uma segunda unidade, em Redenção, no sul do Pará. Mais que um novo produto, o movimento estende a novas culturas uma fórmula que vem dando certo há três décadas: apoiar o agricultor, fornecer insumos, receber a produção e agregar valor ao grão.
Os números mostram o acerto da estratégia. A 3tentos encerrou 2025 com receita líquida de R$ 15,9 bilhões e lucro líquido de R$ 816 – e alcançou, pelo segundo ano seguido, o topo do setor de agronegócio no ranking TOP30.
A companhia, criada pela família Dumoncel em 1995, em Santa Bárbara do Sul (RS), construiu sua trajetória acompanhando diferentes etapas da cadeia agrícola. Primeiro vieram sementes, fertilizantes e defensivos, além de operações de troca, em que insumos são pagos com parte da colheita. A partir de 2013, iniciou a industrialização da soja, com farelo, óleo e biodiesel, formando um tripé de insumos, grãos e indústria. “A força da 3tentos é esse ecossistema integrado que montamos”, afirma João Marcelo Dumoncel, presidente da empresa.
A capilaridade é parte central do modelo de negócios. A 3tentos se relaciona com 25.000 produtores e já soma 81 lojas, com a meta de chegar a 100 até 2030.
Presente no Rio Grande do Sul e em Mato Grosso, a companhia avança agora para Goiás, Pará, Tocantins e Minas Gerais. Cada nova região recebe também uma estrutura de pesquisa e desenvolvimento para adaptar produtos às condições locais.
Para o economista Antônio da Luz, da consultoria Agromoney, um dos diferenciais da 3tentos está na maneira como cresceu: em vez de se concentrar em uma etapa de uma cadeia fragmentada, avançou para novas atividades – da distribuição de insumos à comercialização de grãos, aos serviços financeiros e à indústria. A origem da empresa no campo ajuda: seus dirigentes conhecem os prazos e a dinâmica de negociação dos produtores.
Há, porém, um risco externo, segundo o economista: juros altos e crédito restrito encarecem investimentos e tornam a robustez do caixa mais importante – algo que pesa numa companhia que abre lojas e amplia a indústria ao mesmo tempo. “O maior risco que vejo para a 3tentos é o cenário macroeconômico”, afirma Da Luz.
A profissionalização acompanha esse crescimento. Criada como empresa familiar, a 3tentos reforçou processos e estruturas de governança após a abertura de capital, em 2021. No ecossistema do grupo, o braço financeiro TentosCap ampliou a oferta de serviços financeiros ao produtor.
A próxima etapa será medida sobretudo pela execução: amadurecer as lojas abertas nos últimos anos, integrar novos mercados e transformar os investimentos industriais em crescimento rentável — sem perder a relação com o produtor que esteve na origem do negócio.
Ernesto Yoshida – Veja


.gif)

