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Setor de biodiesel comemora antecipação do B10

Cadeia do biodiesel comemora antecipação do B10 e espera um bom desempenho do setor no ano que vem. 
BiodieselBR.com 6 min de leitura
O B10 está a caminho. O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) colocou um fim em meses de expectativa ao decidiu que a mistura obrigatória vai mesmo saltar dos atuais 8% para 10% em março que vem – antecipando em um ano o que determinava a Lei 13.263/2016. Embora já fosse esperado há algum tempo, esse movimento ajudou a baixar o nível de ansiedade dentro do setor, que passou a ter mais motivos para acreditar em um excelente resultado em 2018.

O B10 está a caminho. O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) colocou um fim em meses de expectativa ao decidiu que a mistura obrigatória vai mesmo saltar dos atuais 8% para 10% em março que vem – antecipando em um ano o que determinava a Lei 13.263/2016. Embora já fosse esperado há algum tempo, esse movimento ajudou a baixar o nível de ansiedade dentro do setor, que passou a ter mais motivos para acreditar em um excelente resultado em 2018.

Pelas contas do setor, a mudança fará com que as usinas aumentem o volume de produção em 25%. A expectativa da União Brasileira de Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio) é que, em 2018, o país fabrique 5,4 bilhões de litros. Esse é o mesmo volume apresentado pela Aprobio e a Abiove durante a Conferência BiodieselBR deste ano.

Para tentar entender o que esperar do próximo ano, BiodieselBR.com foi a campo para conversar com representantes de fabricantes, distribuidores e fornecedores de insumos.

A seguir o leitor pode conferir um apanhado das visões desses atores:

A medida vem em boa hora, não só para ajudar a recuperação da indústria, mas também para mostrar o comprometimento brasileiro com os acordos internacionais para reduzir as emissões de gases de efeito estufa. Ao contrário de outros países, em que a transição energética para combustíveis limpos pode ser um problema, para o Brasil é uma oportunidade. (...) Novos investimentos em todos os elos da cadeia deverão vir conforme tenhamos previsibilidade para o B15 e o RenovaBio.
Donizete Tokarski, diretor superintendente da Ubrabio

É uma excelente notícia que reflete um trabalho conjunto de todas as entidades da cadeia produtiva e a confiança do governo federal. [Essa ampliação] aumentará a demanda por óleo de soja em cerca de 800 mil toneladas. (...) Embora a antecipação seja muito importante para trazer novos investimentos, vamos continuar trabalhando por uma agenda de melhoria na competitividade e previsibilidade de futuros aumentos da mistura.
Daniel Furlan, gerente de economia da Abiove

“A notícia é muito positiva e os benefícios virão em cadeia com expansão da produção, geração de novos empregos, crescimento na renda das famílias e benefícios para a agricultura familiar. (...) O Brasil também deixará de importar grandes volumes de diesel mineral e sairá na frente para atingir metas definidas no Acordo de Paris. (...) A única pergunta que fica é: até que ponto o país terá condições de garantir o abastecimento excedente quando a economia se recuperar.
Milton Steagall, presidente da Brasil BioFuels empresa controladora da AmazonBio

Vem no tempo correto e esperado. Nos últimos 10 leilões, o setor vem dando mostras da capacidade de suprir o consumo nacional de biodiesel acima do B8. [A ampliação] permitirá ao produtor melhorar suas performances operacionais, podendo, ao menos temporariamente, remunerar de maneira mais digna os investimentos. Além disso, temos benefícios pela substituição do diesel importado por um combustível limpo que gera renda e empregos localmente.
Antin Bianchini, diretor executivo da Bianchini

[A antecipação] foi oportuna para a Cesbra. Nossa nova direção enfrenta o desafio de manter a participação no mercado brasileiro de biodiesel. (...) Apenas sentimos necessidade uma maior regulação no tocante às pequenas usinas.
Carlos Ney Lima, diretor da Cesbra

[A antecipação] é uma vitória de um segmento vibrante e dinâmico que cada vez mais terá peso na economia nacional e será um marco importante (...) exigindo dos stakeholders novas abordagens. Na indústria do metanol, estamos preparados para este crescimento que vai consolidar o segmento do biodiesel como maior consumidor do insumo no país com cerca de 50% da demanda total. (...) Atualmente os fornecedores de metanol já tem capacidade de atender o B10, mas a perspectivas de futuras adições vai colocar pressão para a busca de novos espaços de armazenamento.
Sérgio Melchert, representante para o Mercosul, Southern Chemical Corporation (SCC)

Entendemos que essa antecipação foi muito positiva para todo setor, que vem pedindo por isso há algum tempo. Existe capacidade ociosa, matéria-prima disponível e mercado potencial. Isso sem mencionar a questão ambiental e social envolvida. Como distribuidores da Methanex [no Brasil] estamos bastante otimistas e não acreditamos que existam riscos em dar esse passo. Agora, esperamos que haja a definição de uma agenda de futuros aumentos da mistura.
Marcia Vieira, gerente de contas de metanol da QuantiQ

Apesar dos transtornos, as Associadas do Brasilcom estão prontas para operar com B10 a partir de março de 2018. Persiste, entretanto, a preocupação com os testes que ainda estão sendo realizados pelos representantes da indústria automobilística. Nossa maior preocupação, além da questão da qualidade do diesel, é com a pressão dos produtores por aumentos além da capacidade técnica e de investimentos no setor de distribuição. Temos sido bastante claros em nossa posição de apoiar o aumento gradual da mistura de biodiesel, enquanto econômica e tecnicamente viável, mas sempre com um cronograma firme.
Sergio Massillon, diretor institucional do Brasilcom

É uma ótima notícia para o Brasil todo do ponto de vista da redução dos gases de efeito estufa como da independência energética do pais ao reduzindo a importação de diesel. Do ponto de vista do metilato de sódio, esperamos um aumento na demanda da ordem de 25%. Isso vai exigir melhor planejamento, porque ficar apenas com o fornecimento spot vai ser mais arriscado do que era no passado
Eric Reitano, regional business manager da Evonik

A antecipação do B10 é um passo importante não somente para a indústria, mas, principalmente, para o Brasil, através da geração de empregos, redução na dependência do diesel e contribuição direta para o atingimento das metas de emissões de gases de efeito estufa. A BASF conta com produção de metilato de sódio em Guaratinguetá (SP) que atende parte significativa do mercado e já estamos nos preparando para a nova demanda. Entendemos que o aumento da mistura em março do próximo ano dá tempo suficiente de preparação para esse maior fluxo de materiais. Alejandro Bossio, gerente sênior de metilato de sódio da BASF para a América do Sul

A antecipação do B10 para março de 2018 é positiva tanto para setor quanto para a sociedade uma vez que a indústria do biodiesel é fundamental para a agregação de valor aos produtos do agronegócio brasileiro. (...) Mas o setor precisa ampliar o escopo de suas discussões para além dos novos aumento de mistura porque, como a história do setor mostra, os aumentos de mistura encorajam investimentos em capacidade o que, no médio prazo, leva o setor a se manter sobre-ofertado.
Daniel Goulart, sócio Vedana & Goulart Consultoria

Edição em 21 de novembro - acrescentada participação da Basf.

Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com
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