Com 70% do mercado de distribuição nas mãos de apenas 3 empresas, usinas ficam expostas à pressão por parte
O novo mercado de biodiesel ‘desfavorece enormemente’ as usinas. Este foi um dos alertas feitos pela economista e secretaria estadual de Economia de Goiás, Cristiane Alkmin, em sua participação nas discussões da Biodiesel Week. Organizado pela Ubrabio, a 3ª edição do evento foi aberto ontem (10) em Brasília e acontece até essa sexta-feira (12).
Na virada do ano passado para este, o setor de biodiesel passou por uma das mais radicais – e controversas –- mudanças de toda sua história quando o governo seguiu com o plano de descontinuar o sistema de leilões públicos por meio dos quais todo o biodiesel consumido no mercado nacional vinha sendo comercializado desde os primeiros dias do Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel (PNPB). Ele foi substituído por um sistema de livre contratação desenhado pela ANP
Desnecessário
Embora Cristiane concorde que os leilões já não faziam mais tanto sentido quando no começo do programa para estimular a competição entre os fabricantes uma vez que o setor havia se tornado bastante desconcentrado – das 57 usinas autorizadas apenas duas têm market share superior a 6% e nenhum dos grupos empresariais atuantes no setor tem mais de 14% do mercado. A economista avalia que ele protegia as usinas de uma outra falha de mercado vinda da concentração no mercado de distribuição.
O novo mercado de biodiesel ‘desfavorece enormemente’ as usinas. Este foi um dos alertas feitos pela economista e secretaria estadual de Economia de Goiás, Cristiane Alkmin, em sua participação nas discussões da Biodiesel Week. Organizado pela Ubrabio, a 3ª edição do evento foi aberto ontem (10) em Brasília e acontece até essa sexta-feira (12).
Na virada do ano passado para este, o setor de biodiesel passou por uma das mais radicais – e controversas –- mudanças de toda sua história quando o governo seguiu com o plano de descontinuar o sistema de leilões públicos por meio dos quais todo o biodiesel consumido no mercado nacional vinha sendo comercializado desde os primeiros dias do Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel (PNPB). Ele foi substituído por um sistema de livre contratação desenhado pela ANP
Desnecessário
Embora Cristiane concorde que os leilões já não faziam mais tanto sentido quando no começo do programa para estimular a competição entre os fabricantes uma vez que o setor havia se tornado bastante desconcentrado – das 57 usinas autorizadas apenas duas têm market share superior a 6% e nenhum dos grupos empresariais atuantes no setor tem mais de 14% do mercado. A economista avalia que ele protegia as usinas de uma outra falha de mercado vinda da concentração no mercado de distribuição.
Apenas três distribuidoras – Vibra, Ipiranga e Raízen – concentram cerca de 70% do mercado de óleo diesel no Brasil o que configura, segundo a economista, uma situação de ‘oligopsônio’ – termo da teoria econômica que descreve quando um mercado tem poucos compradores e muitos vendedores. “Apresar de teoricamente os leilões não fizesse mais sentido [para estimular a competição entre as usinas], a Petrobras minimizava uma falha de mercado porque há um poder de mercado do demandante”, resume.
Uma evidência de que essa concentração do poder de compra pode já estar afetando o setor está na relação entre os preços do biodiesel e os preços do óleo vegetal que caíram de 1,02 para 0,77. “Isso pode já estar sendo causado por essa situação de oligopsônio”, alerta
Além desta situação que cria um desafio para a viabilidade do negócio das usinas, Cristiane aponta outros pontos problemáticos no novo sistema de comercialização como a dificuldade em atender às metas de contração exigidos pela ANP num momento em que o setor amarga níveis de ociosidade maiores que 50% e a menor previsibilidade em relação à oferta e a demanda. “Antes o leilão explicitava (...) a demanda das distribuidoras e a oferta [das usinas]. Tinha um prazo que todo mundo sabia e traçava suas estratégias. Agora não é mais assim”, ressalta.
Por fim, há um maior risco de sonegação. “Antes não tinha no biodiesel tão grande quanto em outros produtos porque tinha os leilões”, avalia dizendo que o sigilo fiscal dificulta a fiscalização.
Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com