Para reduzir incertezas relacionadas ao impacto da Covid-19 sobre o mercado de diesel, distribuidoras querem adiamento mais longo do leilão de biodiesel; usinas alertam para impacto sobre a cadeia
Embora o setor de biodiesel não tenha parado por causa do coronavírus, ele tampouco está a salvo das ondas de choque com as quais a pandemia vem chacoalhando a combalida economia brasileira. A prova disso veio na tarde deste último sábado (04) quando a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) anunciou que a abertura do 72º Leilão de Biodiesel não aconteceria mais nessa segunda-feira (06) conforme o mercado esperava desde o começo do mês passado.
Mesmo sendo uma situação bastante incomum, a decisão da agência não chegou a causar a comoção que – em tempos normais – teria provocado entre os fabricantes. De certo modo, representantes dos produtores dizem que a bola já vinha sendo cantada. “As distribuidoras já vinham pedindo esse adiamento, a própria ANP já tinha nos dito que seria importante adiar um pouco”, confidencia André Nassar, presidente-executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove).
“A gente já imaginava que algo assim poderia acontecer”, confirma o presidente do conselho da Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil (Aprobio) e sócio da BSBios, Erasmo Carlos Battistella, informando que o governo federal vem conduzindo uma série de interlocuções com empresas de toda a cadeia para discutir o abastecimento de combustíveis.
Embora o setor de biodiesel não tenha parado por causa do coronavírus, ele tampouco está a salvo das ondas de choque com as quais a pandemia vem chacoalhando a combalida economia brasileira. A prova disso veio na tarde deste último sábado (04) quando a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) anunciou que a abertura do 72º Leilão de Biodiesel não aconteceria mais nessa segunda-feira (06) conforme o mercado esperava desde o começo do mês passado.
Mesmo sendo uma situação bastante incomum, a decisão da agência não chegou a causar a comoção que – em tempos normais – teria provocado entre os fabricantes. De certo modo, representantes dos produtores dizem que a bola já vinha sendo cantada. “As distribuidoras já vinham pedindo esse adiamento, a própria ANP já tinha nos dito que seria importante adiar um pouco”, confidencia André Nassar, presidente-executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove).
“A gente já imaginava que algo assim poderia acontecer”, confirma o presidente do conselho da Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil (Aprobio) e sócio da BSBios, Erasmo Carlos Battistella, informando que o governo federal vem conduzindo uma série de interlocuções com empresas de toda a cadeia para discutir o abastecimento de combustíveis.
A ANP não chegou a confirmar que a suspensão atenda a um pedido das distribuidoras. Quando foi diretamente questionada por BiodieselBR.com sobre os motivos da suspensão, a agência desconversou dizendo ter recebido “manifestações de produtores, distribuidores e órgãos do governo” sem especificar nem de onde partiram tais manifestações e nem seu teor.
Já o Sindicato Nacional das Empresas Distribuidores de Combustíveis e de Lubrificantes (Sindicom) é mais aberto e confirmou à reportagem que fez gestões nesse sentido junto à ANP. “A gente levou essa solicitação à ANP. Infelizmente, foi algo que tivemos que fazer”, confirmou Leonardo Botelho Zilio, secretário geral da entidade que representa as maiores distribuidoras de combustíveis do país. “Foi uma solicitação conjuntural em função de um período completamente anômalo”, complementa.
A Associação das Distribuidoras de Combustíveis (Brasilcom) também relata que apresentou a demanda em “reuniões com representantes da ANP, do MME e com produtores”.
Bola de cristal turva
O nó central, de acordo com Zílio, foi erosão na capacidade das distribuidoras de projetarem a demanda para os próximos meses.
Até o Leilão 25, a quantidade de biodiesel a ser adquirida em cada certame era pré-fixada pela ANP. Do L26 em diante, as distribuidoras passaram a ter total autonomia para comprar o volume de biodiesel necessário para atender ao percentual de mistura obrigatória. Isso, evidentemente, depende da capacidade dessas empresas de prever o futuro com o máximo de precisão possível. O que fazer quando, então, quando essa bola de cristal fica turva?
“O mercado de biodiesel se beneficia de uma previsibilidade tremenda porque sabe quando vai vender com dois meses de antecedência. Só que isso exige que uma parte da cadeia, as distribuidoras, tenha que fazer projeções”, diz Leonardo. “Estamos operando com uma insegurança tremenda (...) ninguém está conseguindo prever o vai acontecer na semana que vem o que dirá em maio e junho”, complementa.
Para complicar ainda mais a questão, os impactos do coronavírus sobre o consumo de combustíveis não se distribuem de forma homogênea pelo país. “Com base no compilado que fazemos de dados do mercado, nossa estimativa é que, dependendo da região, a queda nas vendas está entre 25% até 70%. A gente não sabe onde e quando as medidas de restrição dos estados podem variar e operadores que atuam em áreas metropolitanas também tem sido muito afetados”, segue secretário do Sindicom.
Aproximar o leilão do período de entregas, portanto, seria uma forma de tentar reduzir os níveis de incerteza envolvidos no processo. “Por isso a proposta do Sindicom de adiar o leilão”, explica Leonardo.
Além da imprevisibilidade do mercado futuro, a Brasilcom relata que – em função da queda expressiva na demanda – muitas de suas associadas estão chegando ao L72 ainda carregando estoques significativos de biodiesel do leilão passado. “Sem saber como se comportará o mercado, isso potencializa prejuízos significativos, ameaçando, inclusive, a sobrevivência de empresas de menor porte que são fundamentais para a competitividade do mercado”, explica o diretor institucional da Brasilcom, Sergio Massillon.
Questão de tempo
É nesse ponto em que os interesses de distribuidoras e usinas se distanciam de forma mais exacerbada.
Para as distribuidoras o melhor seria manter o leilão em suspenso pelo tempo que for possível. “Quanto mais der para esperar, melhor. Assim ficamos mais perto do cenário futuro”, diz Leonardo para quem o Leilão 72 poderia muito bem ficar para a segunda quinzena de abril. “Desde que respeitados os prazos de homologação dos contratos porque em maio precisamos ter entregas”, pondera.
Não é uma ideia que agrade aos produtores para quem o certame deveria acontecer na próxima semana. Em nota, a União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio) foi incisiva. “É imprescindível que o L72 prossiga na próxima semana”, diz a entidade.
“Não vemos razão para que seja mais longo que isso”, também defende André Nassar da Abiove. “Um adiamento até o final do mês criaria uma incerteza enorme para os fabricantes um dos motivos do leilão de biodiesel acontecer com tanta antecedência é que precisamos montar nossas posições comprando soja e travar os preços”, diz destacando que o resultado o leilão de biodiesel é fundamental para ajustar a atividade das indústrias que fazem o esmagamento de soja.
Para as usinas de menor porte uma suspensão muito longa seria particularmente dolorida. “O leilão não pode passar da semana que vem senão as pequenas [usinas] não vão conseguir vender (...) quanto mais demora, mais perda de valor a gente tem”, reclama o gestor da Unibras, Moacir Luft.
Ainda não existe um posicionamento oficial da ANP de quando o leilão será retomado – até o fechamento deste texto o novo cronograma do processo ainda não havia sido publicado. Mas a agência respondeu à questionamento de Biodieselbr.com de que tende a se alinhar com os fabricantes nessa questão.
Se for aberto nessa segunda-feira (13) e seguir o rito normal, o processo como um todo – inclusive o Leilão de Estoques 72 – seria finalizado até o dia 22.
Possível retomada
Além disso, Erasmo ressalta que o mercado de diesel vem sofrendo relativamente menos com a desaceleração econômica causada pelo coronavírus do que o de gasolina e etanol – dados da Ipiranga mostram queda de 33% nas vendas de diesel e de 63% nas de gasolina na última semana de março. “No próximo bimestre teremos a necessidade de começar a retomada da economia, claro que tomando todo o cuidado e seguindo as orientações do governo federal então devemos ter mercado de diesel mais próximo da normalidade”, elabora.
Segundo André, o risco para as distribuidoras pode não ser tão grande quanto parece. “As distribuidoras não vão errar para mais e se elas errarem para menos temos ferramentas para resolver, como o leilão de estoque”, pontua.
Flexibilidade maior
Para reduzir os riscos das distribuidoras, Erasmo Battistella sinaliza que a Aprobio está disposta a flexibilizar os contratos no próximo bimestre. Hoje, as distribuidoras têm que buscar 95% do biodiesel que adquirem no leilão ou pagarem multa de 10% sobre o preço do volume que não tiver sido retirado. “Como o L72 será um leilão excepcional, poderíamos flexibilizar um pouco a cláusula de retiradas para o mínimo de 90% voltando à normalidade no L73”, aponta o entrevistado.
A Ubrabio também ressalta que quaisquer condições excepcionais na comercialização do biodiesel “sejam consideradas apenas para esse leilão”.
Já a Abiove não parece estar tão disposta a flexibilizar a regra de entregas no L72. Segundo André Nassar, as entregas do mês de abril foram mais incertas do que as de maio e junho deverão ser. “Em função dessa queda comprovada na demanda de diesel a gente poderia fazer uma flexibilização da regra desde que devidamente monitorada”, sugere.
Aconteça o que acontecer nas negociações entre usinas e distribuidoras, as usinas parecem ter fechado questão em torno das compras de biodiesel serem integramente feitas durante as etapas regulares do L72. “Afastamos radicalmente a possibilidade de um leilão complementar, o que desestabilizaria todo o processo”, informa a nota da Ubrabio.
É a mesma opinião de Erasmo Battistella. “Somos contra o leilão complementar. Os volumes de biodiesel devem ser negociados durante as etapas regulamentares dos leilões”, diz.
Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com