Glicerina

Projeto usa glicerina para aumentar eficiência de defensivos agrícolas


Minuto MT - 23 nov 2020 - 14:29

A glicerina coproduto do processo produtivo do biodiesel ganhou uma nova aplicação no agronegócio. Esse é o resultado do Projeto Bio Vida que foi desenvolvido ao longo dos dois últimos anos por uma parceria entre o Instituto Senai de Tecnologia Química, o Instituto Senai de Tecnologia em Mato Grosso e a fabricante de biodiesel Bio Vida de Várzea Grande (MT). O projeto foi aprovado no Edital Senai de Inovação para a Indústria, de 2017.

A ideia é usar a glicerina na aplicação de defensivos agrícolas – pesticidas e herbicidas – de forma a aumentar o tempo de ação desses produtos.

Em primeiro lugar, o produto é 100% biodegradável, de fonte renovável e pode substituir os produtos existentes a base de derivados de petróleo, com custo 60% menor para o consumidor. “A empresa Bio Vida é produtora de biodiesel e tem na geração da glicerina um grande problema, principalmente pelo volume gerado”, conta Luiz Cláudio de Melo Costa, pesquisador do CIT Senais.

Para o pesquisador mineiro, o principal impacto é a redução do consumo desses defensivos agrícolas, diminuindo o impacto ambiental e também os custos. Dessa forma, “O projeto permitirá o consumo de parte da glicerina gerada pelo setor”, explica.

Agregar valor ao produto

De acordo com Costa, a geração de glicerina em 2019 foi de 493 milhões de litros, o que equivale de 5% a 6% da produção de biodiesel. “E esse volume gerado é muito superior à demanda interna de glicerina na indústria cosmética e cuidados pessoais”, afirma.

“Transformar um subproduto em um produto de valor agregado representa não somente reposicionamento no mercado, mas eficiência operacional, sustentabilidade do negócio e ganho de lucratividade para a empresa”, afirma Layla Leão Lima Teixeira, gerente do Instituto SENAI de Tecnologia em Mato Grosso.

Layla pontua que a destinação correta para os resíduos da produção de biodiesel é um desafio para grande parte das empresas do setor. “Entretanto, o projeto BioVida tornou isso possível e demonstra a eficiência da colaboração entre os dois estados em processos inovadores para a indústria”, finaliza a gestora.