BiodieselBR
Publicidade

Glicerina kosher pode ser oportunidade para usinas brasileiras

A glicerina kosher pode ser uma oportunidade pouco observada para engordar o faturamento das usinas brasileiras com seu principal coproduto.
BiodieselBR.com 3 min de leitura
Relativamente menos conhecidos no mercado brasileiro, os produtos kosher (termo no idioma ídiche que significa “permitido”) são fabricados atendendo às rígidas regras de alimentação seguidas pelos judeus ortodoxos. Isso inclui a glicerina coproduto de biodiesel.

Relativamente menos conhecidos no mercado brasileiro, os produtos kosher (termo no idioma ídiche que significa “permitido”) são fabricados atendendo às rígidas regras de alimentação seguidas pelos judeus ortodoxos. Isso inclui a glicerina coproduto de biodiesel.

Segundo Moisés Rocha, diretor executivo da Prisma Brasil, a glicerina kosher não é tecnicamente diferente do produto destilado de grau alimentício e/ou farmacêutico. “Na prática, a certificação é obtida por meio de auditoria na planta [para comprovar] que ela é isenta de qualquer contaminação com matérias-primas de origem animal”, diz. A maior exigência é que o produto final seja 100% de origem vegetal.

É onde as usinas brasileiras enfrentam uma certa dificuldade em se colocar nesse segmento. No primeiro semestre do ano cerca de um quinto de todo o biodiesel fabricado no país foi produzido a partir de sebo bovino o que torna a glicerina oriunda desse biodiesel inaceitável. Apesar disso, segundo Moisés, o país conta com usinas devidamente certificadas.

O mercado paga um prêmio pelo produto embora esse valor não seja fixo. “É uma questão de oferta e demanda, se a produção for pouca e a demanda estiver aquecida, a tendência é que os preços do produto certificado aumentem”, explica sem mencionar o valor médio desse prêmio. E, caso o mercado kosher não esteja num período dos mais aquecidos, o certificado também é aceito para comprovar que o produto é 100% de origem vegetal – o que sempre tem mais facilidade de venda. “Nem todos os importadores que solicitam o certificado kosher têm, de fato, necessidade dessa certificação”, completa.

Segundo a agência de notícias especializada no mercado de produtos químicos, ICIS, o mercado passa por um momento de alta na demanda por glicerina kosher bruta criada pelo aumento de capacidade de refino certificada nos Estados Unidos. “Não há glicerina kosher bruta o suficiente nos EUA e os compradores terão que importar para manterem sua produção”, reportou a agência citando fontes de mercado como origem da informação.

Entrar ou não nesse mercado é um balanço complexo que precisa ser feito individualmente por cada usina de biodiesel. “A usina deve calcular os efeitos causados pelo uso do sebo e demais matérias-primas em seus produtos, mas nenhum planejamento de negócio no biodiesel deveria pautar-se pelas consequências causadas em um coproduto que representa não mais que 12% do volume total”, arremata o executivo.

Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com
Compartilhar: