Política

Lula aconselha usinas de biodiesel a se aproximarem de Dilma Rousseff


BiodieselBR.com - 02 ago 2012 - 16:01 - Última atualização em: 03 ago 2012 - 09:45
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Durante cerimônia de aniversário da Aprobio e Ubrabio, sorridente, o ex-presidente Lula discursou por cerca de 30 minutos.

Lula aconselhou os produtores de biodiesel a se aproximarem do governo Dilma Rousseff para mostrar os avanços do setor. Ele disse acreditar que ela tem uma visão semelhante a dele sobre a produção de biocombustível. “Se tem uma coisa que nós precisamos melhorar é a qualidade do ar da cidade onde moramos. Nós temos um produto. É só tomar uma decisão e, para tomar decisão, é preciso convencimento”, declarou.

Para ele, a descoberta do pré-sal não reduz o “apetite” para a produção do biocombustível. “O programa foi feito para crescer. Mesmo depois que nós encontramos o pré-sal e vamos ter muito mais óleo diesel. Isso não diminui a nossa vontade de produzir um combustível alternativo e menos poluente”, disse.

Embora o setor não tenha feito cobranças durante o evento, o ex-presidente disse saber que conhece a reivindicação dos empresários, que é um aumento na porcentagem obrigatória da mistura do biocombustível no diesel, determinado pelo governo. Lula afirmou que considera legítima a demanda. "Eu sei que vocês sonham com 7%, com 10%", comentou.

“Se aumentar para 7%, vocês não vão se contentar e vão começar a pensar em 10%. Aumentando para 10%, vocês não vão se contentar e vão pensar em 15% ou 20%. Essa é a lógica do programa. O que não podem é ter preocupação e medo de reivindicar”, disse.

"A companheira Dilma tem as mesmas vontades que nós temos. Então tratem de conversar com a Dilma. Quem não chora, não mama", aconselhou.

Matérias-primas
O ex-presidente disse também que o programa brasileiro de biodiesel "não tem retorno" e que a grande aposta de matéria-prima é o dendê, referindo-se à palma, hoje estimulada através de um programa específico.

Lula lembrou que a busca por uma matéria-prima ideal começou pela mamona, passou pelo pinhão manso, que está sendo aprimorado pela Embrapa, e agora está no dendê. Ao agradecer a homenagem das associações, Lula ressaltou o papel importante que o ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues teve na elaboração de todo o programa do biodiesel.

O presidente da Petrobras Biocombustível, Miguel Rossetto, ressaltou, durante o evento, o papel que o governo Lula teve na construção do projeto do biodiesel, que envolveu o zoneamento agroecológico e a busca de matérias-primas e processos sustentáveis - tudo vinculado a um programa social que gerou emprego ao mesmo tempo em que ofereceu um modelo alternativo de produção de energia.

Homenagem
Durante todo o compromisso em São Paulo, Lula se mostrou bem-humorado e falou de temas gerais da política brasileira. Ao comentar a expectativa sobre seu retorno político, ele afirmou que sua meta é apoiar a reeleição de Dilma e ouviu de empresários o pedido para que voltasse ao Palácio do Planalto, o que ele rechaçou de imediato. "Eu não preciso voltar eu já voltei. Não vou parar (por causa do câncer na laringe). Estou aqui inteiraço para ajudar a Dilma ser eleita mais uma vez", afirmou o ex-presidente.

Lula também brincou com os presentes ao dizer que se preocupou em se arrumar de manhã para não passar a imagem de uma pessoa doente. Irônico, o ex-presidente afirmou que, com o emagrecimento durante o tratamento, ficou com mais papo e que a sobra de pele poderia ser doada ao programa de biocombustível. “Eu vim bonito para mostrar que eu tenho mais barba do que tinha quando eu era presidente. Se eu não conseguir tirar esse papo com o tempo ou com drenagem, eu vou cedê-lo ao biocombustível”, disse o ex-presidente, arrancando gargalhadas da plateia.

Oito anos de governo
Lula aproveitou o encontro para destacar os feitos de seus oito anos de governo, entre eles, os programas Bolsa Família e Luz para Todos, e disse que o Brasil criou "uma Argentina de consumidores", em referência à ascendência de brasileiros à classe média. "Esse País chegou a um patamar que nunca tinha vivido", afirmou. Ao mencionar a crise financeira internacional, o ex-presidente disse que o País vive um momento diferente de nações como Estados Unidos e os do bloco europeu. "Podem estar certos de que o País vai terminar o ano crescendo", concluiu.

Com informações do G1 e Agência Estado