Política

Governo deve aguardar estabilização de preços para ajustar prêmios de diesel e gasolina


Agência Estado - 19 fev 2016 - 15:49

O diretor da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) Waldyr Barroso afirmou nesta sexta-feira que o governo tende a aguardar uma estabilização dos preços globais do petróleo e seus derivados para então promover ajustes nos prêmios internos da gasolina e do diesel em relação ao mercado internacional. "Acho que (o governo) só vai tomar ação depois que observar previsibilidade no valor", disse Barroso durante evento da Câmara de Comércio dos Estados Unidos (Amcham), em São Paulo.

Segundo ele, a expectativa de participantes do setor é de uma elevação gradual das cotações para o intervalo de US$ 50 a US$ 60 o barril em um horizonte de até cinco anos.

Barroso acrescentou que a decisão do governo de manter os preços da gasolina e do diesel elevados em relação aos níveis praticados no exterior não se deve necessariamente à situação de caixa limitado e endividamento alto da Petrobras. "Eu acredito que não seja por isso, porque no passado recente já observamos uma situação adversa, com os derivados no mercado internacional em patamares superiores aos preços domésticos", afirmou.

O diretor da ANP ressaltou, ainda, que reajuste nos preços combustíveis é um procedimento complexo porque compromete a inflação, tendo desdobramentos macroeconômicos.

Barril para águas ultraprofundas
O coordenador de projetos da Fundação Getúlio Vargas, Otavio Mielnik, também presente ao evento, estima que o barril de petróleo deva custar pelo menos US$ 60 o barril para que a exploração em águas ultraprofundas seja rentável. De acordo com ele, a dramática trajetória de queda das cotações internacionais da commodity de US$ 100 o barril para cerca de US$ 30 o barril é uma reação do mercado global ao súbito acréscimo de preço em 2008, o que encorajou os produtores a expandir os volumes disponibilizados ao mercado nos anos subsequentes.

Mielnik ressaltou, ainda, que a revolução do gás de xisto (shale gas) nos Estados Unidos reduziu a influência da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), permitindo que os norte-americanos colocassem no mercado mais 4 milhões de barris por dia entre 2011 e 2014. "Os produtores de xisto dos EUA têm uma versatilidade muito grande e conseguem se ajustar ao preço menor e continuar produzindo", explicou.

Na avaliação dele, o atual cenário de cotações mais baixas deve intensificar um movimento de fusões e aquisições no setor de petróleo e gás. "Essa é a principal tendência decorrente da situação de preço baixo, o que deve ter impacto na atividade econômica", afirmou Mielnik.

Agência Estado