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Qual deve ser a demanda de biodiesel no último bimestre de 2020

Análise do balando entre oferta e demanda dos resultados dos leilões de biodiesel passados dão pistas sobre o nível de mistura que pode ser adotado no L76 sem pressionar os preços finais do biodiesel

BiodieselBR.com 7 min de leitura

ANP paralisou ontem (05) o 76º Leilão de Biodiesel depois que foram divulgados os volumes ofertados pelas usinas para decidir qual será a mistura de biodiesel. Essa decisão poderia ter sido tomada e comunicada ontem mesmo, mas, pelo que parece, ela vai levar alguns dias.

Como a decisão ainda não foi tomada, cabe tentar ajudar a agência a tomar a melhor decisão. Para isso, usaremos as informações do BiodieselDATA para chegar em uma demanda, além de ser menor que a oferta, garanta a competição entre as usinas sem pagar ágios excessivamente altos sobre o preço inicial das ofertas.

Para chegar nesse valor, é preciso saber a oferta de biodiesel, o consumo esperado e o limite na relação de oferta e demanda nos leilões que garante competitividade e pouco ágio sobre o preço inicial das usinas. O volume ofertado de biodiesel todos já sabem – é de 1.208.200 m³. É um volume recorde para o 6º bimestre do ano. A próxima variável que precisa ser definida é a demanda esperada.

Calcular quanto diesel vai ser consumido nunca foi uma tarefa das mais fáceis, mas em ano de pandemia fica especialmente difícil. Apesar de mais chances de errar, a forma de fazer conta em si não muda. Resumidamente, pegamos o consumo de diesel do ano passado e aplicamos sobre esse número um acréscimo ou decréscimo – de acordo com a conjuntura do país.

A ANP paralisou ontem (05) o 76º Leilão de Biodiesel depois que foram divulgados os volumes ofertados pelas usinas para decidir qual será a mistura de biodiesel. Essa decisão poderia ter sido tomada e comunicada ontem mesmo, mas, pelo que parece, ela vai levar alguns dias.

Como a decisão ainda não foi tomada, cabe tentar ajudar a agência a tomar a melhor decisão. Para isso, usaremos as informações do BiodieselDATA para chegar em uma demanda, além de ser menor que a oferta, garanta a competição entre as usinas sem pagar ágios excessivamente altos sobre o preço inicial das ofertas.

Para chegar nesse valor, é preciso saber a oferta de biodiesel, o consumo esperado e o limite na relação de oferta e demanda nos leilões que garante competitividade e pouco ágio sobre o preço inicial das usinas. O volume ofertado de biodiesel todos já sabem – é de 1.208.200 m³. É um volume recorde para o 6º bimestre do ano. A próxima variável que precisa ser definida é a demanda esperada.

Calcular quanto diesel vai ser consumido nunca foi uma tarefa das mais fáceis, mas em ano de pandemia fica especialmente difícil. Apesar de mais chances de errar, a forma de fazer conta em si não muda. Resumidamente, pegamos o consumo de diesel do ano passado e aplicamos sobre esse número um acréscimo ou decréscimo – de acordo com a conjuntura do país.

Ano passado foram consumidos 9,1 bilhões de litros de diesel no 6º bimestre. Esse ano a expectativa é que o volume seja igual ou maior que o ano passado. A discussão sobre quão maior pode se estender bastante, mas os números mais comuns dentro do mercado variam entre 0,1% até 5%. Qualquer aposta dentro dessa faixa tem chances quase iguais de acerto . É nessa faixa, portanto, que qualquer projeção de demanda sensata para o L76 deve trabalhar.

E estamos deixando de fora a possibilidade das distribuidoras terem comprado mais biodiesel que precisavam no L75 e, consequentemente, comprem menos agora. O mês de setembro terminou com a retirada de 93,8% do total que deveria ser retirado.

Então já temos a oferta e algumas pistas sobre a demanda. Agora temos que analisar qual é o limite salutar entre a oferta e a demanda nos leilões. Existem várias formas de fazer essa análise, mas a mais efetiva encontrada foi cruzar as informações do percentual das ofertas que foram compradas, com o ágio do preço inicial sobre o PMR (que é sempre um deságio) e com o ágio do preço final de cada leilão.

A análise desses dados é muito efetiva porque por trás de cada um desses números há uma série de fatores. No percentual de ofertas que foram compradas sabemos se faltou ou sobrou biodiesel; no ágio do preço inicial, conseguimos ver qual a expectativa das usinas quanto a demanda de biodiesel, quanto menor o ágio (mais negativo) menor é o percentual que as usinas esperam que sejam comprados; e o ágio sobre o preço final mostra como foi a competição pelo biodiesel ofertado. Se o ágio final é muito maior que o ágio inicial é sinal que a disputa por biodiesel entre as distribuidoras foi mais intensa e a competição entre as usinas menor.

Cruzando todas essas informações chegamos na tabela abaixo:

20201006 L76Mistura TABELA

A tabela mostra três cenários de demanda de diesel e para cada um deles a demanda de B10, B11 e B12. A primeira parte da tabela é apresentada a demanda de diesel e biodiesel para o 6º bimestre de 2020. Na segunda parte temos quanto seria comprado de biodiesel, já que as distribuidoras compram cerca de 3% mais do que realmente vão precisar. As duas partes seguintes mostram o cruzamento dessa projeção com a oferta de 1.208.200 m³

Vemos que em nenhum dos cenários a demanda fica maior que a oferta. Mas, se houver um crescimento de 5%, com o B12, a demanda chega em 97,7% do volume ofertado. Sobrariam apenas 28 mil m³. Se não houver crescimento no mercado de diesel, a demanda de B12 preencheria 93% da oferta, deixando sobrar 84 mil m³. Com B11 e B10 o cenário é de uma folga ainda maior.

Com esses percentuais de venda do volume ofertado é possível analisar o que acontecerá no L76 se compararmos com o que aconteceu nos leilões anteriores. Para isso foi montado um gráfico com todos os leilões regulares desde 2017. Nele foram cruzados os dados de percentual das ofertas que foram compradas, o ágio inicial e final das ofertas das usinas. Todos esses dados são filtráveis e disponíveis nesta tabela do BiodieselDATA

20201006 L76Mistura GRAFICO

A correlação entre o percentual das ofertas compradas e o ágio é evidente. Mesmo sem o gráfico todos diriam isso. O que o gráfico mostra é que quando as compras ficam abaixo de 90% da oferta, o impacto no preço final do biodiesel é pequeno. Esse número começa subir lentamente dos 90% até os 95% e depois dos 95% sobe rapidamente.

Com essa informação em mãos vamos ver qual percentual de mistura pode ser negociado sem afetar negativamente o preço para o consumidor.

Com B12, em qualquer dos cenários a demanda fica acima dos 90%. Com um crescimento de 2,5% no mercado de diesel a demanda já passa dos 95%, o que causaria um ágio mais elevado no preço final do biodiesel. E com 5% de crescimento seriam comprados 97,7% das ofertas, um número muito alto para o atual cenário do setor

Com B10, mesmo com um crescimento de 5% sobraria muito biodiesel. Seriam 225 mil m³ de sobra no melhor dos cenários. Por mais que as distribuidoras estejam querendo que sobre biodiesel, reduzir a mistura por medo de faltar biodiesel e apenas 81,4% de toda a oferta ser comprada chega a ser exagero. Esse melhor cenário de B10 é equivalente ao percentual comprado no L72, onde o ágio inicial e o ágio final dos preços das usinas ficaram praticamente idênticos.

Os cenários com B11 são os que apresentam o melhor balanço para usinas e distribuidoras. Sem crescimento nenhum sobre o 6º bimestre de 2019 seriam comprados 85,3% do total de ofertas e com o crescimento de 5% seriam 89,6%. Ou seja, mesmo acreditando em um crescimento no consumo de diesel não visto esse ano, a barreira dos 90% de compras sobre o ofertado não seria sequer alcançada.

Esse leilão pode ser o começo do fim de uma bagunça que começou no L72. Ou pode ser só mais um capítulo. Quem vai decide qual dos dois caminhos será a ANP.

Miguel Angelo Vedana – BiodieselBR.com

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