O baixo volume de biodiesel negociado no último Leilão da ANP também pegou as usinas de surpresa. Saiba o que elas acharam do resultado do certame.
BiodieselBR.com ··3 min de leitura
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O baixo volume de biodiesel negociado no último Leilão de Biodiesel da ANP – 463,8 milhões de litros, a menor compra desde que os certames adquiriram o formato atual – também pegou as usinas de biodiesel de surpresa. “Fiquei surpreso com o volume negociado e com o tempo que levou para conseguir equalizar os preços”, reclama Elcio Angelis, gerente comercial da Cargill.
Na visão do entrevistado, contudo, nem tudo foi negativo. “Os preços [médios pagos pelo biodiesel] acabaram sendo superiores a minha expectativa”, disse o executivo.
O baixo volume de biodiesel negociado no último Leilão de Biodiesel da ANP – 463,8 milhões de litros, a menor compra desde que os certames adquiriram o formato atual – também pegou as usinas de biodiesel de surpresa. “Fiquei surpreso com o volume negociado e com o tempo que levou para conseguir equalizar os preços”, reclama Elcio Angelis, gerente comercial da Cargill.
Na visão do entrevistado, contudo, nem tudo foi negativo. “Os preços [médios pagos pelo biodiesel] acabaram sendo superiores a minha expectativa”, disse o executivo.
A obtenção de maior ágio pelas usinas, porém, não significa que o resultado global do leilão tenha sido bom na opinião de Angelis. “As margens continuam pressionadas, ruins, mas ficaram um pouco acima das do leilão passado”, ressaltou o gerente da Cargill. “O que não quer dizer que elas nos deixaram felizes”, completa.
E dá para entender o porquê: dos 32 milhões de litros disponibilizados para a compra no L36, a Cargill conseguiu vender 28 milhões – cerca de 87% do que foi ofertado – a um preço médio de R$ 1,89 o litro. Já no certame anterior (L35), a Cargill vendeu 31 milhões – de 35 milhões ofertados – a um preço médio de R$ 1,94 o litro.
Mesmo sendo ruim no balanço geral, o desfecho do L36 contrariou o prognóstico do gerente comercial da Cargill, que antecipava uma performance ainda mais decepcionante. “Eu esperava um cenário pior, com mais disputa, maior volume oferecido e preços menores. Esse [o L36] foi um pouquinho acima das minhas expectativas”, avalia Angelis.
Crise Dentre os fatores que podem ter implicado na queda brusca do volume de biodiesel comprado neste último leilão, uma retração atípica do mercado de diesel desponta como uma das apostas preferenciais das fontes ouvidas por BiodieselBR. Esse é também o fato mais temido, pois pode ser um indício de crise econômica mais aguda. “O que as distribuidoras previram de movimentação de diesel para este bimestre foi menor que o esperado e elas estão com o estoque de biodiesel muito alto”, cogita Luiz Meira, gerente da usina Potencial.
“Pode ser que o país esteja numa retração muito maior que a gente está pensando, uma vez que a economia brasileira, infelizmente, ainda é rodoviária, pautada no consumo de diesel. Porque as térmicas continuam operando a todo o vapor, sendo grande parte delas movida a diesel. As quebras de safras não justificariam, então, a única explicação seria essa”, acredita Julio Minelli, diretor superintendente da Associação dos Produtores de Biodiesel do Brasil (Aprobio).
Segundo José Paulo Fuga, gerente da unidade de biodiesel da Biofuga, as usinas precisarão ficar mais atentas aos sinais do mercado de óleo diesel na hora de se preparar para os leilões. “Agora, gente vai ter que também analisar os dados de consumo de diesel”, ressalta.