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Distribuição

Raízen vê cenário ‘complexo’ no mercado de diesel


Valor Econômico - 26 mai 2022 - 09:11

O mercado de diesel deve permanecer “complexo” nos próximos meses, potencialmente com ainda mais desafios do lado do suprimento, na avaliação da Raízen, uma das maiores distribuidoras de combustíveis do país. “A gente não vê o cenário arrefecendo nos próximos três ou quatro meses. O mercado segue complexo”, disse o presidente da companhia, Ricardo Mussa, durante o “Raízen Day”.

No encontro com analistas e investidores, o executivo lembrou que no segundo semestre, tipicamente, há alta no consumo de diesel no Brasil e a temporada de furacões no Atlântico Norte. Além disso, com o mercado de gás também apertado, uma alternativa tem sido substituir o insumo por diesel, elevando a competição pelo combustível.

No Brasil, conforme Mussa, a distribuição tem enfrentado momentos desafiadores, em particular na importação de diesel, mas a Raízen tem sido hábil em navegar nesse ambiente. “Não faltou produto em nenhum momento”, destacou, acrescentando que essa segurança de abastecimento também se reflete em maior embandeiramento de postos.

Ter a Shell, um gigante global de óleo e gás, como acionista e estar em outros países da América do Sul, garantindo escala na compra de combustíveis, têm contribuído para que a Raízen atravesse esse período de crise sem grandes sobressaltos. Em determinado momento, indicou o comando da distribuidora, que tem operações na Argentina e no Paraguai, volumes foram desviados de um país para o outro para assegurar o fornecimento da rede. “A gente está passando muito bem por esse período”, ressaltou.

Mussa aproveitou ainda o evento para “prestar contas” sobre as promessas feitas durante as reuniões com investidores e analistas que antecederam a oferta pública inicial de ações (IPO) da Raízen, no ano passado, e destacou que todas as metas foram no mínimo alcançadas. “Tudo o que a gente falou no IPO, a gente está entregando ou entregando acima do que prometeu”, afirmou.

Sobre o crescimento projetado em renováveis, o executivo indicou que o ritmo de expansão pode ser maior do que o previsto até o fim do ano. Uma das ambições é acelerar a implantação de novas usinas de etanol de segunda geração (E2G). A companhia opera hoje a única usina de E2G em escala industrial do mundo e, até 2030 ou 2031, espera ter 20 em operação.

De acordo com o vice-presidente de Renováveis da Raízen, Francis Queen, as três unidades que estão em construção, com investimentos de R$ 1 bilhão cada, entrarão em operação entre 2023 e 2024. “Hoje, os preços do E2G mais que compensam a inflação”, observou o executivo, acrescentando que a companhia já tem, junto a fornecedores, capacidade nominal suficiente para construir até sete novas usinas por ano.

Em termos de produtividade, Mussa destacou que a Raízen avançou nessa frente e está executando, neste ano-safra, o maior plantio de sua história, com mais de 120 mil hectares. Além disso, apontou que a companhia elevou a entrega de açúcar no destino final para 50% atualmente, à frente da meta inicial, e seguirá buscando ter mais de 90% da movimentação da commodity diretamente para o cliente final.

Na distribuição de combustíveis, disse o vice-presidente de Marketing e Serviços, José Antonio Cardoso, a Raízen cresceu dez pontos percentuais em participação de mercado em dez anos e quer seguir avançando. O executivo destacou que a companhia também se beneficia das experiências e melhores práticas no mundo na esteira da presença internacional da acionista europeia. “Em carros elétricos, por exemplo, a Shell na Europa já está na vanguarda desse mercado e a Raízen já conversa com eles para sair na frente no mercado brasileiro. Isso é uma vantagem competitiva”, disse.

No mercado de proximidade, por meio da sociedade com a Femsa no grupo Nós, o faturamento já está 30% acima do planejado e a ambição é abrir uma loja por dia no exercício atual, alcançando mais de 5 mil unidades em operação e se consolidando como a maior empresa de proximidade do país. Hoje, já são 150 lojas com a bandeira Oxxo e 1,45 mil unidades Select.

Em relação às operações fora do país, a Raízen acelerou o embandeiramento de postos, disse Teofilo Lacroze, responsável pelas operações na América Latina. “O que faríamos em dois anos, já vamos alcançar neste mês”, afirmou. Olhando para a frente, a estratégia passa por elevar a oferta de produtos renováveis e ganhar participação de mercado, chegando a 25% na Argentina e a 20% no Paraguai, cujo Ebitda deve triplicar a partir do foco em crescimento, marca, inteligência de precificação e oferta de produtos diferenciados.

“Queremos ser líderes em soluções energéticas de mobilidade do futuro, mas também em crescimento e rentabilidade, para dobrar o Ebitda até 2030”, acrescentou Lacroze.

Stella Fontes – Valor Econômico