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O percentual de biodiesel que as grandes distribuidoras misturaram em 2016

A baixa demanda de biodiesel no L53 ainda não foi devidamente digerida pelas usinas e vem alimentando especulações sobre o nível real de mistura.
BiodieselBR.com 4 min de leitura
A baixa demanda de biodiesel no Leilão 53 – justamente aquele que marcou a estreia do B8 – ainda não foi devidamente digerida pelas usinas. Com uma demanda abaixo da registrada em 2014 quando se misturava apenas 6% de biodiesel no diesel, essa indigestão é um efeito colateral esperado.

A baixa demanda de biodiesel no Leilão 53 – justamente aquele que marcou a estreia do B8 – ainda não foi devidamente digerida pelas usinas. Com uma demanda abaixo da registrada em 2014 quando se misturava apenas 6% de biodiesel no diesel, essa indigestão é um efeito colateral esperado.

Mesmo com a explicação trazida por BiodieselBR.com nos dias seguintes ao encerramento do leilão, parte do setor continua achando que pode ter algo a mais. São frequentes as conversas com pessoas ligadas a usinas de biodiesel que levantam dúvidas sobre se todo o diesel vendido no Brasil contém mesmo a mistura correta de biodiesel.

O principal motivo dessa dúvida é o preço menor do diesel importado. Como existem muitas distribuidoras trazendo o derivado de fora do país – e não mais só a Petrobras como era costume até pouco tempo atrás –, a desconfiança só aumenta. Para tentar responder a alguns desses questionamentos, BiodieselBR.com se debruçou sobre os números das grandes distribuidoras: Ale, BR, Ipiranga e Raízen.

Essas quatro distribuidoras ficaram com 78,2% de todo o diesel vendido legalmente no Brasil em 2016. As decisões destes players de comprar mais ou menos biodiesel num determinado leilão tem grande impacto no resultado final.

Os outros 21,8% do mercado está pulverizado entre 76 distribuidoras. Por isso, as decisões de compras de cada uma dessas empresas têm um impacto pouco expressivo da demanda final.

Misturando biodiesel

Um passo importante para acabar com a ideia que não estão comprando biodiesel suficiente para o consumo de diesel é verificar se as distribuidoras estão misturando a quantia certa de biodiesel. Para fazer isso, usamos os dados disponíveis no BiodieselDATA e calculamos quanto cada uma dessas distribuidoras misturou de biodiesel em 2016.

Em valores anuais, todas as distribuidoras retiraram o volume de biodiesel determinado pela lei.

Distribuidoras BaixaDemanda TABELA 220217
A BR foi a distribuidora que mais retirou biodiesel na relação com suas vendas. A subsidiária da Petrobras comprou biodiesel equivalente a 7,12% do diesel vendido em 2016. A Ipiranga comprou exatos 7%; a Ale comprou 6,91%; e a Raízen 6,84%.

Cabe ressaltar que a ANP aceita uma variação para mais ou para menos de 0,5% no percentual de biodiesel adicionado ao diesel. Traduzindo: qualquer teor entre 6,5% e 7,5% está dentro das normas da ANP. Ou seja, todas as distribuidoras analisadas estavam dentro da margem.

Olhando para os números mensais, vemos que todas as distribuidoras têm grandes variações mensais do percentual de biodiesel retirado sobre o volume efetivamente vendido.

Parte da variação se deve ao fato dos números apresentados não serem de mistura efetiva, mas uma estimativa que leva em conta o biodiesel retirado nas usinas e a venda de diesel pela distribuidora naquele mês. Para deixar as contas mais precisas, descontamos o volume de diesel marítimo que cada distribuidora vendeu – o combustível marítimo é isento da mistura.

Na prática, o biodiesel retirado a cada mês é usado naquele mês ou no consecutivo. Como as distribuidoras, evidentemente, não sabem exatamente quanto diesel venderão, surgem variações. A BR, por exemplo, retirou acima de 7,5% nos últimos dois meses de 2016. Esse combustível extra teve que ser carregado para ser usado em janeiro deste ano.

Volumes variam

O que fica claro vendo o percentual de mistura é que as compras das distribuidoras variam com frequência de quase 0,5% de um mês ou de um leilão para outro. Em alguns casos esse percentual chega mais próximo de 1%. No caso da BR uma variação de 0,5% representa cerca de 15 mil m³, dependendo do bimestre.

Nos próximos meses os dados sobre as vendas e retiradas do L53 serão divulgados e saberemos exatamente o que aconteceu para cada uma das grandes distribuidoras.

O estoque dos leilões anteriores é a explicação fornecida para a compra tão baixa. E se não for, os dados usados para montar essas tabelas mostrarão isso.

Miguel Angelo Vedana – BiodieselBR.com
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