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[Atualizada] Porque a demanda de biodiesel do L53 foi tão pequena

Levantamento feito por BiodieselBR.com indica que redução nas vendas de biodiesel no Leilão 53 é, em parte, influenciada por fatores conjunturais.
BiodieselBR.com 4 min de leitura

Ninguém vai negar que a estreia do B8 foi um banho de água fria: ao contrário do recorde de vendas que o setor esperava, os 620,2 milhões de litros arrematados ficaram abaixo até mesmo do negociado durante os dois leilões do B6.

Ninguém vai negar que a estreia do B8 foi um banho de água fria: ao contrário do recorde de vendas que o setor esperava, os 620,2 milhões de litros arrematados ficaram abaixo até mesmo do negociado durante os dois leilões do B6.

Naturalmente, os fabricantes ficaram de cabelos em pé com receio de que, depois de dois anos de crise econômica, a demanda de biodiesel no Brasil esteja se acomodando num patamar muito mais baixo. Já na sexta-feira (10), o superintendente da Associação dos Produtores de Biodiesel do Brasil, Júlio Minelli, já dava o tom dos fabricantes. “A retração [da economia] está sendo maior do que a gente poderia supor. É a única leitura que a gente consegue fazer nesse momento”, disse, apontando para o desemprego e o esfriamento no consumo das famílias como o possível vilão por trás desse resultado.

Contudo, segundo BiodieselBR.com pôde apurar junto a distribuidoras, o mau resultado do L53 pode ser mais conjuntural do que se supõem.

“Estou carregando um estoque [de biodiesel] acima do que deveria e estou aproveitando [o Leilão 53] para fazer o ajuste”, admitiu Paulo (nome fictício), um dos executivos que topou falar do assunto. Segundo ele, o turbilhão que atingiu em cheio o L53 começou a se formar em dezembro. “Dezembro foi um mês muito ruim mesmo. A demanda [de diesel] despencou entre 10% e 12% para a gente”, conta este mesmo executivo.

Até agora, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) ainda não divulgou os números para mercado de derivados para dezembro de 2016. Até novembro, as vendas acumuladas de diesel para o ano passado haviam recuado 5% sobre os resultados de 2015.

Paulo não foi o único a justificar a baixa nas aquisições do L53 dessa forma. Outras distribuidoras com as quais essa reportagem conversou confirmaram problemas da mesma ordem.

Na visão destas distribuidoras, o problema estaria mais na demanda passada do que na futura. Paulo mesmo adota um tom bem mais tranquilizador ao se referir à demanda esperada para o segundo bimestre de 2017. “Particularmente, não teremos [no segundo bimestre de 2017] muito menos biodiesel à disposição do que tínhamos no segundo bimestre de 2016. Estou sendo cauteloso até para evitar acumular estoques novamente, mas eu não vejo o mercado entrando em queda livre”, disse.

Problema interno

Estoques elevados não foram o único fator em jogo. Pelo menos uma distribuidora informou ter tido problemas técnicos com seus sistemas internos de gestão do leilão de biodiesel e acabou “ficando curta” – o que, no jargão do setor, significa que ela comprou menos biodiesel do que precisaria. Ela relatou que vai tentar fazer valer a regra dos editais que permite negociar com as usinas a entrega de 10% além do contratado no leilão, ou então fazer um uso maior do biodiesel do leilão de opções.

Segundo essa distribuidora, o problema foi interno. Sem relação com as dificuldades que a Petrobras teve com seus servidores que adiaram a Etapa 2 do processo.

Números

As distribuidoras que falaram com BiodieselBR.com foram, naturalmente, reticentes em repassar os números precisos sobre suas compras. E, mesmo as que o fizeram, demandaram que a informação fosse tratada com discrição.

Mas, contabilizando apenas o que as distribuidoras que aceitaram falar com BiodieselBR.com – três das quatro maiores do Brasil – informaram, temos algo entre 65 e 75 milhões de litros de biodiesel que se devem aos problemas relatados nesta reportagem. Isso colocaria o resultado do leilão em, pelo menos, 680 milhões de litros – praticamente empatado com o L42 no terceiro lugar do ranking de volumes negociados.

O impacto, no entanto, pode ter sido maior já que não conseguimos resposta de uma das grandes distribuidoras. Mas os grandes estoques podem também ter tido influência na demanda dela. “Não posso falar por outras distribuidoras, mas, se aconteceu com a gente, é bem possível que também esteja acontecendo com elas”, completa Paulo.

Atualização 16h10: Numa versão anterior deste texto, a estimativa do volume que deixou de ser adquirido pelas distribuidoras ia de 50 a 60 milhões de litros. O valor foi corrigido em função de novas informações obtidas por BiodieselBR.com.   

Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com

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