Pesquisa

Projeto quer converter plantas aquáticas em biocombustível


BiodieselBR.com - 16 jul 2019 - 15:16

Hidrelétricas vivem uma batalha contínua com as plantas aquáticas que tendem a se acumular em seus reservatórios em grandes volumes. Em busca de uma saída produtiva para o problema, a CTG Brasil – segunda maior geradora privada de eletricidade do país com portfólio de 8,28 GW – vai investir R$ 4,6 milhões num projeto de Pesquisa & Desenvolvimento (P&D) que pretende desenvolver novas formas de conversão dessa biomassa em biocombustíveis.

Desenvolvido em parceria com o Instituto Senai de Inovação Biomassa (ISI Biomassa), o projeto foi oficialmente lançamento ontem (11) em Três Lagoas (MS) onde a CTG Brasil opera a Hidrelétrica de Jupiá.

Hoje, as plantas são simplesmente recolhidas e passam por um processo de compostagem simples sendo, posteriormente, destinadas à adubação de viveiros e hortas. Um mapeamento preliminar identificou um total de 86 espécies de plantas aquáticas macrófitas nos reservatórios das hidrelétricas Ilha Solteira e Jupiá, localizadas na fronteira de Mato Grosso do Sul e São Paulo.

Desde 2016, a CTG Brasil já coletou mais de 2 mil toneladas de plantas aquáticas que se acumularam nas grades de Jupiá. Apesar dos cuidados no gerenciamento da população de plantas, em 2017, um desprendimento de macrófitas de maiores proporções afetou a operação de 10 unidades geradores da usina gerando custos e manutenção de R$ 3,8 milhões.

Pirólise

Com duração prevista de três anos, a iniciativa será coordenada pelo Instituto Senai de Inovação Biomassa (ISI Biomassa) e vai avaliar o uso de tecnologias de pirólise rápida. Esse processo basicamente acelera o processo de decomposição da biomassa para produzindo, em questão de horas, um tipo de bio-óleo não muito diferente do petróleo de origem fóssil. Esse produto pode, então, ser refinado para a produção de biocombustíveis e outras moléculas.

“Vamos usar ciência e tecnologia para propor uma solução inteligente e ecológica a um problema que afeta o uso da água e a operação das usinas hidrelétricas, exercendo o controle de macrófitas ao mesmo tempo em que transformamos os resíduos dessas plantas em energia”, diz Aljan Machado, diretor da CTG Brasil.

Para Carolina Maria Machado de Carvalho Andrade, diretora do ISI Biomassa, ao incorporar inovações tecnológicas ao controle de macrófitas, o projeto poderá gerar novas soluções também para áreas de balneários e de navegação.

Ao menos por enquanto, projeto não abrange a comercialização do bio-óleo produzido. O foco está no desenvolvimento de uma metodologia de produção de biocombustível líquido.

Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com
Com informações da assessoria da CTB Brasil