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Ainda que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tenha dado um ultimato ao Irã no último sábado para liberar o Estreito de Ormuz em 48 horas, os mercados já colocam nos preços a chance de o conflito se intensificar e temem, ainda, que os efeitos da guerra no Oriente Médio durem bem mais tempo que o previsto anteriormente.

No site de apostas Polymarket, a probabilidade de um cessar-fogo na guerra até o fim deste mês está em somente 10% contra 25% de chance de haver um acordo entre os dois lados até 15 de abril. Nas bolsas de apostas, a ideia majoritária (51%) é de que o conflito chegue a um fim somente no mês de maio.

Os efeitos sobre os preços do petróleo, porém, podem ser ainda mais duradouros diante dos ataques recentes à infraestrutura de energia de alguns países da região do Golfo e das ameaças de que isso pode se intensificar nos próximos dias. E é nesse sentido que, aos poucos, o mercado tem visto um “steepening” na curva futura do petróleo nesta segunda-feira, o que indica uma reprecificação mais persistente do choque de oferta.

Há pouco, por volta de 7h30 (de Brasília) desta segunda-feira, o petróleo tipo Brent para entrega em dezembro subia 3,30%, para US$ 88,70 por barril, na Intercontinental Exchange (ICE), enquanto o contrato futuro para maio avançava 0,96%, a US$ 113,27.
Desde o início da guerra, o Brent para dezembro já acumula valorização de quase 30%.

Nesse contexto, os bancos não param de revisar suas projeções para os preços do petróleo. Ontem, em pleno domingo, foi a vez do Goldman Sachs elevar sua projeção para o preço médio do Brent neste ano de US$ 77 para US$ 85. “Agora assumimos que os fluxos pelo Estreito de Ormuz permanecerão em apenas 5% dos níveis normais por um período mais longo, de seis semanas, antes de uma recuperação gradual ao longo de um mês”, diz Daan Stryven, chefe de pesquisa de commodities do banco.

Além disso, para ele, o reconhecimento dos riscos associados à elevada concentração da produção e da capacidade ociosa tende a levar a um aumento estrutural dos estoques estratégicos e dos preços nos vencimentos mais longos, o que deve deixar os preços mais altos por um período prolongado.

No caso do holandês Rabobank, a expectativa é de que a média de preços do Brent fique em US$ 107 no segundo trimestre, em US$ 96 no terceiro trimestre e em US$ 90 nos últimos três meses do ano. Já em relação ao próximo ano, os estrategistas do banco elevaram a projeção média para o barril do Brent de US$ 71,50 para US$ 83.

Victor Rezende – Valor Econômico

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