

Um estudo recém-divulgado pela Universidade Tsinghua calcula que mais de um milhão de chineses morrem por ano em função da poluição.

Que a poluição atmosférica da China havia se tornado um problema sério já era bem evidente [veja vídeo no final dessa matéria]. Mas a crise está ganhando contornos nada menos que aterradores. Um estudo recém-divulgado pela Universidade Tsinghua – entre as mais respeitadas do país asiático – calcula que mais de um milhão de chineses morrem por ano em função da poluição.
Segundo a pesquisa, 15% das mortes registradas na China durante o ano de 2010 estão relacionadas à má qualidade do ar, especialmente em função do volume de material particulado que provoca dados ao sistema respiratório, coração e cérebro. O número total é de 1,23 milhões de mortes.
A situação está se tornando um teste para o novo primeiro-ministro chinês, Li Kequiang, que assumiu o comando do país em meados do mês passado. Normalmente discretas ao lidar com crises, as autoridades chinesas estão sendo obrigadas a reconhecer abertamente a gravidade da situação. Kequiang afirmou que a poluição o deixava “muito perturbado” e fez promessas de que faria “esforços vigorosos” para enfrentar o problema.
Segundo autoridades de Pequim, as emissões veiculares representam 22% do material particulado e outros 40% provêm de fábricas movidas a carvão em Pequim e províncias vizinhas. Em fevereiro o governo chinês divulgou padrões mais severos para as emissões relacionadas ao carvão.
A parte automotiva da equação tem sido mais complicada. O diesel chinês possui níveis de enxofre 23 vezes maiores do que usado nos Estados Unidos (que teor de enxofre é de 15 ppm). A melhoria dos padrões ambientais dos combustíveis consumidos hoje pelo país asiático seria fundamental para resolver o problema, mas isso contraria os interesses das principais petroleiras do gigante asiático que, segundo reportagem produzida pelo New York Times, têm obstruído as discussões.
Os representantes das petroleiras são maioria nos comitês responsáveis pela definição das especificações de combustíveis na Agência de Padronização da China. "Durante o processo de estabelecimento do padrão, as companhias ou conselhos do setor econômico têm muita influência", afirmou gerente de campanha sobre questões energéticas para o Greenpeace no Extremo Oriente, Zhou Rong, ao jornal norte-americano acrescentando que ele é cético quanto a capacidade do governo chinês de impor restrições às companhias. "Minha opinião pessoal é de que mesmo existindo padrões mais restritivos para cada segmento, as companhias os violarão", completa.
Crise internacional
Entre o final do ano passado e o começo o problema da poluição gerada pelas cidades chinesas ficou ainda mais grave. As nuvens de fumaça densa tomaram conta de 25% do território chinês chegando a atravessar o mar e atingir o Japão.
Cerca de 600 milhões de pessoas foram afetadas apenas na China durante o período. O número de pessoas com doenças respiratórias no país foi 30% maior do que o normal.
Veja reportagem sobre o assunto produzida pela Rede Globo no começo de fevereiro:
Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com
Com informações Galileu, Globo e New York Times