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Estudo científico mensura benefícios do biodiesel para a saúde pública

A pedido da Aprobio, o Instituto Saúde e Sustentabilidade realizou um estudo que mediu os benefícios do bidiesel para os habitantes de 6 metrópoles.
BiodieselBR.com 6 min de leitura
“A gente sempre soube que tinha esse benefício, mas, francamente, fomos surpreendidos por quanto é significativo”, empolga-se Julio Minelli, diretor superintendente da Associação dos Produtores de Biodiesel do Brasil (Aprobio). Ele se refere aos resultados obtidos por um estudo científico recém-divulgado pelo Instituto Saúde e Sustentabilidade que procurou colocar em números algo que todo mundo já sabia: o biodiesel salva vidas.

“A gente sempre soube que tinha esse benefício, mas, francamente, fomos surpreendidos por quanto é significativo”, empolga-se Julio Minelli, diretor superintendente da Associação dos Produtores de Biodiesel do Brasil (Aprobio). Ele se refere aos resultados obtidos por um estudo científico recém-divulgado pelo Instituto Saúde e Sustentabilidade que procurou colocar em números algo que todo mundo já sabia: o biodiesel salva vidas.

Embora grandiloquente, a afirmação não tem nada de controversa. A própria Organização Mundial da Saúde estima que de cada oito mortes ocorridas no mundo, uma tem relação com problemas causados pela exposição ao ar contaminado. Medidas que reduzam os níveis de poluição, portanto, teriam um impacto benéfico na saúde da população. Faltava apenas saber qual o tamanho.

Para tentar dar responder essa questão, a Aprobio procurou o Instituto Saúde e Sustentabilidade que desde sua fundação em 2008 vem se dedicando a pesquisa sobre a relação entre a saúde a vida em grandes centros urbano e já tinha, inclusive, metodologias desenvolvidas para mensurar o impacto da poluição. “Eles já tinham o método e o interesse em fazer esse trabalho”, prossegue Minelli.

Batizado com o pouco amistoso título de “Avaliação dos impactos na saúde pública e sua valoração devido à implementação progressiva do componente biodiesel na matriz energética de transporte”, o que os cientistas fizeram foi compilar os dados sobre a qualidade do ar nas seis grandes regiões metropolitanas brasileiras – São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre, Salvador e Brasília – que têm essa informação disponível e, então, projetar o número de mortes e internações hospitalares esperadas de 2015 a 2025.

Depois, eles calcularam o quanto dessa poluição seria evitada pelo aumento da mistura de biodiesel e, consequentemente, quantas dessas mortes e internações poderiam ser evitados.

Segundo a pesquisadora do Instituto Saúde e Sustentabilidade, Julia Cavalcante, o foco do estudo foi a emissão de material particulado (MP) que pode ser entendido como um tipo muito fino de poeira gerada principalmente durante a queima dos combustíveis. “Quanto menores são as partículas, mais agressivas elas são, porque conseguem penetrar mais fundo no tecido pulmonar”, explica acrescentando que forma medidos os níveis do chamado MP2,5 cujas partículas medem até duas vezes e meia a milésima parte de um milímetro. “O MP2,5 é o mais nocivo à saúde sendo usado na literatura médica como indicador de impacto”, acrescenta.

Partindo de quatro cenários, os pesquisadores constataram que a diminuição nas emissões do MP2,5 poderiam chegar a 9,6% caso avançássemos para o B20.



Salvos

Pois bem. Pelas contas dos cientistas do instituto, até o final deste ano mais de 250 brasileiros poderão atribuir suas próprias vidas ao fato do governo federal ter aumentado a mistura obrigatória de B5 para B7 no ano passado. Não parece tanto. Mas quando chegarmos até 2025, já terão sido, pelo menos, 2.143 vidas salvas.

E esse é apenas o menor resultado possível. Se o país tivesse adotado o B20 em 2015, o número de vidas salvas superaria a impressionante marca de 13 mil ao longo de 11 anos.

Mas o biodiesel não impede apenas óbitos. Ele tem, também, impactos substanciais nos índices de hospitalização. Apenas na Grande São Paulo, o número de internações por problemas de saúde atribuíveis à qualidade do ar deverá superar 365 mil ao longo de todo o período projetado. O B7 reduzirá esse índice em 7,3 mil enquanto o B20 poderia cortar em mais de 45 mil – 12,2% – a quantidade de internações.

Tudo isso – além do sofrimento dos pacientes – gera custos tanto na forma de perda de produtividade econômica em função de mortes prematuras, quanto de custos evitáveis para o sistema de saúde.

Continuando apenas com os dados da Grande São Paulo – para termos um número menor e mais fácil de entender –, a adoção do B7 já garante uma economia de praticamente R$ 258 milhões. Com o B20 seriam quase R$ 1,6 bilhão.

Subestimado

Isso porque os próprios pesquisadores admitem que esse número pode estar bastante subestimado. “Uma limitação de nosso estudo foi que tivemos que considerar que a poluição se manteria basicamente estável até 2025. Esse é o grande fator porque nós sabemos que a frota brasileira de veículos vem aumentando a cada ano, então, a tendência é que a poluição aumente bastante ao longo desse período”, explica Julia.

Essa não é a única aresta que precisou ser aparada. Os dados de mudanças climáticas também não puderam ser devidamente fatorados. “Em ambientes mais secos a facilidade para a dispersão dos poluentes é menor. Então, se tivermos muitos anos secos daqui para frente, o impacto da poluição na saúde tenderia a ser pior”, complementa. A julgar pelos últimos anos – que o dia a crise hídrica que quase deixou 8 milhões de paulistanos sem água nas torneiras – um tempo mais seco é uma possibilidade que não deveria ser descartada.

Futuro

Com esses números em mãos, Minelli espera conseguir aumentar a interlocução. Já no começo deste mês os resultados já foram mostrados ao ministro da Secretaria Geral da Presidência da República, Miguel Rossetto, e também na primeira reunião do ano da Comissão Executiva Interministerial do Biodiesel (Ceib).

O estudo também pode ser uma arma para convencer governos municipais de que faz sentido investir em projetos locais para o uso de misturas maiores de biodiesel em suas frotas de transportes coletivos. “Nós queremos apresentar [os resultados] para as prefeituras de todas as Regiões Metropolitanas. A gente, inclusive já teve uma reunião, com a Secretaria de Meio Ambiente do Rio de Janeiro porque acreditamos que seria importante incluir o biodiesel nas Olimpíadas de 2016 para mostra esse benefício ao mundo”, completa Minelli.

Além disso, o Instituto Saúde e Sustentabilidade deverá apresentar os resultados do estudo em eventos científicos.

O relatório completo com os resultados do estudo pode ser baixado clicando aqui.

Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com

 

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