Há pouco mais de um mês o Brasil entrou numa contagem regressiva: temos 10 anos para reduzir nossas emissões de gases do efeito estufa (GEEs) em 37% e 15 anos para chegar a 42%. São essas as metas que fazem parte da pretendida Contribuição Nacionalmente Determinada (iNDC, na sigla em inglês) que o país apresentou cerca de um ano atrás como parte das negociações do Acordo do Clima de Paris.
Há pouco mais de um mês o Brasil entrou numa contagem regressiva: temos 10 anos para reduzir nossas emissões de gases do efeito estufa (GEEs) em 37% e 15 anos para chegar a 42%. São essas as metas que fazem parte da pretendida Contribuição Nacionalmente Determinada (iNDC, na sigla em inglês) que o país apresentou cerca de um ano atrás como parte das negociações do Acordo do Clima de Paris.
Com a ratificação pelo governo brasileiro, o iNDC perde o i – que, na sigla em inglês, significa intended ou “pretendida” – e passa a ser somente NDC. Ou seja, agora é para valer. E já há até um movimento dentro do Congresso para que os compromissos assumidos internacionalmente sejam consagrados em lei.
Não é uma coincidência fortuita que as três maiores associações do setor de biodiesel – Abiove, Aprobio e Ubrabio – tenham escolhido 2030 como ponto focal dos cenários desenvolvidos como parte do documento “Biodiesel: oportunidades e desafios no longo prazo”. O próprio texto reconhece que o prazo adotado toma a NDC como “horizonte”.
Entre as metas do NDC está a de “aumentar a participação de bioenergia sustentável na matriz energética brasileira para aproximadamente 18% até 2030”. Segundo as propostas das associações, o biodiesel poderia corresponder a 3,3% desse objetivo desde que seja adotada um cronograma que preveja aumentos da mistura obrigatória até atingirmos o patamar de B20 dentro de 15 anos.
Com isso, a demanda pelo biocombustível chegaria a 18 bilhões de litros anuais. Nas contas dos fabricantes, evitaria que algo em torno de 34 milhões de toneladas de CO2 chegassem a atmosfera a cada ano o equivalente ao plantio de 250 milhões de árvores por ano.
70% menos
Segundo um estudo publicado em fevereiro de 2014 pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), a geração megajoule de energia na forma de biodiesel de óleo de soja emite entre 23,1 e 25,8 gramas de gás carbônico equivalente (CO2e). Enquanto isso, o diesel fóssil emite 85,2 gCO2e/MJ.
Com a implementação do B20, a densidade de carbono do diesel brasileiro cairia para algo em torno de 72,9 gCO2e/MJ.
O número final poderia ser até melhor uma vez que outras matérias-primas usadas na produção de biodiesel apresentam performances ambientais até melhores que as da soja. Caso, por exemplo, do biodiesel feito com óleos e gorduras reaproveitados (OGRs) que reduzem as emissões em até 90%.
As emissões de carbono representam apenas uma parte dos benefícios potenciais. O mesmo relatório do MAPA mostra que o B20 diminuiria substancialmente as emissões de material particulado, hidrocarbonetos e monóxido de carbono na atmosfera o que teria efeitos bastante positivos sobre a saúde da população urbana brasileira. E, de quebra, para as contas públicas.
Um outro estudo divulgado em julho do ano passado pelo Instituto Saúde e Sustentabilidade estimou que, se o B20 já estivesse valendo, apenas na região da Grande São Paulo seria possível economizar R$ 1,6 bilhão ao ano em custos com o tratamento de doenças respiratórias relacionadas à polução e com as perdas de produtividade ocasionadas.
Serie
Chamado “Biodiesel: oportunidades e desafios no longo prazo”, o documento foi entregue na quinta-feira (06) a representantes do Ministério de Minas e Energia (MME) e é resultado do Seminário de Alinhamento das Instituições do Setor de Biocombustíveis ocorrido no último dia 19 de setembro.
Nos próximos dias BiodieselBR.com vai destrinchar alguns dos tópicos mais importantes desse documento. Na terça-feira (10), falamos das expectativas para a retomada dos investimentos.
Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com
Há pouco mais de um mês o Brasil entrou numa contagem regressiva: temos 10 anos para reduzir nossas emissões de gases do efeito estufa (GEEs) em 37% e 15 anos para chegar a 42%. São essas as metas que fazem parte da pretendida Contribuição Nacionalmente Determinada (iNDC, na sigla em inglês) que o país apresentou cerca de um ano atrás como parte das negociações do Acordo do Clima de Paris.
Com a ratificação pelo governo brasileiro, o iNDC perde o i – que, na sigla em inglês, significa intended ou “pretendida” – e passa a ser somente NDC. Ou seja, agora é para valer. E já há até um movimento dentro do Congresso para que os compromissos assumidos internacionalmente sejam consagrados em lei.
Não é uma coincidência fortuita que as três maiores associações do setor de biodiesel – Abiove, Aprobio e Ubrabio – tenham escolhido 2030 como ponto focal dos cenários desenvolvidos como parte do documento “Biodiesel: oportunidades e desafios no longo prazo”. O próprio texto reconhece que o prazo adotado toma a NDC como “horizonte”.
Entre as metas do NDC está a de “aumentar a participação de bioenergia sustentável na matriz energética brasileira para aproximadamente 18% até 2030”. Segundo as propostas das associações, o biodiesel poderia corresponder a 3,3% desse objetivo desde que seja adotada um cronograma que preveja aumentos da mistura obrigatória até atingirmos o patamar de B20 dentro de 15 anos.
Com isso, a demanda pelo biocombustível chegaria a 18 bilhões de litros anuais. Nas contas dos fabricantes, evitaria que algo em torno de 34 milhões de toneladas de CO2 chegassem a atmosfera a cada ano o equivalente ao plantio de 250 milhões de árvores por ano.
70% menos
Segundo um estudo publicado em fevereiro de 2014 pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), a geração megajoule de energia na forma de biodiesel de óleo de soja emite entre 23,1 e 25,8 gramas de gás carbônico equivalente (CO2e). Enquanto isso, o diesel fóssil emite 85,2 gCO2e/MJ.
Com a implementação do B20, a densidade de carbono do diesel brasileiro cairia para algo em torno de 72,9 gCO2e/MJ.
O número final poderia ser até melhor uma vez que outras matérias-primas usadas na produção de biodiesel apresentam performances ambientais até melhores que as da soja. Caso, por exemplo, do biodiesel feito com óleos e gorduras reaproveitados (OGRs) que reduzem as emissões em até 90%.
As emissões de carbono representam apenas uma parte dos benefícios potenciais. O mesmo relatório do MAPA mostra que o B20 diminuiria substancialmente as emissões de material particulado, hidrocarbonetos e monóxido de carbono na atmosfera o que teria efeitos bastante positivos sobre a saúde da população urbana brasileira. E, de quebra, para as contas públicas.
Um outro estudo divulgado em julho do ano passado pelo Instituto Saúde e Sustentabilidade estimou que, se o B20 já estivesse valendo, apenas na região da Grande São Paulo seria possível economizar R$ 1,6 bilhão ao ano em custos com o tratamento de doenças respiratórias relacionadas à polução e com as perdas de produtividade ocasionadas.
Serie
Chamado “Biodiesel: oportunidades e desafios no longo prazo”, o documento foi entregue na quinta-feira (06) a representantes do Ministério de Minas e Energia (MME) e é resultado do Seminário de Alinhamento das Instituições do Setor de Biocombustíveis ocorrido no último dia 19 de setembro.
Nos próximos dias BiodieselBR.com vai destrinchar alguns dos tópicos mais importantes desse documento. Na terça-feira (10), falamos das expectativas para a retomada dos investimentos.
Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com