Uso de óleos e gorduras não especificadas superaram o sebo bovino pelo segundo mês consecutivo no mix de matérias-primas da indústria
A diversidade de matérias-primas do setor de biodiesel superou uma barreira simbólica importante em agosto: pelo segundo mês consecutivo, as matérias-primas desconhecidas – classificadas pela ANP como ‘outros materiais graxos’ – superaram o sebo bovino como a segunda fonte de óleos e gorduras mais usada pela indústria. Essa é a primeira vez que as desconhecidas sustentam a colocação por mais de um mês.
A diversidade de matérias-primas do setor de biodiesel superou uma barreira simbólica importante em agosto: pelo segundo mês consecutivo, as matérias-primas desconhecidas – classificadas pela ANP como ‘outros materiais graxos’ – superaram o sebo bovino como a segunda fonte de óleos e gorduras mais usada pela indústria. Essa é a primeira vez que as desconhecidas sustentam a colocação por mais de um mês.
Desde que as matérias-primas desconhecidas começaram a ganhar mais espaço no mercado de biodiesel, em meados de 2016, elas têm estado na cola do sebo bovino – chegando a superar a concorrente em cinco ocasiões. A primeira vez que isso aconteceu foi em março de 2017; naquela ocasião, contudo, a vice-liderança teve vida curta.
Agora, isso parece estar mudando. Em quatro meses de 2019 – janeiro, abril, julho e agosto – as desconhecidas apareceram em segundo lugar.
Em agosto, a produção a partir de matérias-primas não especificadas pelas usinas foi de 59 milhões de litros. O volume é um pouco menor – 0,5% – que o reportado no mês passado, quando a quantidade absoluta de biodiesel fabricado a partir de óleos e gorduras desconhecidas bateu seu recorde, com 59,2 milhões de litros.
De janeiro até agora, foram fabricados pouco mais de 437,9 milhões de litros de biodiesel a partir dessas fontes. Isso equivale a 11,9% da produção total do país no período, um crescimento considerável frente aos 8,8% registrados nos primeiros oito meses de 2018.
Queda do sebo
Parte desse movimento tem a ver com uma redução consistente no espaço ocupado pelo sebo bovino na produção nacional de biodiesel, uma tendência que já vem ocorrendo a alguns anos.
A maior participação mensal do coproduto da indústria frigorífica no mix de matérias-primas do setor foi registrada em dezembro de 2013, com 27,1%. De lá para cá, a fatia vem encolhendo. Em julho, ela chegou a seu ponto mais baixo, com apenas 8,1%.
No mês passado, o resultado teve uma leve recuperação, com o sebo ocupando 10,1% da demanda das usinas. O volume fabricado foi de 50,9 milhões de litros, cerca de um quarto a mais do que os 40,2 registrados em julho.
Do começo ano até agora, as usinas brasileiras colocaram um total de 420,9 milhões de litros de biodiesel de sebo no mercado, pouco menos de 11,5% do total do período. Um ano antes, esta participação era de 13,3%.
Soja
Isolada em primeiro lugar, a soja viu sua participação no mercado reduzida em mais de três pontos percentuais em apenas um mês. Em agosto, a participação da oleaginosa ficou cravada em 70%. O volume fabricado foi de 352,3 milhões de litros, cerca de 10 milhões de litros a menos que em julho.
Para sustentar esta demanda foi necessário o esmagamento de mais de 1,69 milhão de toneladas de soja em grão, retração de 2,7% em relação ao recorde do mês passado.
Ao longo de 2019, a produção de biodiesel já absorveu o óleo equivalente a 12,4 milhões de toneladas de soja.
Embora mantenha uma liderança folgada, a soja perdeu um pouco do mercado de biodiesel. Até agora, em 2019, o grão representou 70,6% do mercado, contra 71,1% em 2018.
Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com