Dados da ANP mostram que foram produzidos quase 120 milhões de litros de biodiesel a partir do óleo de milho
O ano de 2019 ainda não esgotou o seu estoque de surpresas para o setor de biodiesel. Salvo um engano de proporções épicas por parte de um ou mais fabricantes, óleo de milho abocanhou inesperados 22,2% do volume total de matérias-primas consumidas pela indústria no mês de novembro. Trocado em miúdos, esse percentual equivale a produção de aproximadamente 119,7 milhões de litros.
O ano de 2019 ainda não esgotou o seu estoque de surpresas para o setor de biodiesel. Salvo um engano de proporções épicas por parte de um ou mais fabricantes, óleo de milho abocanhou inesperados 22,2% do volume total de matérias-primas consumidas pela indústria no mês de novembro. Trocado em miúdos, esse percentual equivale a produção de aproximadamente 119,7 milhões de litros.
Embora os números de novembro tenham sido divulgados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) ainda no ano passado, eles eram tão fora do comum que BiodieselBR.com achou prudente questionar a assessoria de imprensa da ANP – que confirmou os dados – e, ainda, optou por aguardar a virada do ano a espera de uma eventual correção que, até agora, não veio.
Adição recente
O óleo de milho é uma adição recente ao mix de matérias-primas da indústria. Sua presença nas estatísticas da ANP só se tornou uma constante do começo de 2018 em diante. Apesar disso, sua participação sempre variou entre a primeira e a segunda casa decimal. Mesmo a participação de 0,45% registrada em outubro – com a produção de 2,62 milhões de litros de biodiesel – já parecia uma grande extravagância para os padrões do mercado.
Nada sinalizava para esse crescimento repentino do óleo de milho.
Essa virada surpreendente em direção ao óleo de milho veio praticamente toda do Centro-Oeste. As usinas da região reportaram que um pouco mais de 42% de sua produção em novembro veio do milho, o que dá praticamente 89 milhões de litros de biodiesel fabricado a partir dessa fonte.
As usinas do Sudeste produziram 543 m³ enquanto nas do Sul a produção foi de 155,2 m³.
Diversificação
Graças ao salto na participação do óleo de milho, a matriz de matérias-primas do biodiesel brasileiro em novembro foi – de longe – a mais diversificada da história. Cerca de 29,2% de todo o biocombustível fabricado no período foi feito a partir de matérias-primas diferentes da soja e do sebo bovino que, historicamente, vêm dominando o mercado.
Antes, o maior índice de diversificação do mix de óleos e gorduras usados pelo setor havia sido atingido em fevereiro de 2012 quando 9,7% do biodiesel foi produzido a partir de fontes alternativas.
Avanço sobre a soja
A crescimento inesperado do óleo de milho reduziu as participações das três matérias-primas mais importantes para o setor: óleos de soja, sebo bovino e desconhecidas (que nas estatísticas da ANP aparecem como ‘outros materiais graxos’) perderam espaço entre outubro e novembro.
A maior queda foi da soja. A oleaginosa perdeu mais de 11,8 pontos percentuais de participação entre um mês e outro ficando com 53,7% do mercado em novembro. Apesar de ainda manter uma liderança folgada, essa foi a menor participação registrada para o óleo de soja nos 11 anos do histórico mantido pela ANP.
Em termos de volume, foram fabricados 289,5 milhões de litros de biodiesel de soja – o menor resultado mensal desde fevereiro de 2019. No somatório do ano, a participação da soja recuou para 67,5%. No período entre janeiro e outubro, o índice estava em 69,1%.
A contração fez com que o esmagamento de soja puxado pelo setor de biodiesel recuasse para menos de 1,39 milhão de toneladas em novembro. A segunda menor do ano atrás, somente de fevereiro e consideravelmente abaixo dos 1,54 milhão de toneladas de novembro de 2018.
Do começo do ano até agora, a produção de biodiesel absorveu o óleo gerado pelo esmagamento de 17,4 milhões de toneladas do grão. No mesmo periodo do ano anterior, o montante de soja esmagado para atender à demanda do setor de biocombustíveis havia sido de 16,4 milhões de toneladas.
Relativamente falando, contudo, a soja não foi a matéria-prima mais afetada. A produção a partir de sebo bovino e matérias-primas desconhecidas tiveram, respectivamente, 8,8% e 8,3% do mercado. Em ambos os casos, a participação recuou em mais de um terço em relação ao patamar registrado em outubro.
A queda na produção foi ainda mais pronunciada. Foram fabricados 47,6 milhões de litros de biodiesel de soja, 40,1% a menos que em outubro. No caso do biodiesel de fontes não declaradas pelas usinas houve recuo de 39,3% para 44,8 milhões de litros.
Com dendê
Salvo pelo óleo de milho, só duas outras matérias-primas ganharam espaço em novembro – a canola e a palma-de-óleo.
No caso da canola, a alta não passa de uma nota de rodapé. O óleo teve 0,3% do mercado de biodiesel de novembro com cerca de 1,78 milhão de litros fabricados. É o maior volume a partir dessa fonte desde outubro de 2018.
Já a palma vem conquistando uma presença mais substancial. Em novembro ela voltou a superar a barreira de 2% do consumo das usinas com produção de 10,9 milhões de litros. No somatório do ano ela já tem 1,8% da preferência do mercado, no ano anterior a palma registrou 1,3% de participação.
Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com